(pt) colectivo libertario evora: "CONTRA OS GUARDIÃES DO TEMPLO", POR TOMAS IBAÑEZ

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Quarta-Feira, 1 de Fevereiro de 2017 - 14:38:47 CET


Recuperamos aqui algumas palavras do velho militante anarquista Tomás Ibañez sobre 
intolerância e "pureza dogmática" nos meios anarquistas. ---- O texto tem a ver com as 
experiências que viveu em Itália, França e Espanha, nos anos 60 a 80, mas entre nós também 
esse problema existe e é actual. Entre nós ainda há quem continue a confundir anarquismo 
com esquerdismo e que julgue que deva existir uma varinha mágica ou um comité qualquer 
para distinguir os "bons" dos "maus" anarquistas (os bons seriam eles, claro). ---- O 
pensamento autoritário, jacobino, de que o óptimo só acontecerá quando todos pensarem 
exactamente como nós, está ainda muito presente nalguns meios libertários, muito 
contaminados pelo pensamento religioso, depois adoptado pelas diversas variantes do 
pensamento totalitário, que divide a sociedade em duas categorias estanques: os bons e os 
maus. Os nossos e os outros. Claro, que os nossos  seremos sempre só nós e, mesmo se 
alguém chegado pensar ligeiramente de outra forma, já será suspeito.
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É o caminho irreversível das suspeições, das calúnias, das expulsões e das cisões.
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Para esta forma de pensar, a experiência zapatista não deve ser apoiada porque não é 
claramente anarquista, nem tão pouco o confederalismo de Rojava ou as lutas que se travam 
aqui à nossa beira: nada está à altura da sua "pureza ideológica" e dos seus esquemas 
mentais fechados em torno de ideias-feitas que, espremidas, pouco valem senão a repetição 
de velhos slogans já carcomidos pelo tempo.
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A sua intolerância e dogmatismo, para além de radicarem no velho esquerdismo autoritário, 
são altamente estéreis - quando não destrutivas e paralisantes - para o movimento 
libertário no seu conjunto.
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Diz Tomás Ibáñez (militante libertário):

"... combati durante muito tempo contra os "guardiães do templo" e, com efeito, durante os 
anos da minha militância anarquista mais intensa, desde princípios dos anos sessenta até 
aos oitenta, estes constituíam um problema sério no seio dos movimentos libertários de 
França, Itália ou Espanha para citar apenas os que conheço melhor.
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A sua vontade de preservar a pureza do anarquismo herdado, de evitar qualquer contaminação 
por ideias ou por práticas surgidas fora das suas fronteiras, a sua fé, quase religiosa, 
na superioridade inquestionável do anarquismo, e a sua dedicação na tarefa de velarem pela 
imutabilidade da sua essência, fechava-os num dogmatismo e num sectarismo impróprios de 
qualquer sensibilidade minimamente anarquista.
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As expulsões, as desqualificações, as cisões, não eram, naquela altura, nada raras.
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Hoje a própria força das mudanças esvaziou de energia as tendências sectárias e os 
"guardiães do templo" já não representam nenhum problema, ainda que não seja de mais 
permanecermos atentos a eventuais ressurgimentos de atitudes fundamentalistas."

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2017/01/26/contra-os-guardiaes-do-templo-por-tomas-ibanez/


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