(pt) colectivo libertario evora: PORTAL ANARQUISTA:"A DESILUSÃO COM O ACTUAL SISTEMA POLÍTICO VAI TRAZER MAIS GENTE PARA O CAMPO LIBERTÁRIO"

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Quinta-Feira, 1 de Setembro de 2016 - 11:54:42 CEST


Terminamos hoje a publicação das respostas solicitadas junto dos órgãos que integram a 
Rede de Informação Alternativa. Há um ano atrás quatro projectos e canais informativos, na 
web e em papel, juntaram-se e criaram uma rede de partilha e troca de informações. 
Guilhotina.info, jornal Mapa, pt.indymedia e Portal Anarquista formam esta rede que, 
apesar de todas as dificuldades, pretende romper o gueto informativo em que a comunicação 
e a informação anti-autoritárias, de base assemblearia, sempre tem vivido em Portugal. 
Como base para um artigo a ser publicado na próxima edição do jornal "A Batalha" sobre a 
Rede de Informação Alternativa pedimos a cada um destes projectos a resposta a um pequeno 
questionário. Depois do jornal MAPA, da Guilhotina.info e do pt.Indymedia, publicam-se 
agora as respostas do Portal Anarquista.
*
Quando, como e porquê surgiu o Portal Anarquista?

O Portal Anarquista, com visibilidade na web (blog com perto de 700 mil visitas, e página 
no facebook com mais de 6 mil gostos), apareceu durante o ano de 2013, depois da extinção 
do Colectivo Libertário de Évora, constituído um ano antes. Aproveitando a experiência 
jornalística de alguns dos seus elementos, o Portal Anarquista assume-se como um espaço 
informativo e de memória libertária, pretendendo constituir-se como um elo de ligação 
entre os vários núcleos libertários actuando em Portugal e no Brasil, ao mesmo tempo que 
procura recuperar a história e a memória do movimento libertário nos países que usam o 
português como língua oficial.

De facto, notámos que apenas uma parte muito pequena de materiais anarquistas, referentes 
ao movimento em Portugal, estava na web e decidimos intervir nesse sentido, publicando e 
disponibilizando todos os materiais, a que fomos tendo acesso, na internet. Ao mesmo tempo 
procuramos traduzir para português os posicionamentos das diversas estruturas 
internacionais ligadas ao movimento libertário, bem como os artigos e as publicações dos 
mais diversos autores - conhecidos ou não - de cariz anti-autoritário.

O Portal Anarquista dá também destaque à agenda libertária e anti-autoritária, servindo 
igualmente de veículo informativo em cima dos acontecimentos, sempre que necessário 
(nomeadamente através do facebook e do twitter).

Como vêem hoje a informação alternativa em Portugal?

A informação alternativa ainda tem características muito residuais em Portugal, ao 
contrário do que acontece no Estado Espanhol, França ou Itália. No entanto, a difusão da 
internet e das várias redes sociais tem possibilitado a criação de espaços informativos 
sobre os movimentos sociais, com informação actualizada e em primeira mão, permitindo uma 
alternativa aos órgãos de comunicação do sistema. É preciso, agora, consolidar esses 
projectos, dar-lhes maior visibilidade e pô-los em rede, articulando-os, de forma a que se 
crie um real espaço informativo alternativo, ao serviço dos movimentos sociais de base, 
autogestionários e horizontais - os únicos que têm possibilidade de transformar a sociedade.

O espaço alternativo e assembleário constituiu-se em Portugal (e Espanha) nos últimos anos 
em torno dos movimentos de rua e de ocupação de espaços públicos. Houve manifestações 
aguerridas, que hoje parece não ter condições para se repetirem. Como vêm actualmente este 
movimento assembleário, de junção de lutas, e alternativo ao sistema representativo vigente?

A luta social em Portugal tem conhecido uma pausa relativa nos últimos tempos sobretudo 
devido à constituição da maioria Costa, Catarina & Jerónimo. A tutela dos sindicatos e de 
alguns movimentos sociais pela esquerda tradicional tem ainda muito peso, pelo que a 
participação do PCP e do BE no apoio ao governo do PS tem retirado algum ímpeto à 
contestação social. No entanto, a constatação que vai sendo feita pelos trabalhadores mais 
conscientes de que esta solução governativa representa mais do mesmo e que não constitui 
qualquer alternativa para a construção de uma sociedade diferente, sem exploração nem 
opressão, torna-se cada vez mais evidente. Também o agravamento da situação económica e 
financeira do país e as repetidas notícias da corrupção e do nepotismo que tem envolvido 
grande parte da classe política e empresarial (uma e outra são a mesma coisa) têm 
permitido uma maior consciencialização por parte de muitos trabalhadores de que o jogo 
político não é alternativa ao actual estado de coisas. Espera-se - e nós lutamos por isso 
- que esta desilusão sobre o sistema político vigente faça surgir formas organizativas de 
índole anarco-sindicalista e mobilize os trabalhadores mais activos e determinados para o 
campo libertário.

Perspectivas futuras para os movimentos anti-autoritários, horizontais e de acção directa 
em Portugal? E para a comunicação social alternativa?

Penso que são positivas. Findo o modelo soviético de exploração e opressão, acabadas 
também que estão as ilusões sobre o modelo do capitalismo neoliberal e esgotado que está o 
sistema democrático tradicional, assente no jogo eleitoral e parlamentar, os projectos de 
base, de índole social, autogestionários, federalistas e de acção directa tornam a estar 
na ordem do dia, reforçando o peso das correntes libertárias e anti-autoritárias nos mais 
diversos sectores sociais.

Para que tal aconteça são necessários também órgãos e canais informativos alternativos, 
que criem pontes e solidariedades. Um e outro movimento, o social e o da criação de redes 
de informação, caminham par a par e alimentam-se mutuamente. Um não pode existir sem o outro.

O que é que os vossos meios ganharam com a constituição da Rede de Informação Alternativa? 
Projectos futuros.

A Rede de Informação Alternativa tem sido muito importante na divulgação de iniciativas e 
tomadas de posição diversas, ampliando o universo de activistas que conseguimos alcançar. 
É um esforço comum que, numa área onde é sempre difícil consolidar projectos conjuntos, 
mostra a necessidade de avançarmos ainda mais neste sentido e de congregarmos esforços 
para que a nossa mensagem passe e chegue a mais gente.

Entre os projectos futuros, que temos entre mãos, está a edição de um jornal digital, com 
actualização diária, que colija e disponibilize a informação alternativa dispersa na rede 
e noutros colectivos editoriais, de raiz libertária, que têm vindo a surgir.

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2016/08/29/portal-anarquistaa-desilusao-com-o-actual-sistema-politico-vai-trazer-mais-gente-para-o-campo-libertario/


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