(pt) Coordenação Anarquista Brasileira [CAB] LIBERÁCION DE LA MADRE TIERRA - REPRESSÃO NA COLÔMBIA

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sábado, 12 de Agosto de 2017 - 08:41:15 CEST


[Liberación de la Madre Tierra] No momento, à beira de se iniciar o Encontro Internacional 
de Libertadores e Libertadoras da Mãe Terra, a ESMAD (Esquadrão Móvel Antidistúrbios da 
polícia) atacou o processo de libertação em Quebradaseca, lugar que foi preparado pela 
comunidade indígena durante semanas para receber todas as pessoas convidadas e os 
palestrantes e agora está sendo incendiado e destruído pelos policiais. ---- Este é um 
sinal claro de sabotagem por parte do Estado e proprietários de terras na área, juntamente 
com os ataques das últimas semanas onde dois companheiros foram feridos por estilhaços de 
bombas. ---- Chamamos à solidariedade todos os lutadores e lutadoras do país para 
continuar e aumentar o apoio ao processo de libertação e democratização de terras que está 
ocorrendo no norte do Cauca.

O ESMAD já se retirou do local, destruiu as barracas construídas pelos libertadores e 
destruiu a comida que tinham sido enviadas para o evento. Claro sinal de sabotagem e 
obstrução de um processo que vai aumentando a sua força.

Viva a libertação e democratização da Mãe Terra.

Fonte: 
https://www.facebook.com/vialibre.grupolibertario/?hc_ref=ARQkJHvGns1jN6HRf-7MlgDT1QA1aufAxa2d9Z4q387SrSkSg3e9rgEldm3n6LMgJKc&fref=nf#

***
Nota publicada em saudação ao evento que estava sendo organizado e que acabou sendo 
reprimido pelas forças do Estado a mando de especuladores de terras...

América Latina es el centro mismo de esta nueva etapa del movimiento mundial de la 
sociedad contra el capitalismo colonial/moderno.

Aníbal Quijano

Quanto mais, dia após dia, nós, os de baixo, nos organizamos, mais e mais nos aproximamos 
de nosso objetivo de mudança radical, construído pelas nossas próprias mãos. Livrando-nos 
desse sistema perverso que os governos, o capitalismo e o Estado têm desenhado para nós.

Mas, se os de cima desenham nosso horizonte, façamos então a nossa pichação sobre esse 
desenho, com nossa luta e resistência, apesar do momento em que acirram os conflitos pelo 
direito à terra no Brasil, na Colômbia e em toda América Latina. A luta pela terra, por um 
pedaço de chão para morar, produzir e viver espacializa-se por toda Amazônia 
Internacional. Desde o IIRSA, que cortou de leste a oeste o continente, impactando 
inúmeras comunidades desterritorializando-as; passando pelas barragens que secam os rios 
mais caudalosos e ricos em vida; os projetos mineralógicos sugando o solo e destruindo 
comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Tudo isso desenhado para o desenvolvimento.

Desenvolvimento esse que é fruto do capitalismo colonial/moderno e da globalização 
neoliberal que esmaga as tradições dos povos originários de toda floresta amazônica. O 
latifúndio no campo aumenta e condiciona o camponês obrigando-lhe a fugir de sua terra, 
pressionado pelo agronegócio e pela pistolagem. Enquanto isso, nas grandes cidades e 
centros econômicos e comerciais amplia-se a concentração de renda nas mãos de poucos, não 
é dado o direito a habitação com dignidade na maioria das aglomerações urbanas 
latino-americanas, gerando bolsões de pobreza pela carestia de vida, pelas péssimas 
condições de saúde. Fatores que são orientados pelos setores empresariais e impulsionados 
pelo capital.

Nossos povos originários nos mostram que apenas resistindo e lutando contra essas forças 
hegemônicas é que almejaremos a transformação social. Um exemplo disso está na Colômbia, 
onde existem 87 povos originários reconhecidos e tantos outros mais ainda lutam pelo 
reconhecimento ao direito ancestral aos seus territórios. No Brasil, temos a luta pela 
autoafirmação dos povos indígenas e também das comunidades quilombolas. A autodemarcação 
de suas terras é prática de ação direta, tomando para si e tirando dos governos e do 
Estado a primazia de dizer quem tem o direito à terra.

É com esse sentimento de transformação, desde de baixo, que a Coordenação Anarquista 
Brasileira (CAB) saúda o Encuentro Internacional de Liberadoras y Liberadores de La Madre 
Tierra fruto do Proceso de Liberacíon de La Madre Tierra. Esta iniciativa mostra que 
autogestão, independência econômica e ação direta são princípios práticos que podem nos 
ajudar no caminho da transformação social.

Para libertar a Madre Tierra é necessário libertar o pensamento, descolonizando, retomando 
as maneiras e práticas dos povos originários, tecendo com linha de resistência nosso manto 
de luta, de todos os oprimidos de nossa imensa Amazônia da Colômbia ao Brasil e de toda 
América Latina.

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)


Mais informações acerca da lista A-infos-pt