(pt) CAB, PUBLICAÇÕES: A FARSA DAS ELEIÇÕES - Texto retirado do jornal No Batente #6

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Quinta-Feira, 6 de Outubro de 2016 - 10:13:10 CEST


O ano de 2016 é ano de eleições municipais (para prefeitos e vereadores) e as discussões 
sobre política costumam aumentar bastante. ---- O POVO NÃO ACREDITA NOS PARTIDOS E 
POLÍTICOS PROFISSIONAIS ---- Vivemos em um período em que o povo brasileiro, em sua 
maioria, não confia nos partidos políticos e em políticos profissionais. De acordo com uma 
pesquisa de 2016 realizada em 27 países apenas 6% dos brasileiros confiam nos políticos 
profissionais (GfK Verein, 2016). Por outro lado, nesta mesma pesquisa, cerca de 87% da 
população brasileira confia nos professores. Outra pesquisa que aponta dados sobre essa 
questão revela que 91% da população brasileira não confia nos partidos políticos 
(Datafolha, 2015).

Essa falta de confiança e credibilidade não é sem motivo. Apesar de todas as promessas, o 
que percebemos são serviços públicos estão precários, aumento da violência policial, 
criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, diminuição de salários e empregos, 
além da divulgação de cada vez mais escândalos de corrupção.

O número de votos brancos, nulos e abstenções têm aumentado consideravelmente nas últimas 
eleições. Nas eleições presidenciais de 2010 foram 26%, já em 2014 esse número aumentou 
para 29%.

AS ELEIÇÕES SÃO UMA FARSA: QUEM ESCOLHE E QUEM MANDA SÃO OS DE CIMA.

No Brasil, assim como em todos os demais países capitalistas com democracias 
representativas, quem coordenada e direciona o Estado é a classe dominante. Além de serem 
os de cima que ocupam as cadeiras do legislativo e executivo, eles também estão ali para 
defender os interesses da classe dominante. Exemplo desse fato é que a metade dos 
governadores e dos deputados declara patrimônio de pelo menos R$ 1 milhão 
(''oficialmente'', já que eles declaram os valores que quiserem).

Assim como em inúmeros outros países, as famílias que dominam politicamente o Brasil estão 
há várias gerações nesta posição, algumas desde os tempos do Brasil Colônia. Sarney, 
Alves, Magalhães, Calheiros, Richa, Dias, Requião e Fruet são alguns exemplos. Ao mesmo 
tempo em que essas famílias estão sempre presentes nos cargos estatais, elas são donas de 
inúmeros latifúndios e empresas e possuem articulações profundas com todas as outras 
poderosas famílias de suas regiões. Para exemplificar isso, a Família Sarney tem 
patrimônio estimado em mais de R$250 milhões, dona de dezenas de imóveis, emissoras de 
rádio, televisão e muito mais. Outro exemplo é a Família Richa, que já recebeu - somente 
dos cofres públicos - mais de R$30 milhões, inúmeros cargos e secretarias para toda a 
família, sem contar nas inúmeras posses que têm.

No estado do Paraná, as famílias Richa, Requião - Mello e Silva, Malucelli, Rocha Loures, 
Khury, Beltrão, Camargo e Fruet são alguns exemplos que remontam à dominação econômica, 
política e social na região, chegando, em alguns casos, há mais de 300 anos de manutenção 
da família no poder do Estado. Donos de boa parte das terras do Paraná, de dezenas de 
empresas (corretoras de seguros, bancos, empreiteiras, emissoras de rádio e televisão) 
essas famílias ganham ou decidem quem vai ganhar cargos na maquina estatal bem antes do 
"espetáculo" das urnas.

Quem escolhe a música é quem paga a banda. E quem é que paga as campanhas eleitorais? Em 
sua maioria são empresas. Em 2014, por exemplo, foram R$3 bilhões investidos por empresas 
nas campanhas eleitorais R$500 milhões por pessoas físicas e R$ 72 milhões do fundo 
partidário (dinheiro público). Por mais que façam parecer que querem acabar com o 
financiamento empresarial de campanhas, é claro que a farsa das eleições não vai mudar. 
Essas famílias bilionárias que dominam o Paraná (e o Brasil) há séculos vão encontrar 
jeitos de continuar com seus privilégios - seja a partir da utilização de "laranjas" que 
farão doações em seus nomes para as campanhas, seja por meios ilícitos (como já acontece).

Nas eleições municipais de Curitiba em 2012, os candidatos Gustavo Fruet, Ratinho Júnior e 
Luciano Ducci receberam, cada um deles, mais de R$5 milhões de empresas como empreiteiras, 
supermercados e empresas de alimentos. Várias dessas empresas investiram em mais de um 
candidato, ou seja, qualquer um deles que ganhasse iria trabalhar de acordo com os 
interesses de quem investiu em suas campanhas.

O mesmo acontece com os demais cargos, como os vereadores, por exemplo. O financiamento 
parte de construtoras, empresas de transporte e de alimentos. Aqueles que ganham as 
eleições retribuem seus investimentos em projetos de leis favoráveis aos financiadores. O 
Estado serve para que a classe dominante continue a dominar.

DE ONDE PODEM VIR MELHORIAS PARA O POVO?

Os direitos sociais (trabalhistas, previdenciários, educação, saúde, etc.) não foram 
oferecidos "de mão beijada" pelos poderosos. Para a classe dominante, é interessante que a 
vida do povo seja precária e que não seja necessário o Estado investir em direitos 
sociais. Assim, sobra mais dinheiro para gastarem com outras coisas e obrigam o povo a se 
sujeitar a trabalhos precários, com jornadas longas e salários baixos.

Se hoje temos direito a férias, 13° salário, aposentadoria, sistema público de saúde 
(SUS), escolas e universidades públicas, linhas de ônibus que passam na periferia e outros 
tantos direitos, é porque milhares de lutadores e lutadoras sociais deram suor e sangue 
por essas causas.

Quando os movimentos sociais estão bem organizados e conseguem pressionar a classe 
dominante, o povo conquista novos direitos. Porém, quando os movimentos sociais estão 
desarticulados, a classe dominante se aproveita para tentar retirar os direitos já 
conquistados - como é o caso atual das privatizações dos serviços públicos, a reforma 
trabalhista e a reforma da previdência.

Não adianta acreditar que elegendo vereadores, deputados, prefeitos e presidentes "de 
esquerda", "bem intencionados", "os menos piores", iremos conquistar mais direitos e 
termos vidas mais dignas. É só a partir da luta e organização popular, nos sindicatos, 
escolas, movimentos urbanos, campo e floresta que poderemos resistir aos ataques, 
conquistar novos direitos e construir uma outra sociedade.

CONTRA A FARSA ELEITORAL E O CORTE DE DIREITOS!
SÓ A LUTA POPULAR DECIDE!

https://anarquismopr.org/2016/10/01/a-farsa-das-eleicoes/


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