(pt) Carta de Opinião da FAG - PARA ENFRENTAR TEMER, O CONGRESSO E OS PATRÕES: SÓ A LUTA DIRETA E UMA GREVE GERAL DE BASE!

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Sábado, 8 de Abril de 2017 - 12:33:48 CEST


http://migre.me/wlCHG ---- O que estamos vivendo de 2015 para cá é apenas uma pequena 
amostra do quanto o reformismo e a conciliação de classes pode favorecer desfechos 
desastrosos para o povo oprimido. Os acordos de cúpula, as alianças com as tradicionais 
elites dominantes, a repressão sobre quem ousa divergir e lutar, a integração na máquina 
do Estado das lideranças sindicais e populares e as práticas vanguardistas e burocráticas 
dos militantes petistas nas lutas sindicais e populares. Práticas que representam o modus 
operandi do PT no governo e fora dele. Como já dissemos em outro momento, o PT foi o seu 
próprio coveiro. Progressivamente integrado na estrutura dominante durante os últimos 30 
anos, se ajoelhou à política do ajuste fiscal, se associou à corrupção sistêmica e abriu 
caminho para que seus antigos aliados do PMDB, junto com segmentos do judiciário, do 
congresso e da grande mídia, promovessem o impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff. Na 
luta de classes não há atalhos, fórmulas mágicas, salvadores. Quem governa com os de cima, 
pelos de cima é governado! Duras lições que precisamos aprender.

A profundidade dos ataques e a superficialidade das respostas

O governo Temer mal se coloca em cena e já desfere golpes absurdos contra os direitos dos 
mais pobres no país. São graves as medidas tomadas em pouquíssimo tempo de atuação. Temer 
não se importa com sua impopularidade. Diz querer salvar o país, mas na verdade está 
destruindo os direitos dos trabalhadores conquistados com muita luta. A reforma da 
previdência, a reforma trabalhista, a lei das terceirizações, o pacote de privatizações e 
o congelamento do investimento público não são outras coisas senão a destruição dos poucos 
direitos das classes oprimidas em benefício das classes dominantes e de seus privilégios.

A velocidade desse golpe nos nossos direitos encontrou o conjunto das esquerdas e dos 
movimentos sociais apáticos e desorientados. Herança de práticas aparelhistas, 
vanguardistas e dirigistas desenvolvidas durante os últimos anos de governo PT, que não 
foram superadas e que mostram quanto ineficientes e infames são nesse momento. 
Explicamo-nos. Temos um conjunto de ataques que precisamos enfrentar. E qual as medidas 
que as velhas raposas do movimento sindical burocratizado e aparelhado sugerem? A política 
feita desde o alto do carro de som, que "dialoga com as bases" como se conduz uma 
"manada"; a "pressão" e o diálogo com os parlamentares "apoiadores"; agendas de 
paralisação convocadas por cima com quase nenhum respaldo dos locais de trabalho e em 
datas longínquas de modo a colocar freio e cabresto na revolta. Medidas que adiam a luta 
aberta e frontal para um amanhã que nunca chega e que não irão derrotar os ataques de Temer.

Greve Geral?

Nosso anarquismo defende e aposta nos métodos históricos de luta e ação direta das classes 
oprimidas como os mais eficazes para enfrentar os desmandos dos de cima. A greve geral 
está entre esses métodos. Mas para nós, a Greve Geral deve ser construída nos locais de 
trabalho, desde baixo, e não simplesmente convocada, decretada, pelas cúpulas do movimento 
sindical. Se há uma forma de transformar a rebeldia crescente em oposição à altura de 
barrar as reformas e ajustes, essa passa pelo protagonismo dos trabalhadores numa luta sem 
arrego e sem a tutela das burocracias e dos partidos. A greve geral e um plano de ação não 
deve ser manobra retórica de quem se acostumou a negociar nas costas dos peões, do alto 
dos aparelhos sindicais. De recuo em recuo não se faz greve geral. O sindicalismo 
classista tem que se reinventar nos locais de trabalho e não esquecer os setores precários 
da classe trabalhadora se quiser encontrar forças reais para lutar e vencer. Não há 
fórmula mágica. Não há greve geral sem inserção social, sem referências combativas, sem 
unidade de ação e solidariedade de classe.

Nesse sentido é importante fazer um parêntese e destacar com ênfase o exemplo que tem dado 
os e as municipários(as) de Cachoeirinha, que tem levado com ganas uma luta exemplar, 
combativa, classista e de base, contra os desmandos, os cortes de direitos e a repressão 
impostas pelo executivo (com acordo servil do legislativo) municipal da cidade, 
especialmente pela mão suja e covarde do prefeito Miki Breier (PSB). A repressão brutal 
lançada sobre os servidores municipais que entraram no 25º dia de greve na quinta feira, 
30/03, deixando dezenas de feridos e três detidos quando protestavam de forma legítima na 
dita "casa do povo", é resposta desesperada de um governo que se vê cercado pela legítima 
revolta popular contra as suas manobras verdadeiramente golpistas. O exemplo de 
resistência e de luta que vem de Cachoeirinha demonstra na prática que outro tipo de 
sindicalismo é possível e que a construção de base, a solidariedade de classe e a ação 
direta são ferramentas fundamentais para construir o Poder Popular.

Partindo desse importante exemplo, defendemos a GREVE GERAL como o ponto de chegada de uma 
escalada de táticas apoiadas na revolta popular e no enfrentamento direto com os governos 
e os patrões. Com piquetes, assembleias populares, cortes de vias públicas, ocupações e 
greves de distintas categorias, criamos as condições, pela base, para um amplo e forte 
movimento popular situado fora dos cálculos eleitorais de 2018, que faça o governo e os 
burgueses recuarem. Precisamos de solidariedade de classe, participação popular efetiva, 
medidas de força reais, práticas sociais que fortaleçam o movimento popular. Construir a 
greve geral de baixo para cima é promover, articular e coordenar os conflitos em curso nos 
distintos locais de trabalho, estudo e moradia por fora da tutela das centrais. Fora da 
luta popular direta sem intermediários e do trabalho de base no interior das demandas do 
povo para criar auto-organização, não há saída possível.

Contra as reformes e o ajuste de Temer, do Congresso e dos Patrões!

Com greve, piquete, marcha e ocupação, criamos força social e construímos uma Greve Geral!

Trabalho de base para reconstruir tecido social, organização de base e forjar uma 
alternativa fora e para além das eleições!

Toda solidariedade aos Municipárias e Municipários de Cachoeirinha! Não tem história, é 
greve até a vitória!

Federação Anarquista Gaúcha - FAG
Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira - CAB

https://anarquismopr.org/2017/04/01/fag-para-enfrentar-temer-o-congresso-e-os-patroes-so-a-luta-direta-e-uma-greve-geral-de-base/


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