(pt) Greece, verba-volant: Resposta da coletividade antiautoritária a libelo esquerdista contra as okupas de teto para imigrantes e refugiados

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Domingo, 16 de Outubro de 2016 - 10:48:17 CEST


Neste post publicamos um texto do Movimento antiautoritário de Larissa, intitulado "Uma 
resposta a Avgí pela publicação do texto "Quem e como determinam os princípios da 
Esquerda?". Este texto, publicado no jornal do partido governista Syriza uns dias depois 
do desalojo de três okupas de teto para refugiados e imigrante, constitui um libelo (mal 
escrito) contra as estruturas auto-organizadas, defendendo ao mesmo tempo a legalidade 
burguesa e justificando a repressão contra os que são contrários a ela. ---- Como nesse 
texto se põe de manifesto o verdadeiro rosto e as intenções da Esquerda, assim como a 
falta de dialética e de argumentação que rege seu discurso, é provável que dediquemos 
outro post a esse assunto, pondo em destaque alguns pontos do texto e dando mais uma 
resposta aos serventes locais da Soberania neoliberal.

Em cada ação ilegal há uma regra fundamental, primeiramente ética, a qual contesta a quem 
e como "se beneficia" dela. Recorrendo a esta regra vemos que o argumento da ilegalidade 
das okupas e das estruturas de teto desmorona. O que sai beneficiado não é o sujeito 
político que procede à ocupação de um edifício, senão as pessoas necessitadas pelas 
condições de vida impostas. Os edifícios usados para oferecer teto (alojamento) e para 
aliviar estas pessoas estão cuidadosamente selecionados e em nenhum caso são edifícios 
usados por outras pessoas. Na maioria dos casos, são edifícios que estão em péssimas 
condições de conservação, devido ao estarem abandonados e em desuso. As pessoas solidárias 
se esforçam para convertê-los em habitáveis de novo. Curiosamente, a aplicação da lei se 
limita a projetos de solidariedade, nos quais ninguém sai beneficiado, menos os que têm 
necessidade de se alojar para cobrir as necessidades básicas de sua sobrevivência, e não 
cabe as ilegalidades de finalidade lucrativa. Vejamos, pois, a lei, mas trate de abrir os 
olhos.

Quanto as "feras do mar aberto", levamos muito tempo observando as ações que faz a 
Esquerda. Não as fizeram os que governaram anterior a ela, e não temos esperanças que as 
façam os próximos. As feras do mar aberto estão estabelecidas também na terra. Nossa 
solidariedade é o único caminho que temos para enfrentarmos na prática aos planos destas 
feras. São uns planos cujo fim é submeter qualquer esperança de viver decentemente, tanto 
nós como os imigrantes que já são parte de nossa sociedade. A esta sociedade defenderemos 
por todos os meios.

No que concerne à legalidade de uma okupa, apenas o riso pode nos dar a perspectiva do 
autor do artigo, que enfoca nas licenças (permissões) legais e garantias necessárias. Por 
certo, quais foram as permissões que se conseguiram no inverno passado para montar 
barracas (para refugiados)? Quais foram as garantias que se deram para que se alojassem 
nestas barracas famílias inteiras, crianças, pessoas enfermas e fatigadas de serem 
refugiadas? Que lei ética ou escrita, permitiu que estas pessoas vivessem neste ambiente? 
Como se confrontou o tema da atenção médica destas pessoas? São umas interrogações 
inexoráveis que surgiram vendo não apenas o aspecto destas "estruturas" "garantidas" pelo 
governo, e que se fazem sempre que se põem em dúvida as estruturas de teto 
(auto-organizadas) ainda que se trate meramente de uns edifícios ocupados. E a propósito, 
é óbvio que estes edifícios se reformaram e seu funcionamento e estética melhoraram. Em 
todo caso, constituíram um teto mais decente que qualquer barraca oferecida pela Esquerda 
dos princípios e dos valores. Nosso epicentro são os refugiados. Naturalmente, não 
tínhamos a falsa ilusão de que isso fosse entendido pelos que negociam cifras e requisitos 
nos salões dos convênios, usando nas negociações a questão migratória e as vidas dos 
refugiados. Se tivessem algo de honestidade, no entanto, os que aplicam as decisões da 
União Europeia que abrem e fecham as fronteiras segundo seus interesse e que contribuem à 
indigência dos povos não falariam de reféns. Verdadeira atividade é a que tem ações reais 
(verdadeiras). Estas são as nossas e estão contra vocês.

Quanto aos critérios da "seleção" dos refugiados alojados (em okupas), só os que estão 
longe de tais ações "não sabem quais são (estes critérios)", como mencionais no artigo. A 
palavra seleção está longe de nossos desejos e de nossa necessidade moral de apoiar os 
direitos dos refugiados. Nossas possibilidades limitadas nos fizeram oferecer 
hospitalidade, primeiro aos mais vulneráveis, no marco do respeito mútuo, e obviamente 
respeitando umas regras (normativas) estruturadas pelas assembleias e não com condições 
tomadas pelos de cima e executadas pelos de baixo.

Sobre os gregos sem teto e os antiautoritários que não estão interessados neles, outra vez 
está desinformando. Esta desinformação é intencionada? Quem sabe os convêm ignorar o fato 
de que nas okupas se alojaram também pessoas de origem grega que não tem o fundamental 
para poder sobreviver. E os convêm para expor uns argumentos nada sólidos sobre uma 
situação que desconhece e que intencionadamente não investiga. Uma informação sobre os 
julgamentos que sucederam aos desalojados das okupas de teto os faria saber coisas e não 
dizer besteiras sem motivo algum. Se estivessem informados saberiam algo da atitude 
irônica das autoridades judiciais a nossos companheiros. Depois de tudo isso nos 
perguntamos como são recrutados os reféns, como dizem, e como se tira partido deles. 
Contamos com sua criatividade para receber uma resposta com argumentos a favor de seu 
libelo sobre nossas intenções e nossos motivos.

O que fará a Esquerda daqui em diante tem uma certa importância principalmente por motivos 
históricos. Em nossa consciência, nenhum governo, ainda que se autodenomine esquerdista 
não pode expressar nossos ideais e nossos sonhos. A "ética da Esquerda" e as lutas 
deveriam estar presentes hoje, aqui, e deveriam ocorrer no presente. As memórias do 
passado não podem taxar nem os desalojados das okupas nem o fato de que houve pessoas que 
foram expulsas à rua e foram levadas a julgamentos. Com a invocação do passado, não se 
podem taxar as operações repressivas de tipo militar em plena madrugada contra famílias 
com crianças que cometeram o delito de... dormir. Podem seguir contando seus triunfos 
eleitorais ou pelo menos seus compromissos, no entanto não esperem que nós consistiremos 
estes compromissos. Nós não queremos de forma alguma nos apropriarmos de sua clientela. 
Nós nos dirigimos às pessoas solidárias a qual existem e se fortalecem para edificar um 
mundo que merecemos. Um mundo que vocês não podem nos dar. Conte vocês memorandos e 
deixa-nos contar nossas almas.

Nenhum homem na rua. Nenhum edifício vazio.

Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

http://verba-volant.info/pt/resposta-da-coletividade-antiautoritaria-a-libelo-esquerdista-contra-as-okupas-de-teto-para-imigrantes-e-refugiados/


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