(pt) Grécia, Álimos, Atenas: Manifestação contra a Organização Internacional para as Migrações By A.N.A.

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Sábado, 4 de Fevereiro de 2017 - 09:32:42 CET


Em 17 de dezembro de 2016 umas 150 pessoas fizeram parte de uma manifestação contra o 
papel da Organização Internacional para as Migrações, no bairro ateniense de Álimos. 
Durante a manifestação foram pintados lemas na parte exterior de dois edifícios da 
Organização e em vários de seus veículos. Também, se a tirou pintura na fachada do 
edifício central da Organização. O texto que segue é o que se distribuiu durante a 
manifestação. ---- Organização Internacional para as Migrações significa repressão, 
deportação e racismo institucional ---- 1. A Organização Internacional para as Migrações 
(OIM) foi fundada em 1951, e se autodenomina a melhor organização no setor das migrações. 
Tem uma íntima colaboração com organizações (inter)governamentais e "não governamentais". 
Foi constituída (fundada) como um comitê intergovernamental para as migrações na Europa, 
no entanto, desde 1989 é chamada Organização Internacional para as Migrações, sob a égide 
da ONU. Nela participam 155 países, entre eles Grécia. Recentemente o papel da OIM mudou 
de nível, ao integrar-se oficialmente na ONU. Já tem mais jurisdições no setor da 
materialização das políticas anti-migratórias. A OIM é a organização que, junto com outros 
"expertos" na Europa-fortaleza e na "segurança a nível mundial" (EUROPOL, FRONTEX, Polícia 
de Fronteira e Costeira Europeia, Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para 
os Refugiados, o Escritório Europeu de Apoio ao Asilo) levam a cabo a política das 
fronteiras fechadas ou muito bem controladas, das deportações e da reclusão em centros de 
internamento.

Estas políticas anti-migratórias constituem uma parte das políticas da Soberania em geral. 
Os Estados europeus e as formações interestatais e militares a nível mundial, com as 
operações militares e o saque econômico das sociedades em vários lugares do planeta, 
primeiro forçam a populações inteiras à imigraç&at ilde;o e aos que não podem exterminar 
ou encarcerar como excedentes os usam como potencial humano barato e descartável em vários 
calabouços. A ilegalização e criminalização dos imigrantes é um processo que resulta na 
queda do preço do trabalho, intensifica as reações racistas nos "países de recebimento", e 
pressupõe não só a agressividade estatal senão a suposta gestão humanitária delas. Por 
isso as organizações como a OIM constituem os mecanismos ideais para o embelezamento da 
barbárie da Soberania, junto com outras muitas ferramentas de que dispõem os Estados e os 
patrões (Organizações não Governamentais, meios de desinformação de massas, etc.). Porque 
podem chamar repatriaç&ot ilde;es às deportações, porque podem chamar projetos de 
assistência social e de humanismo aos programas de reclusão. Porque podem chamar de 
voluntárias as deportações dos imigrantes, se são o resultado das políticas diacrônicas de 
sua reclusão, intimidação e criminalização.

2. Esta organização aparece com uma cara humanitária, sendo algumas de suas atividades 
principais a distribuição de artigos de primeira necessidade nos centros de internamento 
dos imigrantes, o apoio jurídico e a participação em "encontros interfronteiras e 
intercientíficos" contra o tráfico de seres humanos. Ademais, participa no programa de 
reassentamento da Itália e Grécia aos outros países europeus, sendo um sócio principal do 
programa desde 2011, e tendo cobrado centenas de milhares de euros. Simultaneamente, com 
este perfil se encarrega de projetos ma iores, como o regresso supostamente voluntário dos 
e das imigrantes a seus países de origem. No entanto, quão voluntário é este regresso? Os 
imigrantes, depois de pagar tudo o que tem aos traficantes, arriscam sua vida para sair de 
seus países, e uma vez passadas as fronteiras fortificadas, vigiadas por contingentes e 
fragatas da OTAN, são recolhidos em centros de internamento, estando presos nestes 
quarteis miseráveis durante meses, porque só assim será atendida sua solicitação de asilo. 
Esta é a via única à qual a política humanitária-antimigratória da OIM chama repatriação 
volunt&a acute;ria, junto às deportações "legais". É óbvio que em ambos os casos se trata 
de uma coerção ao regresso, seja com meios psicológicos ou violentos. Os imigrantes são 
forçados a regressar aos países dos quais optaram por fugir ou se viram forçados a fugir, 
já que para os Estados europeus "filantropos" são "inúteis" e indesejados. Ao mesmo tempo, 
esta estratégia funciona como uma intimidação, assim que submetam os e as imigrantes que 
fiquem nos países que os "recebem".

A hipocrisia, no entanto, da OIM não se limita ao anteriormente citado. Começa em seu 
estatuto, que "reconhece o direito à livre circulação", e chega a chamar aos imigrantes 
"beneficiários" de seus programas. Obviamente quando diz "livre circulação", se refere ao 
deslocamento que conduz à escravidão moderna das met rópoles ocidentais e aos quarteis de 
"hospitalidade" ou de reclusão. E os "beneficiários" se beneficiarão se regressarem a seus 
países esmagados. Esta desorientação intencionada feita pela OIM é algo que promove com 
fervor o novo governo, o qual parece que investe na obra ideológica e material (e na 
"experiência") desta organização, tentando materializar todos os acordos políticos e 
anti-migratórios previstos, com a embalagem humanitária necessária. O "humanismo" da OIM é 
a receita necessária do consenso social aos planos da gestão policial e militar dos 
imigrantes, e da incorporação de qualquer voz que se oponha a eles.

