(pt) colectivo libertario evora: (ANARCO-SINDICALISMO) SOLIDARIEDADE TOTAL COM A LUTA DOS TRABALHADORES DOS CTT, GRANDES SUPERFÍCIES E AUTO-EUROPA

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Segunda-Feira, 25 de Dezembro de 2017 - 15:43:06 CET


Três grandes sectores da economia privada em Portugal estão neste momento em luta, com 
greves efectivas ou programadas, em defesa dos postos de trabalho e dos direitos 
adquiridos. São lutas importantes para o movimento operário em Portugal, porque não se 
verificam no sector do Estado (onde, regra geral, os sindicatos oficiais têm as "costas 
quentes") e porque envolvem novos sectores de trabalhadores, dispostos a enfrentarem os 
patrões e, às vezes, as hierarquias sindicais, para garantirem seja os postos de trabalho, 
seja melhores condições, para si, mas também para a sociedade em geral. ---- Mas vamos por 
partes: ---- - A greve dos trabalhadores dos CTT dos últimos dois dias era um imperativo. 
Privatizados pelo anterior governo, a patrões que apenas estão interessados na vertente 
bancária da empresa, o serviço dos CTT tem-se vindo a degradar continuamente, cada vez com 
mais filas nos postos de correio e menos celeridade na distribuição, com menos cobertura 
geográfica e agora - a cereja em cima do bolo - com a ameaça de 800 despedimentos. É pena 
que a greve tenha sido pouco mais que simbólica, com a maior parte das lojas a funcionar e 
com a distribuição de (algum) correio nalgumas zonas. Uma greve destas não pode ter a 
duração de dois dias. Para ser efectiva tem que se arrastar no tempo e causar verdadeira 
mossa. Caso contrário, pouco efeito terá. Mas os sindicatos oficiais, de compromisso com o 
"status quo", pouco mais têm a propor do que acções simbólicas que não mexam como actual 
estado de coisas (os negócios com a "geringonça" assim o exigem".

- As grandes superfícies comerciais e de distribuição, nomeadamente os hipermercados, 
vivem uma situação diferente, com a imensa maioria dos trabalhadores imersos numa absoluta 
precariedade, com horários indefinidos, numa fase de autêntico capitalismo selvagem, sem 
rei nem roque, onde a exploração e a utilização abusiva de mão de obra contratada a 
salários mínimos é a norma. Qualquer luta aqui, ainda para mais nesta época de consumo 
desenfreado, é extremamente difícil e, de facto, tem que ser simbólica, sabendo-se que vai 
atingir apenas uma parcela muito pequena de trabalhadores e expondo os trabalhadores mais 
activos a toda a espécie de represálias por parte do patronato. É uma luta que deve ser 
apoiada a todos os níveis, porque pretende ser simbólica e exemplar, mostrando aos patrões 
do sector, verdadeiros especialistas na arte de explorar à margem de toda e qualquer 
legislação. E uma das formas de apoiarmos é fazermos greve de consumo a este tipo de 
superfícies comerciais enquanto a greve durar.

- Diferente ainda é a situação dos trabalhadores da Auto Europa, com estatuto profissional 
definido e enquadrada contratualmente. Mas também por isso, a recusa dos novos horários de 
trabalho propostos pela administração não deixa de ser significativa. Com uma massa 
operária muito jovem, determinada, à margem dos partidos políticos e das centrais 
sindicais dominantes, decidiram em plenário recusar dois acordos feitos pela Comissão de 
Trabalhadores e afrontar a administração. O primeiro acordo foi celebrado por uma Comissão 
de Trabalhadores próxima do Bloco de Esquerda (é inaceitável esta partidarização dos 
locais de trabalho!) que, por esse facto, se demitiu. Foi eleita uma nova Comissão de 
Trabalhadores com uma composição próxima do PCP (mais uma vez na disputa entre as trutas 
quem se lixa é o mexilhão), que negociou um novo acordo de horários com a administração e 
que, de novo, foi recusado em plenário de trabalhadores. A greve já marcada para o início 
de Fevereiro tem, por isso, um duplo significado: é realizada por trabalhadores 
qualificados, no quadro duma multinacional, contra o acordo estabelecido entre o patronato 
e a comissão de trabalhadores, e decidida em plenário; por outro lado, não tem a ver 
apenas com prémios salariais, mas com tempo livre e a possibilidade de gozar fins de 
semana completos, sem a obrigatoriedade de trabalho aos sábados, mesmo que isso tenha 
alguma compensação salarial. Neste caso, a luta dos trabalhadores tem ainda que se 
confrontar com o facto desta ser uma empresa relevante na economia nacional (enfrentando 
os fantasmas sempre invocados de que "se fizerem muito barulho eles deslocalizam-se para 
outras paragens", ""ganham bem e ainda não estão satisfeitos?", "querem a ruína da 
economia", "cantam de galo porque têm boas condições". "quem dera os outros trabalhadores 
terem estas condições", etc., etc....) e com as estruturas sindicais-partidárias que já 
contestam o direito dos trabalhadores decidirem em plenário as questões da empresa (facto 
raro nos centros de trabalho em Portugal) e querem que sejam os sindicatos unicamente a 
negociarem com o patronato. Como se, eles próprios, fossem donos da vontade dos 
trabalhadores...

Por tudo isto, a solidariedade de classe, anarcosindicalista, com quem luta (sobretudo 
quando afronta os poderes do patronato, das multinacionais, do Estado e das burocracias 
sindicais aliadas ao sistema) deve ser total!

Greve ao consumo nos hipermercados!

Solidariedade com os trabalhadores dos CTT e da Auto-Europa!

L.B. (enviado por email)

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2017/12/22/anarcosindicalismo-solidariedade-total-com-a-luta-dos-trabalhadores-dos-ctt-grandes-superficies-e-auto-europa/


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