(pt) [Polônia] Manifestação antifascista reúne centenas de pessoas em Poznan. O nacionalismo não passará! By A.N.A.

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Sábado, 22 de Abril de 2017 - 08:51:12 CEST


Em Poznan, no sábado, 8 de abril, sob o mote "O nacionalismo não passará", foi organizado 
um protesto contra a crescente onda de violência fascista, racista e homofóbica na 
Polônia. A manifestação foi apoiada por estrangeiros que vivem na cidade, organizações 
feministas, LGBTQIA, acadêmicos e vários grupos anarquistas. Aproximadamente 1000 pessoas 
participaram do protesto. Pelo menos 7 pessoas foram detidas. Houve registro de atritos 
entre antifascistas e nacionalistas. A seguir, texto distribuído na manifestação. ---- Nos 
últimos anos, uma onda de nacionalismo, racismo e xenofobia inundaram a Polônia. O 
crescimento da popularidade dessas ideias, apoiado pelo partido no poder[capitaneado por 
Jaroslaw Kaczynski, líder do partido Lei e Justiça, conservador, nacionalista], tem se 
fortalecido a cada mês. Cada vez mais, se escuta sobre ataques baseados na etnicidade e 
religião, onde quer que se vá é possível ver pessoas vestindo camisetas com propaganda 
sobre assassinar inimigos da nação, e notícias anti-refugiados se tornaram regra na mídia. 
Em 2015, o número de crimes racistas reportados cresceu 20% comparado com o ano anterior. 
Houveram 954 v&iac ute;timas, em sua maioria judeus (154), muçulmanos (140), e Ciganos 
(140). A maioria dos poloneses são contra a presença de africanos em seu país, 62% pensam 
que a presença de árabes não é benéfica e 52% não querem ver turcos na Polônia.

O nacionalismo é um problema para todos nós. Não apenas diz respeito a pessoas 
não-brancas, que são atacadas nas ruas todos os dias. Não é apenas sobre os estudantes 
estrangeiros, que tem medo de sair de seus dormitórios. Não diz respeito apenas sobre 
migrantes, explorados e tratados como escravos por seus patrões. Não é apenas sobre 
pessoas de diferentes religiões, que são consideradas terroristas em potencial. Não é 
apenas sobre mulheres, que são objetificadas e consideradas incapazes pelos fanáticos 
conservadores da grande Polônia branca, que apoiam as ideias do atual governo sobre 
estreitar as leis de aborto, acesso ao controle de nascimento e educação sexual. O 
nacionalismo diz respeito a todas as pessoas que em qualquer hipótese não se encaixe na 
descrição do homem polonês ideal e a esposa polonesa perfeita. O nacionalismo sempre segue 
o chauvinismo, o racismo, o fascismo e outras formas de exclusão, violência e exploração, 
e acreditar em uma forma positiva de nacionalismo é simplesmente acreditar em uma mentira 
que foi consistentemente criada para cobrir a face real dos nacionalistas.

O nacionalismo é uma ideologia que serve aos ricos, e que os permite a usar os pobres para 
se tornarem ainda mais ricos. O nacionalismo cria divisões e hierarquias entre as pessoas, 
e as manipula de acordo com as regras de dividir e conquistar. Estudantes, trabalhadores e 
pensionistas começam a agir uns contra os outros e não contra a autoridade e outros que 
são responsáveis por seus problemas: pobreza, exploração, a qualidade da educação e o 
acesso ilimitado a isso.

O nacionalismo pinta uma fotografia falsa do passado que é necessária para o governo 
conservador, porque torna possível para eles afastar a possibilidade de um debate honesto 
sobre o passado, assim como diálogos sobre o presente. A sociedade é alimentada por mitos 
e aniversários históricos. As pessoas são obrigadas a cantar irrefletidamente o hino 
nacional e repetir lemas memorizados. Organizações nacionalistas radicais e fascistas se 
encaixam perfeitamente neste tipo de realidade, apenas querem espancar as pessoas e não 
pensar independentemente.

O desfile do ódio organizado pelos militantes do Mlodziez Wszechpolska["Juventude 
Polonesa", organização de extrema-direita de caráter nacionalista e filosofia católica]em 
Poznan é apenas um dos exemplos da imprudência e da ignorância de seus membros. A 
organização responsável por introduzir os "bancos-guetos"[segregação oficial introduzida 
na Polônia para separar estudantes judeus]não pode se referir ao ethos acadêmico, eles não 
têm direito de ameaçar estudantes e trabalhadores da universidade e eles não têm 
absolutamente nenhum direito de atacar pessoas indefesas e destruir as iniciativas criadas 
por elas.

Nós não vamos permanecer passivos observando as agressões racistas e nacionalistas! Nós 
somos contra a inclusão de membros de organizações abertamente nacionalistas no debate 
público! Não vamos debater com racistas! Nos opomos a esta ideologia do ódio! Apenas 
quebrando os limites nacionais que seremos capazes de construir comunidades justas e 
igualitárias!

O nacionalismo não passará!

Galeria de imagens (mais de 100 fotos!):

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Tradução > Yanumaka


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