(pt) As soluções para a África do Sul: luta de classes e anarquismo por Nkululeko Khubisa (CAAT) By A.N.A.

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Quinta-Feira, 7 de Dezembro de 2017 - 06:24:13 CET


Publicado em "Tokologo: Boletim do Coletivo Anarquista Africano de Tokologo", números 7/8, 
novembro de 2017 ---- A África do Sul está em desordem. Isso está bem claro, mais de 20 
anos após o fim do apartheid. Nós conquistamos muitas coisas. Foi nossa luta que derrubou 
as leis do apartheid e o antigo governo. Mas ainda não somos livres. A corrupção, a 
pobreza, o desemprego, o ódio, a violência, o legado do apartheid fazem todos parte dessa 
desordem. ---- Qual é a solução para a África do Sul? É a luta das massas da população por 
uma sociedade melhor. ---- E o que é necessário para que isso aconteça? ---- Educar! ---- 
A solução é a união e a solidariedade, mas isso significa que precisamos de conhecimento. 
É preciso mobilizar as pessoas e ensiná-las sobre política - uma política verdadeira, não 
o sistema partidário - e esse processo precisa acontecer em todas as camadas.

Se a classe trabalhadora e os pobres fossem informados, alertados e tomassem conhecimento 
sobre o que realmente está acontecendo ao seu redor - e o porquê e como consertar isso -, 
eles iriam fazer algo a respeito. E sua ação seria direcionada aos lugares certos, não 
seria desperdiçada, nem reprimida pelos políticos e patrões.

As pessoas precisam conhecer os conceitos mais importantes, entre eles o "capitalismo", o 
"Estado", a "classe dominante", o "imperialismo" e a importância da "luta de classes". 
Entender sobre esses assuntos nos permitirá identificar o verdadeiro inimigo. Conhecimento 
é uma ferramenta para ser usada contra o opressor. Precisamos entender qual a melhor forma 
de reagir.

O inimigo

O capitalismo é um sistema que se baseia no uso de dinheiro, pagando um salário aos 
trabalhadores para a produção (como comida, roupas) ou para a realização de serviços (como 
limpeza), que são vendidos pelos empregadores (patrões) para gerar mais dinheiro: em 
outras palavras, lucro. O lucro acontece pois os trabalhadores trabalham mais do que são 
pagos.

O capitalismo coloca o lucro na frente das necessidades, um sistema instável e 
extravagante. É por isso que nos encontramos em uma crise, com escassez de empregos. 
Instituições capitalistas incluem empresas privadas, como a Lonmin (mineração), e empresas 
estatais, como a ESKOM (eletricidade), administradas por gestores privados ou públicos.

O Estado - o governo - também faz parte do corrompimento do capitalismo. No topo do Estado 
estão os políticos, parlamentares, funcionários de alto escalão do governo, chefes de 
departamento, prefeitos, secretários municipais, diretores, generais, gestores públicos, 
entre outros. Essas pessoas (gestores estatais e gestores públicos) têm poder, privilégios 
e controlam grande parte da produção, administração, impostos e armamentos. Os meios de 
produção (fábricas, equipamentos, matéria-prima) controlados ou influenciados pelo Estado 
não são mantidos diretamente pelo governo (como ferrovias ou a ESKOM). Também se incluem 
aqui os meios de produção além do governo, influenciados por grandes participações em 
empresas privadas (participações governamentais na Lonmin), parcerias (TELKOM), 
contratação (construção de casas pelo RDP - Programa de Reconstrução e Desenvolvimento) e 
legislações.

O Estado apoia o capitalismo, já que este o beneficia e ambos trabalham juntos. O Estado 
aparenta ser neutro, mas não é. Governos não trazem a libertação, eles oprimem a classe 
trabalhadora e os pobres. Patrões e gestores estatais formam a classe dominante de um país.

O imperialismo é um sistema no qual a classe dominante se expande para controlar outras 
áreas e países diretamente (através de invasões e violência) ou de maneira mais velada 
(através de práticas comerciais ilegais, acordos, ameaças, entre outros meios). Classes 
dominantes locais podem colaborar - ou resistir - ao imperialismo, mas também serão sempre 
opressoras.

Classe dominante x Classe trabalhadora

A classe trabalhadora é aquela contra a classe dominante, contra a exploração, a pobreza, 
o autoritarismo, a escassez, os preços elevados e a segregação e o ódio entre as massas.

A luta da classe trabalhadora é a única maneira de derrubar o capitalismo e o Estado. 
Nessa classe estão todos aqueles que NÃO detêm ou controlam os meios de produção ou o 
poder administrativo e os meios violentos do Estado. Engloba os pobres e desempregados, e 
é mundial.

Nós somos dominados, porque não temos informação. A verdade está encoberta pelo sistema. 
Também precisamos ter conhecimento de que parte crucial do capitalismo é que o Estado nos 
divida e nos reprima - a classe trabalhadora que é maioria. Isso é feito através de 
xenofobia, partidos políticos, desemprego, insegurança no trabalho, racismo, sexismo, a 
maneira como os locais de trabalho funcionam, etc.

Mas se lutarmos contra esses fatores e nos tornarmos unidos e determinados, podemos 
derrotar o sistema opressivo e nos libertar de suas amarras. Então conseguiremos construir 
um novo mundo.

Mobilização, autogestão

Nossa solução está no anarquismo. Temos que construir organizações com características de 
capacitação das comunidades de classes trabalhadoras, de cooperação e mobilização, de 
autogestão e independência das classes - e devemos ter uma estratégia (plano de ação). 
Esse é o anarquismo de massas. Essa estratégia foca na organização da classe trabalhadora 
como via para a revolução e uma nova sociedade. Isso significa desenvolver conhecimento 
desde os níveis mais básicos, levando ideias anarquistas às massas, usando democracia 
direta, conselhos, representantes. Também precisamos unir anarquistas dentro de 
organizações políticas "específicas" para trabalharem entre as massas.

Devemos acabar com as discussões hierárquicas e as decisões tomadas por nós, as regras das 
elites, o sistema que oprime e explora. Vamos substituí-los pelo poder de pessoas reais. 
Para isso precisamos de união e solidariedade.

O caminho é o anarquismo!

Fonte: 
https://zabalaza.net/2017/10/21/the-way-forward-for-south-africa-class-struggle-and-anarchism/

Tradução > Tradução > Amanda Laet (linkedin.com/in/amanda-laet-8733ba114)


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