(pt) [Grécia] Trabalhadora na rede de supermercados Karypidis se suicida após 15 meses sem receber By A.N.A.

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Sábado, 5 de Agosto de 2017 - 06:57:30 CEST


Texto da Iniciativa Libertária de Tessalônica, publicado em sua página web, por causa do 
suicídio de uma trabalhadora na rede de supermercados Karypidis, após quinze meses sem 
receber seus salários. Faz uns dias a Iniciativa realizou uma ação de protesto fora de um 
dos supermercados da empresa em Tessalônica. Notamos que esta concentração foi a única 
reação coletiva realizada após o suicídio-assassinato da trabalhadora. ---- Não nos 
acostumaremos à morte. Lutaremos pela vida. ---- Na terça-feira, 11 de julho de 2017, uma 
mulher de 42 anos, trabalhadora na rede de supermercados "Karypidis" na cidade de 
Giannitsá, pôs fim a sua vida. A trabalhadora estava a 15 meses sem receber seus salários. 
O trabalho sem receber durante muito tempo e o estado de indigência no qual se encontrava 
por causa disso, a conduziram ao suicídio.

A empresa "Karypidis" tem uma longa tradição em fraudes, arbitrariedade e exploração dos 
trabalhadores. Para começar, em 2004 os irmãos Karypidis compraram a rede de supermercados 
"Arvanitidis" que corria o perigo de fechar por causa de suas enormes dívidas ao Fundo de 
Seguridade Social dos Trabalhadores. Uma vez completada a transação da rede, a dívida dos 
donos anteriores ao Fundo, que chegavam aos 18.250.000 de euros, foram "presenteadas" ao 
devedor, com a intervenção direta do ex-secretário do Fundo de Seguridade Social, R. 
Spyrópulos. Queremos assinalar que Spyrópulos foi absolvido por um tribunal desta 
"iniciativa". Com a assinatura do contrato de franquia entre Karypidis e 
Carrefour-Marinopoulos (caducou em fevereiro de 2016), Karypidis entrou forte no mercado 
sob o nome de "Carrefour-Marinopoulos", com o fim de recuperar a confiança perdida ante 
seus provedores quando a rede de supermercados funcionava com o nome "Karypidis".

Em princípios de 2017 a empresa entra na lei de insolvência, com o fim de adiar sua quebra 
iminente. Não obstante, segue lucrando, deixando de pagar aos trabalhadores, valendo-se de 
várias desculpas para desorientar, como a necessidade do saneamento e da "racionalidade" 
da empresa, pondo a culpa na Direção anterior da empresa (quando era chamada 
"Arvanitidis"), chegando inclusive a pôr a culpa da má situação econômica da empresa nos 
sindicatos dos trabalhadores!

Neste momento os 1.400 trabalhadores da rede de supermercados "Karypidis" estão até 19 
meses sem receber seus salários. Seus postos de trabalho não estão assegurados. Estão em 
um estado que oscila entre o cativeiro e o desemprego. Não recebem o subsídio por 
retenção, nem tem direito a receber o subsídio por desemprego. A Ordem Presidencial sobre 
a transferência dos supermercados a outras empresas (por exemplo, Discount Market, 
Masoutis, Market Inn, etc.) não se cumpriram. Na semana passada, depois de haver recorrido 
à via judicial, a patronal, o tribunal supremo sentenciou que se a patronal de uma empresa 
não pagou os salários de seus trabalhadores durante muito tempo, isto não contribui com a 
piora das condições laborais, confirmando uma vez mais que a Justiça tem caráter de 
classe. Se põe do lado dos poderosos, dos opressores e dos exploradores: Este é seu trabalho.

A exploração extrema que estão sofrendo os trabalhadores nos supermercados "Karypidis" se 
combina com a fraude deles. O governo critica a atitude dos irmãos Karypidis, tratando de 
reparar seu perfil esquerdista, que estava íntegro até as eleições mas se estragou depois 
delas, ao mesmo tempo que contribuiu com a continuação do empobrecimento da maioria da 
sociedade, votando uma série de leis anti-obreiras que estão em concordância com as 
exigências do Capital local e internacional. Se tapa os ouvidos ante as reivindicações dos 
trabalhadores da empresa que estão em greve, ou trata de impedir suas mobilizações, seja 
com reuniões com seu chefes sindicais ou usando as chamadas forças antidistúrbios contra eles.

A Idade Média laboral imposta constitui o resultado das políticas que conduzem ao 
empobrecimento dos de baixo, tal como o requer a reestruturação do Capital, realizada de 
uma maneira violenta. Os calabouços laborais vão ocupando cada vez mais espaço na 
realidade laboral moderna. As jornadas laborais exaustivas, as horas de trabalho não 
pagas, o trabalho precário e intensificado (e majoritariamente sem seguridade social), 
assim como a ausência de medidas de segurança, por um lado aniquilam os trabalhadores 
diariamente, ao mesmo tempo que os patrões seguem lucrando, e por outro lado estão se 
escalonando, chegando a níveis extremos com o fato vergonhoso dos assassinatos de 
trabalhadores e trabalhadoras.

Os que falam de incidentes isolados e não interconectados, e da má sorte dos 
trabalhadores, não querem ver a essência do problema. Esta essência é inata ao 
capitalismo, é a barbárie do Capital que se reproduz tirando mais valia do trabalho humano 
e degrada nossas vidas. Ao mesmo tempo a patronal fala de acidentes trabalhistas, pondo a 
culpa nos trabalhadores. Para nós estes fatos são claramente assassinatos dos quais os 
responsáveis são os patrões. O lucro dos patrões não leva em consideração a vida humana, 
daí a falta ou a deficiência das medidas de segurança nos locais de trabalho.

Na quinta-feira 13 de julho de 2017 realizamos uma intervenção, distribuindo folhetos e 
jogando tinta à loja Discount Market no bairro de Xirokrini, que pertence aos irmãos 
Karypidis, tratando de manifestar a responsabilidade direta dos patrões da rede de 
supermercados do suicídio da trabalhadora de 42 anos na cidade de Giannitsá. Enquanto não 
nos organizamos e não contestemos a pobreza, enquanto nos afundamos no desespero em vez de 
lutar, contaremos os mortos de nossa classe.

É imperativa a necessidade de organizar um sindicalismo de base combativo e duro para 
deixar de sermos arrastados pelos patrões, sejam pequenos ou grandes, e pelo sindicalismo 
do consentimento burocrático, submetido ao Regime, que assina a paz com nosso inimigo de 
classe. Coloquemos na frente os interesses dos trabalhadores e tomemos a vida em nossas 
mãos, sem hierarquias, mediações e paternalismos. Preparemos greves gerais indefinidas, 
conectando-as com uma proposta revolucionária cujo objetivo seja a emancipação pessoal e 
coletiva, o fim da exploração do homem pelo homem, e a autogestão social.

Não nos acostumaremos à morte. Lutaremos pela vida e pela emancipação de todos os humanos, 
através de formações sociais e de classe auto-organizadas.

Iniciativa Libertária de Tessalônica, membro da Federação Anarquista


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