(pt) Coletivo Anarquista Bandeira Negra CABN: Pela liberdade de viver e lutar em 1964, 2017 e sempre

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Domingo, 9 de Julho de 2017 - 13:39:51 CEST


No dia 31 de março de 2017, Florianópolis não se calou: denunciou as atrocidades da 
ditadura instalada com o golpe civil-militar de 1964 e também as atrocidades do período 
dito democrático, onde a violência de Estado e a criminalização das lutas continuam 
vigentes. ---- Em plena Avenida das Revoltas, em frente ao TICEN, local histórico das 
mobilizações na cidade, a performance teatral "Passos da Memória" trouxe à luz dos tempos 
atuais os perigos que o estado de exceção produz. Torturas, assassinatos, perseguições 
políticas, terrorismo de Estado, criminalização das lutas sociais e aumento da violência 
nas comunidades periféricas da cidade e do campo. ---- Caminhamos pelas ruas do centro de 
Florianópolis, passando por espaços de memória, encenando histórias sobrepersonagens que 
marcaram a luta contra a ditadura. Refletimos sobre o que não mudou até hoje: denunciamos 
as ações violentas sistemáticas da Polícia Militar de Santa Catarina em tratar a pobreza 
como crime e alvo de repressão violenta, principalmente com a população em situação de 
rua, as comunidades negras e indígenas, as comunidades periféricas da cidade.

A apresentação de teatro teve como inspiração momentos de revolta insurgente do povo de 
Florianópolis, como a Novembrada de 1979 e as Revoltas da Catraca em 2004 e 2005. Sob a 
proteção da grande figueira centenária, lembramos a resistência histórica e cotidiana do 
povo da rua e dos povos indígenas. Denunciamos símbolos do genocídio aos povos indígenas, 
como uma estátua na Praça XV que homenageia o Coronel Fernando Machado - um dos 
responsáveis por assassinatos em massa do povo guarani na Guerra do Paraguai. Apenas um 
momento dos 525anos de genocídio indígena por todo nosso continente, que continua até hoje!

A memória de muitas vidas de lutadorxs nos moveu ao Instituto Arco Íris de Direitos 
Humanos, onde outras companheiras e companheiros prepararam uma exibição de vídeo, abrindo 
espaço para debatermos sobre a escalada repressiva dos últimos anos. Estavam presentes 
professoras, advogadas, estudantes, desempregadas/os. Gente vinda direto das lutas 
camponesas, movimento da população de rua, sindicatos, movimento estudantil, enfim, gente 
que vive as ruas como realidade, resistência e utopia.
Compartilhamos, em uma roda de conversa aberta, relatos sobre os ataques que cada 
movimento ali presente estava sofrendo em termos de criminalização de suas lutas pelo 
Estado. O MST apresentou os vários casos que vem sofrendo no último período, incluindo 
companheiros do Paraná que seguem presos nesse momento. Militantes que estiveram no Bloco 
de Lutas de Porto Alegre relataram o caso dos seis acusados do Bloco, uma perseguição 
política nítida que envolve risco real de condenação. A população de rua também trouxe os 
relatos da violência cotidiana sofrida pela mão da Guarda Municipal de Florianópolis, 
quando pertences são confiscados ou o povo da rua é expulso a socos e pontapés do Centro 
da cidade.

Terminamos nossa atividade no dia 31 de março com mais uma demonstração de luta e 
resistência das ruas: uma batalha de rap das minas organizada pelo grupo Trama Feminina, 
surgido a partir da Batalha de Rap das Minas. A Batalha das Minas se mantém firme todo 
sábado no Centro de Florianópolis, criando espaço de fala e de trocas de ideias, 
enfrentando o elitismo e a limpeza social, assim como enfrentando o machismo estrutural 
que expulsa as mulheres desses espaços, pois não suporta ver as minas e pessoas "fora do 
padrão" ocupando o espaço público - com sua existência, suas ideias, visões críticas, com 
sua arte.
Nossa motivação coletiva para organizar essa atividade foi o recente avanço do processo 
contra os seis militantes do Bloco de Lutas pelo Transporte Público de Porto Alegre, 
acusados de liderar as manifestações em Junho de 2013, sofrendo ameaças sérias de 
condenação por até 20 anos em um processo repleto de irregularidades e perseguição 
política.Nos juntamos para pensar o que fazer em defesa dessxs companheiras/os: produzimos 
a nota coletiva que acompanha esse texto e articulamos novas reuniões entre esses 
movimentos, buscando manter vigília ativa em sua defesa, sem abandonar nunca nossas 
batalhas cotidianas em tempos de ataques brutais aos trabalhadores e trabalhadoras. 
Convidamos todas as entidades, movimentos e grupos para se somar a nós nessa tarefa de 
solidariedade e resistência coletivas!

LUTAR NÃO É CRIME!

SOLIDARIEDADE É MAIS DO QUE PALAVRA ESCRITA!

https://www.cabn.libertar.org/pela-liberdade-de-viver-e-lutar-em-1964-2017-e-sempre/


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