(pt) Coletivo Anarquista Bandeira Negra CABN: O Coletivo Anarquista Bandeira Negra volta a atuar na Grande Florianópolis

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Sexta-Feira, 4 de Agosto de 2017 - 08:58:59 CEST


Nossa organização surgiu em Desterro no ano de 2011, inspirada pelas experiências do 
anarquismo especifista da Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e do Fórum do Anarquismo 
Organizado (FAO), atual Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). Foi, também, fruto da 
luta de anarquistas que dedicaram seus esforços nessas terras antes de nós e plantaram 
sementes de rebeldia. De 2011 a 2014, nossa militância anarquista atuou na região na luta 
pelo transporte público, na luta por moradia popular, no movimento comunitário, na luta 
feminista, movimento estudantil e sindical. ---- Nessa curta trajetória em Florianópolis, 
lidamos com graves casos de violência de gênero por parte de ex-militantes na cidade, 
entre elas um caso de agressão física e outro de estupro, além da deslegitimação de 
companheiras militantes e posturas opressoras nos relacionamento pessoais. Esses casos 
trouxeram à tona o despreparo da organização de lidar com essas situações, particularmente 
em um núcleo que tinha predominância de militantes homens, onde a questão de gênero não 
era tratada como uma pauta central. Em meio a essa situação, a militância de Florianópolis 
se desligou do CABN, organização que manteve a atuação em Joinville.

O machismo se reproduz de forma estrutural na sociedade, o que demanda uma postura 
combativa, seja na organização política que construímos, em nossos espaços de atuação e 
também em nossas posturas pessoais, em âmbito público e privado, entendendo a violência de 
gênero como uma questão política sobre qual devemos nos posicionar e atuar coletivamente. 
Nossos passos devem ser coerentes com nossos princípios, por isso não silenciaremos sobre 
a violência estrutural contra as mulheres e quaisquer pessoas que não reivindicam a 
masculinidade hegemônica e heteronormativa.
Desde 2014, companheiros e companheiras de ambos os núcleos buscam fazer autocrítica desse 
período e avançar nossa política na questão feminista, no estilo militante, em nossa 
organicidade e confiança interna. Realizamos um balanço dos problemas acumulados até 2014, 
criamos instâncias para lidar com situações similares e avançamos em nossos materiais de 
ingresso e formação, tentando fazer com que esses debates sejam constantes em nosso meio.
Nesse período, companheiras e companheiros com atuação cotidiana nos movimentos populares 
trouxeram uma nova vida para esse projeto de construir uma organização anarquista de 
intenção revolucionária. Entendemos que, agora, alcançamos o momento de refundar o Núcleo 
Grande Florianópolis do Coletivo Anarquista Bandeira Negra!
Grande Florianópolis
Muitos fatores demonstram a importância de atuar nessa localidade para nosso projeto de 
transformação social. Essa região metropolitana inclui a capital do Estado e cerca de 1 
milhão de habitantes. Ela é palco de extrema desigualdade e violência, exposta em cada 
morador de rua do Centro; cada pessoa idosa que carrega as compras pela escadaria morro 
acima; cada pescadora que viu o rancho ir ao chão pelo trator da Álamo, Hantei ou da 
Habitasul; desigualdade e violência expostas em cada ônibus lotado na fila da ponte e cada 
outdoor escrito em inglês na SC-401, vendendo nossas terras e nossas vidas para os 
investidores. É a região que vende uma imagem de destino turístico para gays com dinheiro, 
mas que fecha os olhos para as demandas das pessoas trans, das lésbicas e gays pobres, 
mesmo quando vimos o assassinato de uma mulher trans e de um homem gay no último ano, 
assim como diversas denúncias de agressão contra essas pessoas. Região que não tem 
políticas básicas como abrigos ou banheiros públicos, mas que tem relatos quase diários de 
violência das Guardas Municipais e da Polícia Militar contra a população em situação de 
rua. Uma geografia marcada pelo elitismo desde que os cortiços foram derrubados no Rio da 
Bulha, atual Avenida Hercílio Luz, dando origem às primeiras favelas no Morro da Cruz.
Mas é também território de lutas históricas e de resistência. Território onde seis aldeias 
indígenas resistem ao genocídio de 517 anos. Território onde o povo negro resiste em pelo 
menos quatro quilombos, assim como na organização comunitária do Morro da Cruz, na memória 
da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Negros e também em cada uma das várias 
batalhas de rap que tomaram a cidade nos últimos anos. Território onde os imigrantes do 
interior do Estado buscaram vida digna, enchendo o continente de ocupações por moradia no 
final dos anos 80 e início dos anos 90. Território onde a juventude perdeu a paciência com 
a exploração privada do transporte público e instigou duas verdadeiras revoltas populares, 
as Revoltas da Catraca de 2004 e 2005. Episódios que usaram das ruas, barricadas, pedras e 
chamas para consolidar uma nova cultura política rebelde e uma geração de militantes por 
todo o país.
Criar um povo forte
Nos últimos anos, essa rebeldia continuou presente nas lutas dessa região. Prestamos 
respeito e cerramos punhos junto à nova onda de ocupações por moradia que se levantou a 
partir de 2012; às experiências de resistência nas greves do funcionalismo público; às 
ocupações protagonizadas pelo movimento estudantil secundarista e universitário; ao 
crescimento de marchas e ações da luta feminista; à resistência contra a violência 
policial nos morros e comunidades; à organização da população em situação de rua como 
sujeito ativo nas reivindicações da região; assim como ao chamado das ruas contra os 
ataques aos direitos das oprimidas e oprimidos. É verdade que ainda somos uma força mínima 
frente aos inimigos que queremos enfrentar, mas nos colocamos junto a tantos setores que 
reconhecemos em resistência, olhamos com vontade e dedicação para o horizonte que buscamos 
e sabemos quais ombros queremos lado a lado aos nossos.
Nossa corrente anarquista acredita que o combate ao capitalismo, às opressões e ao Estado 
é tarefa do povo organizado através de seus movimentos sociais e entidades, é dele que 
surgirá força social para a ruptura revolucionária. É tarefa de toda e todo anarquista 
construir junto ao povo oprimido da qual faz parte, atuando como elemento que instiga a 
revolta e defende em seu seio a independência de classe, a ação direta, o combate às 
opressões, a autogestão e o internacionalismo.
Cabe à organização política o papel de produzir análise de conjuntura desde o ponto de 
vista libertário, produzir teoria coerente com nossos objetivos, realizar formação 
política, fazer agitação e propaganda anarquista. Mas nossa tarefa principal é articular 
forças militantes em cada espaço de resistência e construir coletivamente uma estratégia 
comum de intervenção, um caminho anarquista que aponte para a revolução social e para o 
Poder Popular. Convidamos cada companheira e companheiro interessado nesse projeto para 
somar forças nessa caminhada.
ORGANIZAR A REBELDIA QUE VEM DE BAIXO!
PELO SOCIALISMO LIBERTÁRIO!
Julho de 2017,
Coletivo Anarquista Bandeira Negra
ca-bn  riseup.net

https://www.cabn.libertar.org/o-coletivo-anarquista-bandeira-negra-volta-a-atuar-na-grande-florianopolis/


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