(pt) [Grécia] Reação de manifestantes anarquistas contra atitudes contráias às decisões da assembleia que convocou a manifestação By A.N.A.

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Quinta-Feira, 20 de Outubro de 2016 - 13:57:34 CEST


Há uns dias no bairro de Pangrati, em Atenas, aconteceu uma manifestação antifascista com 
o fim de anular a inauguração dos escritórios do partido neonazi Aurora Dourada neste 
bairro. A maioria dos manifestantes eram anarquistas, no entanto, não faltaram os blocos 
esquerdistas. A marcha não chegou aos escritórios dos fascistas por causa das forças 
policiais alinhadas em suas zonas adjacentes, entretanto, bloqueou o acesso a elas durante 
muitas horas. O resultado deste bloqueio foi que o evento fascista aconteceu com a 
presença de uns poucos antropoides isolados em uma rua e rodeados por centenas de 
policiais. ---- Durante a manifestação não faltaram os conflitos entre a salvaguarda da 
manifestação constituída por membros de vários coletivos anarquistas, e uma quadrilha que 
atuou (como sempre) à margem da manifestação de maneira contrária às decisões tomadas em 
(pela) assembleia que havia convocado a manifestação, sobre o seu caráter. É a enésima vez 
que algo semelhante acontece. Em um prefácio nosso publicado há seis meses explicamos 
porque já não publicamos notícias sobre incidentes provocados por tais quadrilhas.

A seguir, publicamos uns comentários sobre o ocorrido à margem dessa manifestação, quando 
os membros da custódia reagiram à tentativa desta quadrilha de atuar de uma maneira 
arbitrária e alterando o caráter da manifestação, o qual havia sido determinado em uma 
assembleia com processos horizontais uns dias antes. Consideramos que esta reação à 
atitude arbitrária e perigosa de dita quadrilha, assim como seu rechaço em um debate 
público na Internet, foram mais importantes que a própria manifestação. Por isso, 
publicamos aqui alguns comentários sobre este tema, publicados em um debate em Atenas 
Indymedia.

1º comentário

A festinha da bem conhecida escória dos lupem ("jogo pedras e corro, logo os policiais 
esmagam a dezenas de pessoas"), que levam muitos anos provocando certos problemas, ao que 
parece ontem foi eliminada. No entanto, este fim de semana outra vez os bem conhecidos e 
totalmente insignificantes hiper-anarquistas de Indymedia se puseram a fazer comentários 
para encher seu tempo livre, semeando a discórdia como eles muito bem sabem fazer.

Os bem conhecidos lumpen quebra-vitrines, pois, que tem pego reiteradas vezes 
companheiros, ameaçaram companheiros com facas, e quebraram várias cabeças em incidentes 
parecidos, atuando sempre de sua própria maneira "anarquista", por fim aprenderam a lição 
que lhe deu a salvaguarda organizada da marcha, a qual lhes devolveu o mínimo que lhes 
corresponde. E desde logo, agora lemos o que escrevem os bem conhecidos revolucionários do 
teclado e os partidários da teoria "faço o que me dá a gana, independente de que minhas 
ações prejudicam a companheiras e companheiros e não presto contas a ninguém, porque isso 
é anarquia".

Infelizmente, no entanto, para todos, os tempos difíceis em que vivemos e os que estão por 
vir, requerem salvaguardas organizadas, cuja principal finalidade seja a proteção dos 
manifestantes de uma potencial intervenção policial e a aplicação de tudo o que decidiu a 
assembleia que convocou a marcha.

Claro que alguns preferem que as marchas sejam uma agrupação de pessoas dispersas, 
facilmente dissolvidas (pela Polícia) porque uns lupem querem desafogar-se atirando pedras 
e coquetéis molotov, naturalmente, sem ter nenhum plano, porque isto é "anarquia" segundo 
suas teorias. E claro, estas opiniões são escritas só no multi-instrumento (ferramenta) 
Indymedia, dado que se farão o ridículo se em alguma assembleia organizativa de alguma 
marcha dizem: "Por que nos faz falta a salvaguarda?" ou soltam algum comentário 
libertário-hiperanarquista semelhante.

