(pt) quebrando muros: [CQM]MANIFESTAÇÃO CONTRA O AUMENTO DA TARIFA EM CURITIBA É MARCADA POR VIOLÊNCIA POLICIAL

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Sexta-Feira, 10 de Fevereiro de 2017 - 19:29:47 CET


Na última sexta-feira (3), a Prefeitura de Curitiba anunciou o novo valor da tarifa do 
transporte coletivo na capital paranaense. O reajuste, de R$ 3,70 para R$ 4,25 - inclusive 
aos domingos, cuja tarifa anteriormente custava RS 2,50 - representa um aumento de quase 
15% e torna Curitiba a capital com a passagem mais cara do país. ---- Em 2013, tanto o 
Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) quanto a CPI do Transporte da Câmara de 
Curitiba apontaram diversas irregularidades no processo de licitação de nosso sistema de 
transporte, apresentando fortes indícios de fraudes no contrato com as empresas, além do 
superfaturamento da tarifa que, de acordo com o TCE, não deveria passar de R$ 2,25 naquele 
momento, ou seja, a tarifa cobrada hoje é dois reais mais cara. A URBS, empresa 
responsável pelo gerenciamento do sistema de transporte público de Curitiba, não apresenta 
informações claras sobre os gastos com o transporte, sendo, então, injustificável aumentar 
a passagem para cobrir esses gastos. Cabe questionar: se os gastos com o transporte são 
tão grandes a ponto de serem necessários tantos aumentos para as empresas não saírem no 
prejuízo, por qual motivo uma só família acharia proveitoso controlar quase 70% dos 
consórcios de ônibus de Curitiba?

Além disso, estamos cansados de saber que os consecutivos e injustificados aumentos não 
influenciam na qualidade do transporte ou na melhoria nas condições de trabalho e salários 
dos trabalhadores da categoria, apenas aumentam os já exorbitantes lucros da máfia do 
transporte, importante financiadora das campanhas eleitorais. A prefeitura alega que o 
aumento da tarifa tornará viável a renovação da frota de ônibus, ignorando que já há um 
percentual previsto na tarifa destinado a isso - mais um indício de superfaturamento.

O reajuste começou a valer nesta segunda-feira (6) e uma manifestação contrária ao aumento 
e à máfia do transporte já havia sido convocada pelo CWB Resiste em conjunto com a Frente 
de Luta pelo Transporte. A partir das 18h30, cerca de 700 pessoas começaram a se 
concentrar na Praça 19 de Dezembro para decidir o rumo do ato. O trajeto mais votado foi 
seguir para a URBS ao invés de ir até à Prefeitura ou à casa de Rafael Greca, já que, 
apesar do prefeito ter responsabilidade em aumentar os lucros dessa máfia, é a mando deles 
que o aumento foi acatado pela atual gestão da prefeitura, bem como as anteriores. Outro 
ponto que pesou para a escolha do trajeto foi a possibilidade de passar pelo Terminal do 
Guadalupe e Praça Rui Barbosa, locais com grande circulação de usuários do transporte 
coletivo. Nestes pontos algumas das estações-tubo foram ocupadas por manifestantes e 
tiveram suas catracas liberadas, para que a população pudesse usufruir por alguns momentos 
do direito de ir e vir, que deveria ser assim: livre!

Durante o trajeto, algumas vidraças de bancos foram quebradas, mas, ao contrário do que a 
mídia local tem noticiado, não foi o "vandalismo" que marcou o ato, e sim a repressão 
desmedida da Polícia Militar, que chegou tempos depois dos tais atos de vandalismo já 
cercando toda a manifestação na Avenida Sete de Setembro. Bombas de efeito moral, de gás e 
balas de borracha foram lançadas na direção dos manifestantes que se viram encurralados 
por todos os lados durante várias quadras sem poderem se dispersar de forma segura. Além 
disso, algumas pessoas foram agredidas diretamente por policiais com cassetetes e spray de 
pimenta que também estavam prendendo de forma arbitrária as pessoas que alcançavam 
aleatoriamente. Há relatos de pessoas feridas e a informação de 11 detidos até o momento. 
Companheiros(as) contam que foram espancados(as), mesmo depois de rendidos(as),  antes de 
serem levados(as) ao 1º distrito policial.

