(pt) Para a crise da política institucional a saída é a luta nas ruas! By A.N.A.

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Sexta-Feira, 9 de Setembro de 2016 - 10:30:03 CEST


O espetáculo do impeachment acabou. O clima que paira no ar não podia ser diferente: o 
desfecho estava dado há tempos e era mais do que previsível. Como um filme que já se sabe 
o final, todos assistem sem entusiasmo. A resposta que muitos querem dar está travada na 
garganta e as mãos estão atadas por uma direção que mais uma vez coloca nas eleições o 
único caminho possível. Paralelo a esta sensação de incapacidade abre-se um caminho 
supostamente mais estável para o novo-velho governo desferir os ataques que já estava 
planejando. A apatia reinará, ou conseguiremos abrir nossos caminhos à esquerda? ---- A 
crise econômica iniciada em 2008 que está assolando o mundo não tinha como deixar o Brasil 
de fora. O Partido dos Trabalhadores vende a ilusão de que é possível um governo para 
todos, com as classes trabalhadoras se beneficiando de alguns programas sociais enquanto 
os bancos e patrões continuavam tendo altos lucros. No entanto, precisamos entender que, 
embora boa parte da base do PT seja de movimentos sociais/sindicais, o PT representava os 
interesses da burguesia. Foi esse partido que colocou Katia Abreu no Mi nistério da 
Agricultura (famosa defensora dos latifundiários), que colocou Joaquim Levy no Ministério 
da Fazenda (sinalizando uma política neoliberal para a economia), que nunca se propôs a 
legalizar o aborto, que vetou o kit anti-homofobia, que fez o programa "mãe cegonha" (que 
foca na saúde da mulher só no seu período de gravidez, indo na contramão da atenção à 
saúde integral da mulher reivindicada pelas feministas), que investiu na educação superior 
privada (com Prouni e Reuni), etc.

Embora nunca seja possível governar para todos, essa impossibilidade fica ainda mais 
evidente em um cenário de crise do capitalismo. Ao menor sinal de que medidas sociais 
representem perdas econômicas aos setores capitalistas, elas são rapidamente cortadas. É 
nessa conjuntura econômica que no final do ano passado programas sociais que eram tão 
defendidos pelo governo na área da saúde e educação sofrem cortes e a reforma da 
previdência avança a passos largos. Este cenário de crise evidencia ainda mais como os 
interesses dos trabalhadores são dis tintos daqueles dos patrões, ou seja, torna mais 
evidente a luta de classes no cotidiano. Os interesses dos capitalistas e dos 
trabalhadores são inconciliáveis e na disputa sobre quem sairá perdendo os trabalhadores 
tem levado duros golpes, mas não sem resistência. As consequências da crise econômica 
acirram os ânimos e os trabalhadores e a sua juventude tomam as ruas, ocupam fábricas e 
escolas, fazem greves e buscam recuperar, na marra, aquilo que lhes pertence. Para conter 
as revoltas, governos usam e abusam da repressão e no Brasil isto foi nítido nos protestos 
de junho de 2013 e na aprovação da Lei anti-terrorismo. A militarização das favelas, das 
escolas e a repressão nos locais de trabalho são as marcas de um governo que não hesita em 
governar para os ricos.

Embora haja diferenças entre aqueles que estão fazendo o impeachment e o governo do PT, há 
também muita continuidade, visto que ambos defendem projetos da burguesia. É importante 
lembrar que até pouco tempo atrás vários que estão agora chamando o impeachment estavam na 
base do governo Dilma, e que o PT vai sair com o PMDB e outros partidos supostamente 
adversários em várias eleições de prefeituras. A verdade é que o PT cavou seu próprio 
túmulo com seu projeto de conciliação de classes. Aliou-se a Temer, Cunha e Katia Abr eu, 
fez política para a burguesia e agora tenta se colocar como adversário dos setores 
reacionários.

O PT está, portanto, ultrapassado. Ultrapassado para os trabalhadores que já não o 
enxergam como governando para eles e ultrapassado para uma burguesia que agora pode 
colocar um governo sem mediações. A figura de Michel Temer na presidência busca recuperar 
uma estabilidade que o governo Dilma já não conseguia impor. E mesmo frente ao processo de 
impeachment, as direções do PT nem mesmo buscam mobilizar a população. Em frangalhos, o 
partido da estrela vermelha já não consegue mobilizar amplas massas para as ruas em sua 
defesa, pois seu governo &eacut e; indefensável. A saída encontrada foi a caracterização 
do impeachment como um golpe, para que assim possam dar o tom das eleições de 2018. Na 
prática, o mesmo plano de governo seria aplicado. No discurso, poderiam ressurgir como 
alternativa, caracterizando os retrocessos sofridos como sendo frutos do governo do PMDB.

Não são poucos os trabalhadores que perderam as ilusões no PT e em qualquer projeto 
político de conciliação de classes, mas também não são poucos os trabalhadores que não 
reconhecem o governo Temer e que sabem que duros ataques ainda estão por vir. A vontade de 
lutar não falta. A vontade de defender nossas vidas, nossos empregos e salários está 
latente, pois é necessária. Frente a isso é preciso ficarmos atentos. Milhares de pessoas 
não sairão às ruas para defender o governo petista, tampouco enxergam melho ra nas mãos de 
Temer. A ânsia pela autodefesa precisa encontrar vazão e organização em um programa de 
lutas à esquerda e revolucionário, antes que sucumba a projetos políticos de extrema 
direita, o que é especialmente perigoso em momentos de crise.

Os ataques que estamos recebendo e que se intensificarão estão vindo de forma difusa. Não 
se expressam apenas no arrocho salarial localizado, onde cada categoria de trabalhadores 
precisava, e muitas vezes conseguia, dar respostas com uma mobilização local. Os ataques à 
nossa classe estão vindo, por exemplo, por meio de reformas trabalhistas, o que nos exige 
uma mobilização ampla, agregando inclusive os setores que não conseguem se sindicalizar.

Há um desafio imenso a nossa frente e a esquerda combativa precisa conseguir se 
desvencilhar completamente do projeto político de conciliação de classes, romper com os 
resquícios burocráticos e se colocar com força na militância de base, articulando-se em 
todas as frentes que forem possíveis para unir esforços em ações unitárias. A construção 
de uma greve geral é importante, mas para conseguir chegar até ela e para que não se 
encerre em si mesma, há muito o que fazer.

A defesa real de nossas condições de vida e trabalho é urgente. A saída para esta crise 
não está em um novo gestor do Estado Capitalista, mas no retorno da perspectiva 
revolucionária. A crença no projeto de conciliação de classes já custou muito caro para a 
vida da classe trabalhadora e precisa ser retirada do horizonte. A saída não está nas 
eleições da democracia burguesa e nem em nenhum novo partido que esteja rascunhando a 
mesma trajetória do PT. A saída está na independência de classe, na defesa intransi gente 
de nossas condições de vida e trabalho, em nossas mobilizações pela base e na certeza da 
necessidade da revolução socialista. Temer não terá sossego, assim como nenhum outro 
governo teve! Nossa luta segue avançando!

Não mais patrões e não mais ilusões!

Não aos ataques dos governos!

Aliança Anarquista

alianca-anarquista.org

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/09/04/para-a-crise-da-politica-institucional-a-saida-e-a-luta-nas-ruas/


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