Pois os dias de sua arbitrariedade em detrimento das pessoas lutadoras se acabaram e isto 
é algo que tem que entender tanto os que fazem estas coisas como os que os apoiam na 
Internet. As decisões são tomadas nas assembleias e nelas se prestam contas e não em 
Indymedia, como fazem os anônimos que deixam seus comentários aqui sem ter a mínima 
relação com o tema que comentam. Ficamos, pois, nas assembleias e na rua.

2º comentário

É certo que um jovem companheiro foi expulso de maneira violenta da concentração pelos 
membros da salvaguarda da manifestação, quando se negou a aceitar que as decisões tomadas 
sobre a organização do protesto eram diferentes de sua opinião e tentou fazer o que lhe 
deu a gana em detrimento dos demais.

Foi escrito que a salvaguarda bem organizada se havia encarregado da proteção dos 
manifestantes e da materialização das decisões coletivas sobre o caráter da ação, o qual 
não era violento. Quando chegou a uma distância de 5 metros das filas dos policiais, em 
uma marcha que para as pessoas que participam dela é claro que não quer se enfrentar (à 
Polícia), amigo meu não rompe troços de mármore e não atua como super-revolucionário em 
prejuízo de muitos. Quando estás em desacordo como o que foi decidido, te vais a outro 
lugar para fazer o que quiser. E vias de acesso à concentração dos fascistas houve muitas, 
no entanto, alguns não toma ram estas vias (caminhos) senão que fizeram o que lhes deu a 
gana, atuando com segurança estando entre os muitos. Não podes se esconder constantemente 
sob o lençol.

3º comentário

Como movimento consentimos muitas vezes atitudes irracionais e hostis e obviamente não 
podemos consenti-las para sempre. São umas atitudes (comportamentos) impostos no nome da 
liberdade (paradoxo cômico- trágico) e baseadas na hostilidade a qualquer processo 
coletivo, na indiferença à integridade de centenas de companheiros e na apropriação 
egoísta e a humilhação dos recursos (meios) da luta.

Muitas vezes no passado se tentou pôr em destaque de uma maneira suave que a 
auto-organização deve basear-se em decisões tomadas em comum e que estas decisões defendem 
as salvaguardas das marchas. Em vão. As respostas a esta maneira suave oscilaram entre o 
desprezo, os palavrões e as ameaças de violência.

É lógico que não continuamos permitindo a hostilidade reiterada (porque temos que 
fazê-lo?) de pessoas que nunca debateram com alguém sobre o que querem fazer, que nunca 
assumiram e compartilharam a responsabilidade da defesa de uma manifestação dos policiais, 
senão que, ao contrário, (esta responsabilidade) a concebem como coragem de uso para seus 
objetivos pessoais.

Muitas vezes este comportamento autoritário e elitista, em que o Ego pequeno-burguês se 
sobrepõe ao Nós coletivo, culminou em agressões canibais e violentas a companheiros, a 
lutadores esquerdistas e a transeuntes por manifestações, praças e festas. Contra estas 
agressões os supostos "antiestalinistas internéticos" nunca fizeram nada. Pelo contrário, 
cada vez que se tenta detê-los, eles atuam de maneira obviamente autoritária, tratando de 
impor-se a muitos. A retórica sobre atitudes estalinistas e próprias do partido 
"comunista" serve à reprodução destes comportamentos já que tenta distorcer uma questão 
política grave recorrendo à emoção.

Vamos consentir que as quadrilhas se imponham aos demais somente por tomar umas pauladas 
em certa rua de pedestres e a qualquer um agredir e insultar companheiros por defender 
decisões coletivas? Vamos consentir que deem surras em pessoas que não fizeram nada, 
somente por estar chateado um tipo lupem e por querer desafogar-se? Para um lutador a 
resposta é um não categórico.

No movimento tem vez todos os que respeitam aos companheiros, princípios e os valores da 
luta. Os que não respeitam nada disso, e além do mais exercem violência ou ameaçam, têm 
que ser tratados de uma maneira adequada.

