(pt) [Chile] Relato do 1º de Maio em Santiago By A.N.A. ,,,

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Sábado, 8 de Julho de 2017 - 09:01:26 CEST


Com aqueles que não participaram do chamado oficial da CUT e que, por outro lado, sentem o 
compromisso de classe e a necessidade de se manifestar nosso desacordo com a 
institucionalidade, nos reunimos na segunda-feira do 1º de Maio na esquina da Alameda com 
a Av. Brasil por volta das 10 da manhã. Enquanto os companheiros e companheiras se reuniam 
no dito lugar, diversas agrupações participantes difundiam suas manifestações através de 
faixas e folhetos autogeridos, que passando de mão em mão transmitem ideias libertárias 
que nos motivam a seguir lutando e que, nessa data particular, destacam a comemoração dos 
trabalhadores anarquistas mortos em maio de 1886 em Chicago, em razão de uma manifestação 
na qual reivindicavam a jornada de 8 horas de trabalho, ocasião em que foram submetidos a 
um julgamento ilegítimo que culminou com a condenação a morte de cinco deles, na chamada 
tragédia de Haymarket.

Uma vez reunidas todas as agrupações participantes, começamos a marcha vociferando 
consignas antiestatistas antipatriarcais e anarcossindicalistas, rodeados de participantes 
e simpatizantes das luta classicista, que de maneira independente se integraram a esta 
manifestação popular que circulou pela principal artéria da cidade em direção a Estação 
Central.

Durante o percurso, ficou manifesto que nem todos os participantes concordam com os 
princípios que nos mobilizam, dado que uns participantes foram acusados de machistas e se 
armou uma pequena confusão e discussão, que nos deixou claro que o dispositivo 
heterosexista ainda permeia até mesmo algumas agrupações que se autodefinem como 
libertárias e revolucionárias.

Não havendo ainda de terminar o percurso, a força policial se fez presente de forma 
violenta e arbitrária como é de costume, rodeando aos participantes com seus carros com 
gases tóxicos, disparando contra jovens, meninos e meninas, mães e todos os que 
participavam pacificamente de um ato legítimo, tendo que fugir para protegerem-se. Dessa 
maneira a polícia alcança seu objetivo repressivo, dissipando a força da marcha, como na 
metáfora de uma velha prática política de dividir para enfraquecer, mecanismo este 
utilizado d esde tempos remotos para atenuar o poder de uma organização popular. Ao mesmo 
tempo os meios de comunicação "informam" sobre os distúrbios ocorridos e sobre a 
"violência" dos manifestantes. Outra vez, o poderoso tem em suas mãos a verdade oficial, o 
discurso bem-pensante e normalizador que apazígua o terror dos espectadores que desde suas 
casas franzem a sobrancelha ante a violência dos "ressentidos" que destroem o patrimônio 
nacional.

Finalmente, a marcha durou muito pouco, restando um sentimento de insatisfação, em razão 
do pouco tempo de sua duração e, principalmente, porque a luta segue sendo desigual. O 
aparato técnico e repressivo da força policial é de longe superior a dos manifestantes, 
existindo momentos em que parece um jogo de crianças, com algumas pedradas e pichações 
diante das armas desenhadas para reprimir utilizadas pelos uniformizados. Um percurso 
pequeno, por um setor popular, muito distante dos bairros elegantes, onde o impacto da 
manifesta&cced il;ão talvez tivesse obtido algo além de uma inesquecível algazarra no 
marco de uma forma de participação cidadã hegemonizada pelo discurso institucional.

Continua, pois, a luta autônoma para gerar união, apoio mútuo, autogestão com intenção de 
melhorar as condições de trabalho e a vida em geral das classes trabalhadoras e de 
todos.as que sentem a opressão do poder heteropatriarcal sobre seus ombros.

Por fim, e uma vez finalizada a marcha, convidamos a todos os companheiros e companheiras 
a participar de uma tarde de cultura, conversação e encontro na Casa do Comunismo 
Libertário, onde se desenvolveram uma série de atividades como conversas, se ofertou um 
almoço comunitário e finalmente apresentou-se a obra "Os Grilhões", que narra a história 
de um grupo de trabalhadores anarquistas subjugados pela lei em inícios do século XX.

Sindicato de Ofícios Vários Santiago

Tradução > Liberto


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