É de extrema importância que neste momento não façamos coro com a grande mídia em 
responsabilizar as pessoas que jogaram pedras contra vidraças de bancos pela 
injustificável e violenta atuação da Polícia Militar no ato desta segunda-feira. Ainda que 
sejam, por vezes, ações individuais, são indivíduos que cerram fileiras conosco e lutam 
por dignidade e justiça. Que as divergências sejam tratadas dentro do movimento com 
responsabilidade, mas sem recair em generalizações e caracterizações que em nada 
contribuem para uma ação unitária e ainda reforçam a criminalização de alguns grupos em 
detrimento de outros.

É sintomático que, no primeiro ato da gestão de Rafael Greca como prefeito, a ação 
policial tenha sido tão diferente dos atos anteriores em que também houve quebra de 
vidraças, quando os policiais mais acompanhavam o ato e marcavam os rostos dos 
manifestantes, muitas vezes os fotografando e filmando. É também sintomático perceber o 
prazer com que alguns policiais militares agrediam e ameaçavam os manifestantes, parecendo 
muito satisfeitos que agora possuem o aval para fazê-lo.

Greca, aliado de Beto Richa, mostrou que, assim como ele, está disposto a fazer qualquer 
coisa para defender os interesses dos de cima - inclusive massacrar os de baixo. Nesse 
contexto, vale relembrar a ação truculenta da Polícia Militar no dia 29 de abril de 2015, 
dia do massacre promovido pelo governador Beto Richa contra professoras e professores da 
rede estadual de ensino que reivindicavam por seus direitos ao se levantarem contra as 
mudanças na Previdência Social (PL 252/2015). Não podemos nos esquecer de que a Polícia 
Militar é de responsabilidade do Governo do Estado, mas essa aliança política entre 
prefeito e governador já se provou bastante perigosa para os que lutam - bem como para os 
mais marginalizados com ações de higienização.

A data do ato (6 de fevereiro) coincide com os dois anos da chacina do Cabula, quando 12 
jovens negros foram executados em um campo de futebol em Salvador, na Bahia (onde o 
governo do estado está nas mãos do PT). Serve para nos lembrar que os gestores políticos 
são os gestores da violência. A verdadeira violência é a estatal, fruto de uma estratégia 
perversa que coloca o povo trabalhador sobre seu domínio. Não há um político que não tenha 
suas mãos manchadas de sangue. Há pouco tempo assistimos um cenário de guerra em Brasília 
durante as manifestações nas duas votações da PEC 55 no Senado. O Estado tem sido o espaço 
que garante a fartura dos ricos e a exploração dos pobres, a extensão política da 
exploração econômica. Em nossa "democracia" vivenciamos nossos direitos negligenciados. 
Nossas vidas marginalizadas, descartáveis. E a polícia é o seu maior recurso, é com a 
desculpa da "segurança" que em tempos de cortes em áreas fundamentais os investimentos no 
aparato repressivo não cessam, pelo contrário, são ampliados e engatilhados contra os que 
produzem e sustentam toda a riqueza e dela acabam usurpados. Dias piores vem chegando, o 
aumento da passagem chegou a um preço exorbitante em Curitiba (ainda mais na Região 
Metropolitana), assim como em outras cidades do Brasil. Não é por acaso que endurece a 
repressão. As condições de vida cada vez mais precárias instigam a revolta daqueles que, 
embora não estejam organizados e que muitas vezes possam agir "espontaneamente", enxergam 
cada vez mais nítido seu inimigo e a necessidade de combatê-lo com todas as forças.

Portanto, é necessário que estejamos unidos e organizados contra os ataques dos de cima, 
sejam de forma mais implícita como o aumento da tarifa ou mais explícita como a violência 
policial e o impedimento ao direito de manifestação. É direito da população lutar por 
acesso e qualidade nos serviços públicos.

Precisamos prestar solidariedade àqueles que foram detidos ou feridos durante esta 
manifestação e àqueles que já são perseguidos e investigados há tanto tempo pelas polícias 
por participarem ativamente das lutas pela garantia de nossos direitos. Além disso, 
precisamos fortalecer ainda mais a revolta contra o aumento da tarifa, organizar 
coletivamente um calendário de lutas com panfletagens, catracaços e atos cada vez mais 
combativos.

Rodear de solidariedade aqueles que lutam!

Pelo direito à cidade! Por uma vida sem catracas!

https://anarquismopr.org/2017/02/07/cqm-manifestacao-contra-o-aumento-da-tarifa-em-curitiba-e-marcada-por-violencia-policial/


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