3. Em 27 de maio de 2016 foi assinado um acordo entre o Ministério da Ordem Pública e da 
Organização Internacional para as Migrações, para "facilitar os processos de regresso e o 
apoio das medidas de reintegração" de mais de 20.000 imigrantes a seus "países de origem" 
durante os próximos três anos. Neste acordo se vê claramente a política que seguirá o 
Estado grego durante o próximo período, sobretudo depois da mudança recente da legislação 
concernente à composição dos comitês de asilo a certas categorias de solicitantes. Os que 
não consigam chegar a estes comitês, terão que regressar (a seus países), e a organização 
que de momento pode proceder a repatriações massivas é a OIM. A dimensão econômica deste 
acordo (11 milhões de euros ao ano, durante os próximos três anos) confirma o fato de que 
durante o próximo período o Estado grego será o ponto da gestão da política 
anti-migratória predominante.

Ademais, no final de setembro, o velho calabouço de Amygdaleza (assim o chamava Syriza 
quando estava na Oposição. Naquela ocasião sua promessa eleitoral principal era seu 
fechamento) foi pintado, em seu interior se construiu um parque para crianças, e começou a 
funcionar de novo como um "centro de detenção prévia à partida", no qual serão detidos os 
e as "que renunciem ao direito ao asilo" ou "solicitem voluntariamente sua repatriação". 
Aos quarteis de detenção-"hospitalidade", assim como aos "centros de dete nção prévia à 
partida" já conhecidos desde muitos anos, veio se somar um cárcere mais, renovado a nível 
estético e comunicativo, cuja gestão daqui em diante terá a OIM. Assim poderá realizar sua 
obra caritativa das "almas logisticas", segundo o dito "Migration is not a problem to be 
solved, but a reality to be managed" (a migração não é um problema que tem que 
resolver-se, senão uma realidade que tem que gestionar-se). Este dito é um princípio de 
acordo fundamental entre a OIM, os países da ONU e a UNESCO, consolidado no Convênio 
Mundial para as Migrações, realizado no mesmo período (final de setembro) em Nova York. É 
evidente que a cooperação da OIM com os demais mecanismos de reclusão e repressão de 
imigrantes subiu o nível tanto que qualquer pr etexto de humanismo já se dirige só a 
inocentões. Estes mecanismos e seus vários colaboradores (agências de segurança, empresas 
de serviço de comidas, contratistas, linhas aéreas, Organizações Não Governamentais, etc.) 
estão aqui transformando a gestão militar dos imigrantes em oportunidade de investimento 
no campo do lucro. Na atualidade o governo grego, além de estar elaborando um projeto de 
criação de mais quarteis de concentração nas ilhas da fronteira, contratou a empresa 
consultora americana Mc Kinsey, uma das maiores no mundo, para mudar os processos 
necessários para solicitar asilo, e para acelerar as deportações dos refugiados e os 
imigrantes das ilhas.

4. Frente à barbárie dos Estados e os confins (limites), propomos a passagem livre pelas 
fronteiras para todos os que optem por emigrar ou para todos os que se obriguem a fazê-lo. 
Os imigrantes rebelados nos centros de internamento e os que passam as fronteiras para ir 
ao mundo ocidental, resistem a este disparate. Frente a eles está alinhada toda a frente 
da barbárie capitalista. É um assunto de todos os oprimidos, de todas as comunidades de 
luta, enfrentar-se a tais organizações e a suas políticas. É um assunto de todos o 
negar-se os Estados e as fronteiras, o romper as ilusões sobre a caridade, e o liberar a 
todos os que estão detidos acusados de serem seres humanos ilegais. A solidariedade abre 
passos de liberdade quando luta contra a fonte dos desterros, quando propõe a destruição 
de todas as máquinas militares transnacionais que semeiam a morte com "intervenções 
humanitárias" e campanhas antiterroristas, quando propõe a circulação livre dos 
desterrados deste mundo contra as repatriações assassinas. A solidariedade com os 
oprimidos, nativos e imigrantes, é o elo entre nossas lutas. Quando se enfrenta o mundo do 
Poder, abre passos e confere a nossa luta por um mundo sem Estados, fronteiras, papeis e 
patrões, um significado real.

A acabar com o humanismo das deportações e os quarteis. Por um mundo sem Estados, 
fronteiras, papeis (documentação). Solidariedade com os e as imigrantes.

Comunidades de luta anarquistas antiautoritárias autoorganizadas pela solidariedade com os 
imigrantes e os refugiados

O texto em grego:

https://athens.indymedia.org/post/1568265/

O texto em castelhano:

http://verba-volant.info/es/alimos-atenas-manifestacion-contra-la-organizacion-internacional-para-las-migraciones/

Tradução > Sol de Abril

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/01/31/grecia-alimos-atenas-manifestacao-contra-a-organizacao-internacional-para-as-migracoes/


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