4º comentário

...Em vários casos apareceu uma ridícula "vanguarda" que se nega a participar na 
manifestação com os outros, deixando claro seu antagonismo por todos os meios. Caminham 
pela cerca afastados dos outros (os desmancha-prazeres), tendo o rosto coberto como se 
quisessem atacar a três ministérios e a sete delegacias, levam o "equipamento" nas mãos de 
uma maneira provocativa (se o lógico seria que passassem despercebidos pelos policiais) e 
se negam a participar em qualquer debate com os demais blocos (as outras partes) da 
manifestação: Tudo isso é considerado por alguns um "direito", se na realidade não é nada 
mais que um privilégio, em detrimento dos demais.

Quando o resto (dos manifestantes) trata de se mover juntos e de se conter (é óbvio que 
não são somente uns 10-15 os que se exasperam ao ver aos policiais aproximando-se), trata 
de se afastar deles, trata de compreender qual é o perigo para eles e para os que estão na 
rua e ao mesmo tempo paralelamente a eles caminham umas pessoas que lhes importa uma 
pinoia tudo isso. Em vários casos, algumas destas pessoas atiram pedra (a qual, na maioria 
das vezes não chega à sua meta) e logo se escondem atrás dos corpos dos companheiros e 
companheiras que recebem a carga dos policiais das chamadas forças antidistúrbios.

E a esta paródia alguns têm a ousadia de chamá-la "auto-organização", "anarquia" 
"insurrecionalidade" e "espírito libertário", se não é nada mais que a imposição descarada 
da vontade de uns poucos sobre (em detrimento de) centenas de pessoas...

...Toda a argumentação sobre a aparição destas pessoas (nas manifestações) consiste em que 
por motivos "libertários" alguns estão por cima dos demais, têm mais direitos que os 
outros, são uma espécie de vacas sagradas, uma espécie protegida, ou uma elite cujo Ego é 
mais importante que o Ego das centenas de manifestantes.

Frequentemente este privilégio se defendeu na rua de uma maneira violenta. O tom de voz 
agressivo, a ameaça de usar a violência (se escreveram muitos comentários sobre o machismo 
da salvaguarda mas nem uma palavra da atitude machista quanto à forma e o conteúdo deste 
"rapazes"), em combinação com as acusações constantes contra os "estalinistas", os 
"reformistas" etc. Não são nada mais que uns instrumentos usados para a perpetuação dos 
privilégios desta "vanguarda" caricaturesca.

Ou seja, que em seu excesso coexistem as seguintes características: Uma minoria que impõe 
sua atitude sem interessar-se de modo algum nos meios e objetivos dos que estão a seu 
redor, sem escrúpulos (não lhes importa se sua atitude causa perigo aos demais) e sem 
princípios, cujo fim é manter seus privilégios (fazemos o que queremos, quem vai nos 
deter?) em detrimento dos demais. E esta situação existe há muitos anos e os que reagem a 
ela recebem agressões verbais, sendo acusados de "traidor dos ideais anarquistas" (os 
quais, neste caso não são nada mais que as vontades de uma quadrilha) e de "se portar como 
os resmungões do partido comunista". Estalinismo? Falaram algo de estal inismo?

Pelo menos os que defendem esta imposição, chamando-a de "insurrecionalidade", que tenham 
a coragem de propô-la para todos (que proponham que seja válida para todos). A próxima vez 
que eles convocarem uma marcha não pela rua, senão pela calçada e nós nos coloquemos a 
quebrar as beiradas das calçadas, iremos vestidos como yihadistas se preparando para 
atacar com foguetes e atiraremos pedras por todos os lados até romper todas as cabeças dos 
manifestantes. Vamos debater sua proposta e aos que queiram, poderão participar livremente 
e de maneira auto-organizada.

O texto em castelhano:

http://verba-volant.info/es/reaccion-de-manifestantes-anarquistas-contra-actitudes-contrarias-a-las-decisiones-de-la-asamblea-que-convoco-la-manifestacion/

Tradução > KaliMar


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