(pt) Organização Específica Anarquista do Amazonas (OEA): (Rusga Libertária): Luta & Resistência Curda - uma breve reflexão anarquista sobre o processo prático de luta

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Quinta-Feira, 13 de Julho de 2017 - 08:13:16 CEST


Nosso ponto de partida... ---- A intenção deste texto (sem pretensão de ser algo longo e 
profundo) é contribuir, um pouco, com a reflexão a respeito da luta e resistência do povo 
curdo. Não parte de uma intenção fechada e muito menos como "dona da verdade", mas sim da 
proposta de reflexão aberta e com pés firmes sobre contextualizações históricas e teóricas 
que partem dos próprios frontes de combates; através das/os militantes que rodam o mundo 
na busca de ampla solidariedade à luta e resistência do povo curdo em luta. Muito tem sido 
falado, nos últimos meses principalmente, quando se noticiou o apoio bélico dos EUA e da 
Rússia no processo de combate contra o ISIS. Refletir sobre esse "apoio" de forma fechada, 
rasteira e mecânica pode nos levar ao erro de negligenciar o potencial de enfrentamento e 
a seriedade e firmeza no projeto do Confederalismo Democrático, que se avança por todo 
território que tem estado sob o controle comunal do povo e com a defesa do YPJ e YPG, além 
de outras Frentes de Luta Armada.

Nossa, não fechada, reflexão...

O processo de luta dos curdos passou a ser alvo mais direto dos interesses dos Estados 
Unidos e da Rússia após os curdos derrotarem o Estado Islâmico (EI/ISIS) em Kobane; por 
uma razão óbvia: É a região de grande interesse por ser a passagem do petróleo no Oriente 
Médio e, dando acesso ao mar, facilita a escoação de gás da Rússia etc. É nesse momento 
que os dois países passam a enviar armamentos e tropas, valendo-se do discurso de que seu 
apoio vem porque os curdos estão lutando contra o Estado Islâmico/ISIS. Ao mesmo tempo, 
esses países também apoiam Bashar al-Assad, Erdogan e o próprio Estado Islâmico, porque, 
seja qual for o resultado, eles querem tirar vantagens.

É preciso compreender que dentro do movimento dos curdos existem vários partidos e grupos; 
o PKK é influente, mas não tem o controle total. O que reivindicamos não é a totalidade 
disso, mas o que a ala esquerda tem construído. Esse trabalho vem de muito tempo, é um 
trabalho de base de décadas. E é a ele que a esquerda do mundo precisa se solidarizar. 
Todo o movimento de libertação curda está em disputa, por forças locais e internacionais. 
É por isso que o trabalho dos socialistas tem sido constante junto ao povo, no sentido de 
transformar a cultura, construindo a autodefesa e buscando formar uma organização por fora 
do Estado - desconstruindo a ideia de que precisam reivindicar a independência para, 
depois, formar um estado-nação curdo simplesmente. Quando se busca construir com o povo a 
autodefesa e a autonomia, é justamente para que esse povo não fique refém de governos e 
forças exteriores no momento em que a guerra acabar. Os militantes marxistas/anarquistas/e 
outros de posicionamento crítico têm ciência do que representa a entrada dos Estados 
Unidos e da Rússia; e sabem que pós conflito eles vão impor suas medidas - "É muito fácil, 
e conveniente para certos poderes, apropriar-se da luta em Kobane para as suas próprias 
agendas. Mas como Salih Muslim e outros disseram: os curdos não serão mercenários de 
ninguém. Acabou-se a luta pelos demais. Se as pessoas realmente quiserem apoiar a longo 
prazo estruturas democráticas seculares, devem empreender ações políticas radicais, como o 
reconhecimento dos cantões de Rojava e das suas forças de defesa, bem como a eliminação do 
PKK da lista de organizações terroristas" (Dilar Dirik, ativista no Movimento de Mulheres 
Curdas).

A estratégia que parece se desenhar é preparar o povo para esse momento. Não é à toa que o 
trabalho não está apenas nas barricadas, mas sim no trabalho de base cotidiano nas cidades 
ainda povoadas e nos campos de refugiados. Enquanto se faz um tipo de política 
representativa internacionalmente, e algumas forças preferem essa esfera, pelo conselho 
geral dos cantões de Rojava, os militantes de esquerda estão nas comunas e assembleias 
populares junto ao povo - além do exército. Existem, assim, dois poderes em paralelo, o 
que ainda se assemelha ao oficial (conselho geral) e o poder do povo que está se 
construindo. Atualmente, se o conselho geral impor alguma medida de cima, as comunas têm 
poder de vetar e colocar outra medida em prática. Esses poderes estão disputando e, quando 
se fala revolução, o que se está a falar é que, depois da libertação dos curdos, a ideia é 
a de que vença o poder do povo - com autonomia, confederalismo democrático, liberdade para 
as mulheres, autodefesa do povo. É esse trabalho de fortalecimento do povo para a 
autodefesa e autonomia e contra o patriarcado que devemos reivindicar!

Há que se defender esse projeto de revolução e emancipação almejado e, dentro dos limites, 
colocado em prática pela ala socialista; principalmente, no que se refere às mulheres, 
afetadas de modo mais particular pela cultura patriarcal do que nós aqui nas nossas 
sociedades burguesas - exemplo, lá ainda era lei o crime de honra, casamentos forçados e 
mulheres proibidas de utilizar o espaço da rua. Apesar de todos os pesares, após esse 
processo e ainda que não vingue a revolução, as mulheres curdas jamais serão as mesmas, os 
homens curdos jamais serão os mesmos, o povo curdo jamais será o mesmo!

Retirado de: https://rusgalibertaria.noblogs.org/arquivos/917

https://anarquismoam.wordpress.com/2017/07/11/rusga-libertaria-luta-resistencia-curda-uma-breve-reflexao-anarquista-sobre-o-processo-pratico-de-luta/


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