(pt) [Grécia] A esquerda no poder e a autogestão da Vio.Me By A.N.A.

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Domingo, 23 de Outubro de 2016 - 14:03:17 CEST


Já faz três anos que na Vio.Me de Tessalônica se produzem sabões para a higiene pessoal e 
para a limpeza doméstica. Em "Tierra y Libertad" já falamos do processo e muitos 
anarquistas do mundo todo observam e se solidarizam com esta experiência de resistência 
obreira. Qualquer um que puder recolhe fundos, se limpa com seu sabões e limpa os centros 
sociais e as sedes com o detergente Vio.Me. ---- Essa luta conseguiu muita solidariedade, 
tanto local como internacional e reciprocamente passa a outras situações de luta como a 
Robin Wood em Veria - fábrica de carpintaria em processo de autogestão - e a ajuda aos 
imigrantes que se encontram em Tessalônica em sua fuga da miséria e da guerra, organizando 
uma distribuição de bens de primeira necessidade em um local dentro da fábrica na que 
trabalham.

Há poucos anos, Syriza expressava sua disponibilidade para ajudar estes e outros 
trabalhadores e dizia que, se fossem escolhidos, as coisas mudariam... Especificamente 
Syriza expressava sua vontade de resolver o problema que padece Vio.Me, ou seja, o 
relativo ao fato de que o terreno no qual se encontra atualmente a fábrica autogerida está 
em concurso de credores e pendente de leilão (ainda que no momento ninguém há puxado por 
ele). Os trabalhadores pedem que seu trabalho seja reconhecido através da desagregação de 
sua atividade do terreno em venda e que possam trabalhar sem patrão e de forma autogerida, 
e já não mais nesta situaç& atilde;o de precariedade e com risco de despejo.

Até hoje as respostas por parte do Governo tem sido vagas, com palavras amáveis mas com 
atos hostis. O exemplo mais sangrento aconteceu em meses do verão passado quando a 
princípios de julho se organizou uma manifestação de solidariedade em frente do Ministério 
do Trabalho em Atenas: a polícia atacou com paus e com gases lacrimogêneos contra quem 
apoiava aos trabalhadores em espera de uma resposta por parte da autoridade competente 
(governo Syriza). Resultado: nenhuma novidade respeito aos meses precedentes a entrevista 
no Ministério do Trabalho, mas muito mais determinação para continuar a luta. Se vê que 
uma vez alcançado o poder, como dizia Bakunin, até o mais revolucionário pode se transform 
ar em inimigo dessa mesma massa oprimida à que pretende representar.

Os trabalhadores ainda estão ativos, não só continuando com a produção de sabão mas também 
organizando um importante evento que acontecerá de 28 a 30 de outubro no próprio 
estabelecimento: o encontro euro-mediterrâneo de empresas autogeridas e cooperativas. Será 
um fim de semana dedicado a debates e encontros entre trabalhadores que, induzidos pela 
crise e pelo desemprego, decidiram ocupar e continuar produzindo de forma autogestiva, 
desafiando a legalidade, sabendo escolher entre o justo e o equivocado, e não entre o 
legal e o ilegal, como seguem enchendo-nos a cabeça os social-democratas.

Encontros internacionais como este são importantes para tecer redes de solidariedade e de 
intercâmbio de opiniões necessárias para uma mudança revolucionária, antiautoritária e 
alternativo ao atual sistema de domínio e exploração.

Davide Bianco

Fonte: Periódico "Tierra y Libertad", setembro 2016.

Tradução > KaliMar


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