(pt) Comunicado nº 50 da União Popular Anarquista - UNIPA: Greve Geral Já contra a Reforma da Previdência: combater o terrorismo de Estado do PMDB e a prática burocrático-policial do PT

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Terça-Feira, 11 de Abril de 2017 - 09:58:54 CEST


O dia 15 de março de 2017 foi marcado por manifestações em todo o Brasil. No Rio de 
Janeiro, mais de cem mil pessoas. Em São Paulo, mais de 200 mil. Centenas de cidades do 
interior, das regiões metropolitanas registraram atos. Essa retomada do movimento de 
massas nacional marca uma importante ocasião, de ruptura em relação ao domínio da polêmica 
PT x PSDB e os atos da CUT-CTB versus MBL/Vem para Rua, que dominaram o cenário entre 
2015-2016. ---- Mas a luta contra a reforma exige uma clara compreensão das contradições 
internas do movimento sindical e popular e, especialmente, a necessidade de diferenciar as 
disputas de grande política e micropolítica. ---- A grande política:  somente a greve 
geral insurrecional irá derrotar o PMDB ---- Na grande política, hoje, é necessário 
derrotar as reformas do PMDB, e também as orientações políticas que apontam para a disputa 
do projeto de reforma da previdência, tornando-a menos pior (eterna política do PT). Esses 
projetos, hoje, se apresentam especialmente com a campanha pró-reformas neoliberais do 
PMDB-PSDB e com a campanha "Lula 2018", do PT/PCdoB. Ambas temem a greve geral.

O governo PMDB está de costas para as contradições de classe. A frase de Temer de que "a 
sociedade apoia as reformas" indica que o governo acha que a sociedade brasileira se reduz 
ao grande empresariado. Porém, o governo do PMDB está se sentindo forte. Para demonstrar 
sua fraqueza é preciso uma grande aliança dos trabalhadores do campo e da cidade. Ignorar 
o 15M de 2017 é apenas sinal de que o número de pessoas nas ruas não será suficiente para 
derrotar a política neoliberal do governo.

O PMDB e o PSDB pretendem responder o movimento de massas com repressão e terrorismo de 
Estado.  Essa tática confia também que o sindicalismo de Estado irá fazer o seu papel de 
frear as lutas.

Para derrotar as reformas somente uma modalidade de luta será eficaz: a greve geral 
insurrecional, ou seja, uma paralisação geral das categorias de trabalhadores do campo e 
da cidade, combinadas com as formas de ação insurrecional de massas (do tipo Junho de 
2013). Somente Junho de 2013, nas últimas décadas, fez o Estado recuar. Mas para fazer um 
recuo hoje, com uma grande aliança reacionária, somente avançando em direção a greve geral.

Por isso a nossa palavra de ordem é: Greve Geral imediata! O nosso programa é: suspensão 
do atual projeto de reforma da previdência, anulação da reforma das previdências de FHC e 
Lula! Essa é a grande política classista e combativa, que deve ser oposta à política 
neoliberal e a política "Lula2018".

A micropolítica: somente derrotando a burocracia sindical será construída a greve geral

                 Mas a greve geral não acontecerá por chamado das centrais. A greve geral 
verdadeira acontecerá contra as direções das centrais sindicais, que são ou base do 
governo PMDB (como a Força Sindical) ou controladas pela oposição moderada (PT/PCdoB).

                 As centrais sindicais hoje só têm dois interesses: garantir o imposto 
sindical e garantir que as lutas aconteçam apenas enquanto alimentem a campanha Lula 2018. 
Desse modo, a burocracia sindical está convocando essas ações sob uma dupla pressão: a) a 
necessidade de renovar a legitimidade do PT e construir base eleitoral; b) a ameaça das 
bases de lançarem formas de resistência que comprometam o poder da burocracia sindical.

                 Essa estratégia ficou clara no 15M. Em São Paulo foi encerrado com um 
comício e a fala de Lula. Lula fala em São Paulo exatamente porque o PT considera que é o 
centro do capitalismo do país, e que todas as demais regiões devem se subordinar a 
política do centro mais avançado. Os demais atos deveriam reproduzir o mesmo modelo.

                 O 15M no Rio de Janeiro expressou a luta entre direções e bases, uma vez 
que o Rio é, talvez, o elo mais fraco do lulismo no Brasil. No Rio de Janeiro um ato 
multitudinário dirigido pelas centrais sindicais teve uma cisão. Esta cisão, ao contrário 
do que os reformistas dizem, não foi provocada pela ação de "Black Blocs". Essa cisão foi 
provocada pelo fato de que uma grande parte da massa, seguindo a oposição sindicalista 
revolucionária e pela juventude, reproduziu a  palavra de ordem cantada de "Greve Geral", 
sufocando o discurso vazio dos dirigentes no carro de som.

Poucos minutos depois bombas foram lançadas. Mas antes da repressão policial, chegaram os 
seguranças das CUT e Força Sindical. Esses seguranças iniciaram uma onda de agressões, que 
foram rechaçadas pela autodefesa de massas. A CUT e a Força Sindical foram a primeira 
linha. Assim, o terrorismo do Estado do PMDB é acompanhado pela prática stalinista das 
burocracias sindicais, que usaram a violência para garantir o monopólio da representação 
da classe trabalhadora. Este monopólio visa impor o projeto Lula 2018.

Por isso, na micropolítica (nos atos e organizações de trabalhadores) é fundamental 
desenvolver uma luta política e ideológica: denunciar a função auxiliar da repressão 
policial da burocracia sindical; denunciar seu projeto de absorver as lutas dos 
trabalhadores nos seus próprios interesses de partido, desorganizando a resistência para 
construir seu projeto de "re" conquista do aparelho de Estado. Por isso esses setores 
temem a greve geral. Para eles, a greve geral é apenas um blefe, uma forma de iludir suas 
bases, com a aura de que estão fazendo algo.

Por isso os setores revolucionários devem agora nos atos de rua "cercar" os carros de som 
e, a partir da base, impor novas palavras de ordem, quebrando a imposição do monopólio. E 
nas assembleias de categorias e comunidades devemos levar a denúncia desses setores, 
criando alternativas a partir da base, especialmente a construção da política de greve 
geral já.

  Greve Geral Já! Por um primeiro de Maio Insurgente

                 Muitos estão falando de greve geral. PT, PCdoB. PSOL, PSTU. Todos esses 
setores blefam, imobilizados no seu próprio oportunismo. Para ser sério e consequente, é 
preciso construir a greve geral imediatamente.

                 Por isso propomos, e levaremos a todas as lutas e categorias que 
pudermos, a proposta de construção de uma greve geral por tempo indeterminado contra as 
reformas da previdência e trabalhista iniciando no mês de abril; e a defesa de um 1° de 
Maio insurgente! Pela suspensão da reforma do governo PMDB-Temer e pela anulação das 
reformas de Lula e FHC.

                 Por uma greve geral já! Por um primeiro de maio classista e insurgente! 
Para tudo! Ocupa tudo! No campo e na cidade!

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2017/03/29/greve-geral-ja-contra-a-reforma-da-previdencia-combater-o-terrorismo-de-estado-do-pmdb-e-a-pratica-burocratico-policial-do-pt/


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