(pt) [Paraguai] Sobre os distúrbios em Assunção By A.N.A.

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Quinta-Feira, 20 de Abril de 2017 - 09:20:45 CEST


Na sexta-feira 31 de março, apesar dos sentimentos opostos e a confrontação interior que 
tínhamos, frente a pergunta que nos fazíamos entre compas e a nós mesmos como anarquistas: 
O que nos importa a Constituição¹? A crise política? Mas os acontecimentos se encarregaram 
de nos dar um jurupete². ---- Nós, como muitos outros, fomos surpreendidos pela espontânea 
explosão de raiva e enfastiamento de um povo tão manso e acostumado à passividade, mas já 
cansado, que perdeu o medo aos gases e às balas de borracha, que estravasou e desatou suas 
paixões mais selvagens, apesar dos chamados à calma e à manifestação pacífica por parte de 
senadores e lideres partidários. Contudo, o povo os ignorou e descobriu o que é capaz de 
fazer por si mesmo, queimar um congresso não é para q ualquer um.

No meio do conflito, a imaginação e o livre desenvolvimento das pessoas sem ser dirigidas 
por ninguém, para resistir à repressão policial... A rua se converteu no espaço pedagógico 
onde o povo deu um passo para a desaprendizagem da passividade e outro para a construção 
de experiência e conhecimentos empíricos para a resistência, a autodefesa e o ataque aos 
símbolos da opressão. As balas de armas de fogo disparadas sobre a Rua Estrela, Chile e 
outros pontos do microcentro não foram sufi cientes para dispersar a raiva dos milhares de 
jovens trabalhadores, estudantes, chacaritenhos e roqueiros que nessa sexta-feira mudaram 
seus planos frente o atroz espetáculo repressivo e decidiram dar rédia solta ao luddismo 
destrutivo, necessário para quebrar com a paz dos mortos.

Convidamos a estar em estado de alerta frente aos acontecimentos e animamos aos grupos 
auto-organizados e indivíduos, todos, a não retroceder, decair nem se deixar levar pelos 
cálculos partidários que o único que fará é submeter-nos novamente ao medo. Que a prática 
revolucionária seja sempre nossa resposta ao terrorismo de Estado! Contra a passividade 
social.

Ver como o apoio mútuo e a solidariedade se praticavam espontaneamente, gente que te dava 
uma mão, água, que te desvanecias sufocado pelos gases te levantavam e te levavam a um 
lugar seguro ainda que se arriscando em uma arremetida dos capacetes azuis, outros que te 
resgatavam das mãos da polícia, é muito importante ressaltar essas práticas, para nós que 
como anarquistas, concebemos, desejamos e buscamos uma vida em liberdade, sem autoridade.

Desde nossa posição como anarquistas convidamos à constante participação em futuras 
manifestações, que não fique no oparei, ñase jey callepe³ e que se reviva a luta de rua 
contra o terrorismo de estado.

Tendo claro sempre a nossos inimigos. Não confiando em discursos partidários e conseguir 
sacar do meio de toda a guerra de informação que nos chega, onde está realmente nossa luta.

Não há salvação para o povo submisso, que não fique impune o sangue derramado de inocentes.

Grupo Afim Anarquistas Insurretos (GAAI)

Frases em guarani:

[1]O que nós vamos fazer ali.

[2]Um golpe na boca

[3]Que não fique mais assim, temos que voltar a sair à rua.

Tradução > KaliMar


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