(pt) Coordenação Anarquista Brasileira Luta Social #2 - MEMÓRIA

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Sábado, 19 de Agosto de 2017 - 07:39:07 CEST


Entre as principais reivindicações era exigido a regulamentação das horas de trabalho, do 
trabalho da mulher e dos menores, a reformulação do regime interno das empresas, salários 
menos reduzidos mediante a suspensão de multas e das contribuições pró-pátria, além de 
melhora de moradias e transporte. Lutavam pela liberdade de associação, de reivindicação e 
de protesto e por segurança no trabalho. ---- Em julho, cresce o número de fábricas em 
greve, com destaque ao Cotonifício Crespi, que tinha ampliado a jornada de trabalho sem 
correção salarial. Uma das reivindicações é justamente o aumento salarial, que é negado 
pela patronal. ---- A fábrica entra em greve e, em seguida, é convocada uma manifestação 
que foi duramente reprimido pela polícia - como aconteceu com diversos outros movimentos 
que estavam ocorrendo na cidade. Como consequência da repressão, no dia 09 de julho de 
1917, é assassinado o sapateiro anarquista de origem espanhola, José Martinez. O seu 
enterro constituiu um ato político de resistência. Comparecem milhares de pessoas que 
caracterizaram aquele momento como uma manifestação de repúdio à ação do governo, da 
polícia e dos patrões.

No mesmo 09 de julho, é criado o Comitê
de Defesa Proletária (CDP)1 para unir as reivindicações
de todos os trabalhadores que estavam em
greve e estreitar laços de solidariedade. Várias lideranças
do movimento fazem parte desse Comitê,
como Edgar Leuenroth. Mesmo com algumas
reivindicações atendidas, o movimento cresce e a
luta se volta para o atendimento da integralidade
das demandas, bem como em solidariedade aos
que ainda não haviam alcançado êxitos expressivos
ou estavam sofrendo perseguição. Nesse
momento, a greve contava com cerca de 45 000
pessoas no movimento paredista.

O Comitê se nega a negociar diretamente
com a patronal e uma comissão formada por
órgãos da imprensa é criada para intermediar as
negociações. Depois de um longo e duro processo
de luta, todas as reivindicações do movimento
são aceitas. Ainda que muitas delas tenham sido
desrespeitadas nos anos seguintes e com muitos
trabalhadores presos e deportados, a primeira
Greve Geral do Brasil influenciou vários outros
movimentos posteriores; tais como a insurreição
operária ocorrida no Rio de Janeiro em 1918 e os
movimentos grevistas em larga escala ocorridos
na Bahia em 1919, por exemplo.
Os movimentos da época que remetem
ao Sindicalismo Revolucionário foram
fundamentais para criar uma cultura de participação
e organização no proletariado urbano
de todo país. Os direitos conquistados por
meio de muita luta só se tornaram leis pelo
histórico de reivindicações que as antecedeu.
Nenhum direito foi concedido, todos foram garantidos
através da organização e da luta dos
trabalhadores e trabalhadoras. Frente a atual
situação de ataque aos nossos direitos, vivenciada
no país, é necessário buscar inspiração na
luta daqueles que nos antecederam, portanto:
Organizemos outra greve geral! Cem anos nos
separam, mas os ideais permanecem vivos e se
fazem atuais através das nossas lutas!

http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/wp-content/uploads/2017/08/Luta-social-n2-A2-FINAL-v2-1.pdf


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