(pt) Brazil, Federacao Anarquista Gaucha FAG: CARTA DE OPINIÃO NOV 2016

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Segunda-Feira, 9 de Janeiro de 2017 - 10:35:15 CET


PEDRA SOBRE PEDRA. CONSTRUIR UMA BARRICADA NO MEIO DA "PONTE PARA O FUTURO". O que podemos 
aprender com a farsa político-judicial que tirou o PT do trono deve valer muito nessa 
hora. Já dissemos o que pensamos do caso e para os desavisados repetimos sumariamente: o 
arranjo da Lava Jato com a grande mídia, combinada com a crise social produziram discursos 
no cotidiano que fizeram o cenário perfeito para a ação dos vigaristas. Mas nossa tese 
geral é que O PT FOI SEU PRÓPRIO COVEIRO. Foi progressivamente integrado na estrutura 
dominante durante os últimos 30 anos e bateu no teto como um partido dobrado pela política 
do ajuste fiscal e sócio da corrupção sistêmica. A escalada no governo e nas repartições 
burocráticas da institucionalidade levou pra dentro do movimento sindical e popular todo 
cretinismo político burguês. Fez simulação de parlamentarismo no interior das organizações 
de classe. Reproduziu os valores e as ambições que são ideologia corrente dessas instituições.

O que mais uma vez nos certifica o presente histórico da política brasileira é que o 
reformismo chega quando muito no governo pelas eleições. Para tanto tem que se adaptar as 
estruturas do poder ou sofrer implacavelmente a reação conservadora do Estado. Na primeira 
opção deixa de ser reformista e atua na margem curta que sobra do pacto com as classes 
dominantes, quando tem conjuntura pra isso. Na segunda, nem sequer governa. O revés que 
carrega no colo essa concepção, que o PT deixa bem registrado agora, é que para inspirar 
confiança no sistema de poder rifa a independência de classe, ou seja, se credencia a 
gestor com a promessa de desmobilização das forças populares. Cedo ou tarde, acaba 
montando a cama pra reação mais atroz se deitar.

Ainda há quem faça conclusão fácil de que faltou o programa e o partido certo da esquerda 
pra mudar a sorte dessa aventura. O velho desejo reformista de fazer um arranjo eleitoral 
que na prática conserva os mesmos "meios" que conduziram esse fracasso. Um discurso no 
teórico-político que não consegue se libertar da tentação da "varinha mágica" das 
direções, que faz uma simplificação letal quando o assunto é o poder. Aquelas noções do 
poder como uma máquina neutra figurada pelo Estado que pode ser usada ao gosto dos pilotos 
de turno.

Reação neoliberal, PEC do fim do mundo e ocupações

As eleições municipais nos indicam um triunfo relativo do discurso liberal-conservador que 
monta nas ideias da gestão técnica e da meritocracia como uma zona insuspeita, que 
aparentemente toma um lugar de fala longe da área manchada da política tradicional. Mas só 
aparentemente. A política miserável do ajuste vem casada com a repressão sobre a pobreza e 
o protesto pra disciplinar a produção da cidade privatizada. A crise do PT e a ofensiva 
reacionária que se encorajou com sua queda explica muito. É forçoso admitir um valor 
ambivalente para a rejeição eleitoral sinalizada pelo expressivo número de abstenções, 
votos nulos e brancos. Leva dentro o mal estar e a saturação com a fraude democrática 
burguesa, mas também carrega um ressentimento anti-política ao sabor dos ventos, que fica 
no limiar do encanto com promessas mágicas de tipo autoritária.

A PEC 241 aprovada em dois turnos na Câmara de deputados agora vai pro senado como PEC 55. 
A MP da reforma do ensino médio foi incorporada na LDB. Pela educação se registram os 
movimentos mais fortes de resistência. Mais de 1 mil escolas foram ocupadas no país com 
mais da metade no estado do Paraná. Nessa onda juntaram-se também Institutos Federais e 
Universidades país afora. A tática das ocupações reativaram, pelo menos no setor público, 
uma dinâmica de lutas pela base que afrontam a burocracia, ao mesmo tempo que abrem 
passagem pruma nova cultura política pela cara e a coragem sobretudo da juventude. No RS a 
luta dessa vez é mais enérgica pela mão dos estudantes do ensino superior com dezenas de 
cursos ocupados na universidade da capital e interior

