(pt) [Chile] Repressão e revolta na Venezuela: Mão estendida ao/à companheirx, punho cerrado ao inimigo

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Quinta-Feira, 10 de Agosto de 2017 - 06:54:04 CEST


Desde há mais de três meses que se estão a desenrolar protestos massivos contra o governo 
socialista de Nicolás Maduro, na Venezuela. ---- Mais de cem mortxs e centenas de 
manifestantes detidxs e torturadxs às mãos da polícia venezuelana é o saldo atual da 
agitação nas ruas que tem ocupado a agenda política na região latino-americana e para além 
dela, inclusive. ---- O conflito social que se agudizou na Venezuela tem uma série de 
arestas, interessantes de abordar para todxs aquelxs a quem interessa propagar as 
hostilidades contra toda as formas de governo e poder. Podemos encontrar, entre elas, pelo 
menos duas variáveis: ---- 1 - A hipocrisia dos Estados democráticos que através da 
Organização dos Estados Americanos pressionam para se intervir na Venezuela perante "as 
graves violações às liberdades das pessoas" por parte do governo. Como se nos seus 
próprios territórios, Estados como EUA, México, Colômbia e Chile existisse liberdade e 
respeito aquilo a que na linguagem do poder chamam "direitos humanos".

2 - A campanha da esquerda internacional que, em apoio ao governo de Nicolás Maduro, 
cataloga xs manifestantes como simples titeres ou agentes que fazem o jogo dos interesses 
da oposição, principalmente a da direita, agrupada na Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Ambos os discursos interactuam no conflito - tentando modelar a opinião sobre o que estará 
a ocorrer na Venezuela - dentro e fora das fronteiras do país.

Para nós, o que nos parece importante é estender uma mão de solidariedade (ainda que seja 
à distância) aquelxs companheirxs anárquicxs/ anti-autoritárixs que nas ruas estão a tomar 
parte no combate contra o governo.

Lado a lado com milhares de jovens que se levantaram, decidindo não serem apenas 
espetadorxs do que sucede perante os seus olhos,  passando à ação ofensiva contra a 
polícia, os quartéis e tudo o que cheire a governo e repressão.

É um facto que a revolta em curso não tem uma notória projeção anti-estatal. Também é 
verdade que nas ruas se encontram uma diversidade de posicionamentos e discursos. Mas 
também é um facto concreto - como companheirxs anárquicos já assinalaram na Venezuela - 
que grande parte da juventude e das pessoas que saem à rua a atirar cocktails molotov à 
polícia e que queimam quartéis e edifícios do governo, não formam nem lhes interessa 
formar parte da Mesa de Unidade Democrática nem da oposição política oficial de direita.

Trata-se de uma rebelião que se prolongou por mais de três meses e cuja "condução" não 
pode ser atribuída à direita, tratando-se antes de vontades diversas, em muitos casos 
jovens sem partido algum.

Estamos em sintonia com aquelxs que a partir da autonomia e do calor das barricadas e 
cocktails molotov estão a propagar ideias anti-estatais/anti-autoritárias, na conjuntura 
específica de luta contra o governo atual.

No território devastado pelo Estado Chileno, companheirxs anárquicxs têm participado - ao 
longo das décadas mais recentes - em manifestações massivas, ao lado de movimentos sociais 
com os quais temos maiores afinidades, sempre com o objetivo de ir em busca e de gerar 
possibilidades para atacar a polícia e propagar a destruição da infra-estructura urbana do 
capital e do poder.

Pela nossa experiência, sabemos que na luta nas ruas nem sempre temos ao lado pessoas 
completamente afins - mas temos sempre presente, de forma clara, quem são xs nossxs 
irmãos/irmãs e cúmplices, com xs quais compartilhamos objetivos em comum, transbordando os 
limites dos protestos que procuram trocar uma lei por outra, um governo por outro, um tipo 
de Estado por outro, etc.

Com propaganda, com organização, com fogo e gasolina, a liberdade vai abrindo etapas nas 
nossas vidas. Não há outra forma.

Como anárquicxs anti-sociais não nos interessa saudar o "povo" ou "xs pobres" da 
Venezuela. A nossa fraternidade e solidariedade está com xs anárquicxs e xs rebeldes 
autónomxs levantadxs na rebelião da Venezuela, xs quais apesar dos assassinatos, dos 
encarceramentos e das torturas dos governos socialistas, continuam a lutar e a incendiar a 
realidade com a cabeça erguida e fogo nas ruas.

NEM ESQUERDA NEM DIREITA!
NEM DEMOCRACIA NEM DITADURA!
CONTRA TODOS OS GOVERNOS!
PROCURA QUE VIVA A ANARQUIA!


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