(pt) [Grécia] Vídeo: Em Atenas, protesto anarquista contra a guerra na Síria no primeiro dia em que manifestantes foram assassinados por Assad By A.N.A. (en)

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Domingo, 16 de Abril de 2017 - 08:39:43 CEST


No dia 18 de março, dia de relembrar os primeiros mortos do levante na Síria em 2011, 
assassinados pelo regime de Assad, aconteceu um protesto contra a guerra e em 
solidariedade ao povo sírio em Atenas, reunindo centenas de pessoas. A seguir, texto 
distribuído pela "Iniciativa de anarquistas e migrantes para solidariedade 
internacionalista ao povo sírio revolucionário". ---- No começo de março em 2011, enquanto 
a Primavera Árabe se espalhava amplamente, influenciando revoltas na Tunísia e no Egito, 
15 estudantes adolescentes escreveram nas paredes de sua escola em Daraa, Síria: "O povo 
quer a queda do regime". Eles foram imediatamente detidos, presos e torturados pelo 
serviço secreto e pela polícia. Quando suas famílias protestaram, implorando pela 
libertação de seus filhos, a resposta que receberam foram ameaças e insultos de ninguém 
menos do que o cabeça do serviço secreto e primo de Assad, Atef Najeeb, que segundo 
notícias, disse aos familiares que esquecessem seus filhos e fiz essem outros, ou então 
que enviassem suas esposas que eles mesmos tomariam conta disso. No dia 15 de março, 
pessoas furiosas tomaram as ruas de Daraa, exigindo que a s crianças fossem libertadas. 
Como um gesto de solidariedade às crianças presas e ao povo de Daraa, protestos massivos 
ocorreram também em Homs e Damasco.

Os grandes protestos continuaram durante os dias que seguiram, e então no 18 de março o 
povo de Daraa ocupou pontos centrais na cidade, com protestos pacíficos de permanência. O 
exército recebeu ordens do regime para abrir fogo com munição letal contra os 
manifestantes. 4 pessoas morreram. Apesar de que os primeiros protestos eram 
não-violentos, exigindo que os adolescentes fossem soltos, logo se tornaram uma 
insurgência com ampla participação popular e tensão crescente, com palavras de ordem sobre 
liberdade, dignidade e reformas. Estes protestos se espalharam, e ao mesmo tempo a 
repressão se intensificava, cada vez mais violentamente pe lo regime autoritário e 
neoliberal. Estes fatos levaram a uma radicalização crescente dos manifestantes, que 
passaram a demandar a queda do regime de Assad.</ font>

Foram manifestações sem precedentes na sociedade Síria, e o medo que era continuamente 
imposto pela brutal repressão e pela propaganda do regime, ocasionaram uma paralisação 
política de décadas. As desigualdades econômicas eram dominantes no país, com grandes 
interesses econômicos nas mãos da família Assad e seus afiliados, altas patentes do 
exército e da administração eram concedidas quase exclusivamente aos Alauitas (grupo 
étnico-religioso do oriente médio), enquanto a grande maioria da população Síria - em 
grande parte vivendo no campo - perman ecia vivendo em terríveis condições de miséria e 
opressão. Paralelamente, ainda que o regime oportunisticamente apoiava a luta curda por 
autonomia no Irã e na Tu rquia, suprimia internamente o povo curdo de forma sistemática e 
brutal.

Um levante massivo e popular por dignidade, liberdade e justiça ocorreu na Síria, um país 
com um regime totalitário, onde falar sobre questões políticas ou sociais era totalmente 
proibido por décadas. O regime responde com repressão brutal, mirando em desestabilizar a 
unidade dos manifestantes, utilizando sectarismo religioso como ferramenta e realizando 
propaganda extremista, de acordo com a qual os manifestantes aparecem como incitadores de 
revoltas e terroristas, agentes estrangeiros e perigosos fundamentalistas. Sequestros e 
torturas pela polícia secreta se intensificaram, especialmente contra ativistas e a parte 
mais ativa da insurg&e circ;ncia. O exército atirou com munição letal contra os 
manifestantes de forma regular, em todos os protestos. A negação dos soldados em seguir a 
ordem dos generais (e m sua maioria Alauitas) para atirar em civis levou a deserções em 
massa do exército. O povo sírio se revolta.

Enquanto os movimentos populares de massa continuavam com intensidade crescente, comitês 
auto-organizados apareceram no campo social, coordenando a resistência e a vida cotidiana 
nas áreas liberadas. Mas, enquanto a violência crescia, confrontos armados gradualmente 
saíram das mãos da sociedade em luta e se tornaram responsabilidade de estruturas 
hierárquicas de grupos armados com várias ideologias e políticas, como o Exército Livre da 
Síria e a Al Nusra. No fim, uma dura guerra civil irá prevalecer, durante a qual as velhas 
diferenças religiosas e étnicas irão prevalecer e dominar.

Nos posicionamos criticamente em solidariedade aos revolucionários combatentes do povo 
sírio, às comunidades auto-organizadas e anti-governo nos bairros, que continuam a 
resistir não importa o quão duro tenham sido atingidas. Contra todas as formas de 
autoridade, contra todos os pretensos salvadores. Para além das religiões e fronteiras.

Dinheiro, religiões, nações, gênero e raça firmaram as fronteiras que separam as pessoas. 
Esse é o motivo que nos faz ser contra símbolos nacionais e religiosos. Nós desejamos 
igualdade, solidariedade e liberdade total para todos. Contra toda dominação e autoridade, 
a bandeira vermelha e negra é um símbolo dos de baixo, e o único símbolo que apoiamos.

Iniciativa de anarquistas e migrantes para solidariedade internacionalista ao povo sírio 
revolucionário

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ectLbbfELpQ

Fonte: http://www.provo.gr/poreia-allhleggyhs-sto-syriako-lao/

Tradução > Yanumaka


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