Está evidente que a juventude ganhou protagonismo nos últimos anos e que na onda de lutas 
que temos na cena social-política o movimento estudantil tem mais gravitação. Mas não 
podemos deixar de reparar que nessa foto do momento nos falta o movimento dos 
trabalhadores e dos setores populares historicamente excluídos da torta. Assim, se pela 
tática podemos falar de reforço e ampliação das ocupações como medida imediata, pela 
estratégia não podemos deixar de atuar e sintonizar também com as dinâmicas sociais que 
são características de outras frentes de luta. Levar no que fazemos a noção de frente das 
classes oprimidas. Ter uma política bem resolvida para agrupar forças como tendência 
combativa e calçar o passo na hora que vem o cansaço ou a exaustação de uma medida de luta.

Todas as frentes de luta chamam pra resistência.

O Supremo Tribunal Federal deu parecer favorável na quinta (27/10) à regra que corta o 
ponto dos trabalhadores em greve do setor publico. A bola da vez anunciada pras próximas 
semanas é o julgamento das terceirizações de atividades-fim. A reforma trabalhista avança 
a golpes de toga pela mão do judiciário. E o movimento sindical vem amargando a duras 
penas o saldo negativo de todo um período amarrado na institucionalidade, fazendo correia 
de transmissão dos governos de colaboração petistas. Um plano de ação não deve ser manobra 
retórica de quem se acostumou a negociar nas costas dos peões, do alto dos aparelhos 
sindicais. De recuo em recuo, conciliação a conciliação, não tem salto mágico pruma greve 
geral. O sindicalismo classista tem que se reinventar nos locais de trabalho e não 
esquecer os setores precários da classe trabalhadora, pra poder encontrar forças reais pra 
lutar e vencer a exploração capitalista.

Já sabemos que articulado a situação nacional desatada pós-impeachment o elemento 
jurídico-repressivo vem pesado. Temos o caso emblemático do capitão do exército infiltrado 
na pequena formação black block de São Paulo horas antes de um ato. Mais tarde foi apurada 
sua ligação com um militar reformado que atuou no DOI-CODI. O assédio a professores para 
delatar estudantes por ordens expressas da alta burocracia do ministério da educação e 
secretarias estaduais. Validação pela vara de infância e da juventude do DF de técnicas de 
tortura para desocupar as escolas com corte de água, luz, entrada de alimentos, emissões 
sonoras para impedir o sono. A escola de formação Florestan Fernandes foi tomada de 
assalto por forças da Garra no interior de São Paulo, entre tiros, golpes e prisões.

O governo Temer é governo de choque de uma formação especial do poder político que vai 
configurando um tipo de Estado policialesco autorizado pelas medidas de exceção do 
judiciário. Sempre é bom repetir: nas favelas, subúrbios pobres e para a população negra a 
regra geral é o governo pela repressão, a política da morte e da cadeia. A pobreza e o 
racismo produzem o bandido que ameaça a paz dos ajustados e ativam as redes de controle 
sobre a vida social. O que a situação nacional vem caracterizando é uma ofensiva da 
restrição de direitos que vai mais longe. As medidas de exceção como recurso da luta de 
poder do Estado e as classes dominantes contra toda resistência.

Não se intimidar e abrir caminho pela independência de classe.

O caminho fácil e rápido não faz atalho pruma saída que seja obra que comece de baixo, com 
protagonismo popular efetivo. Com muita modéstia, nós formamos parte de um setor das lutas 
sociais e políticas que apontam uma concepção de ruptura que não ignora os limites e 
possibilidades da etapa de resistência que atravessamos. Que não enxerga alucinada a 
insurreição na primeira esquina, mas tampouco declina sua vontade de mudança radical 
frente a angústia, a descrença e o individualismo que narram nosso dia-a-dia.

O que podemos e devemos marcar agora e sempre é um espírito de luta e solidariedade 
irredutível, encarnado nas práticas sociais que fortalecem o movimento popular. A ação 
direta como fator de luta de classe contra o capitalismo e todos suas formas de opressão. 
A mais ampla participação popular como princípio de ação política de combate aos 
usurpadores burocráticos das organizações de base. Anima essa postura, uma estratégia de 
trabalho em médio e longo prazo de construção de poder popular. Uma frente de classes 
oprimidas com a capacidade política de enfrentar com seus organismos de democracia de base 
e federalismo esse degradante e opressivo mundo burguês.


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