(pt) [Itália] Nenhum Estado, Nenhuma Nação, Federalismo e Revolução By A.N.A. (en)

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Domingo, 2 de Outubro de 2016 - 14:12:44 CEST


Em 24 de setembro passado milhares de pessoas manifestaram-se em Roma, em solidariedade 
com o povo curdo. Mulheres e homens de todas as idades, desde as primeiras horas da manhã, 
chegaram à cidade de todas as partes da Itália, de norte a sul e das ilhas, para 
concentrar-se na Praça da Porta Pia. ---- A manifestação, aberta pela comunidade curda, 
foi seguida por movimentos de solidariedade de diferentes regiões, das mulheres, dos 
comitês, associações, do No Tav[Não ao Trem de Alta Velocidade], sem MUOS[Mobile User 
Objective System - Sistema de Telecomunicação Militar], centros comunitários e grupos 
anarquistas. ---- A USI-AIT[União Sindical Italiana-Associação Internacional dos 
Trabalhadores], sindicatos de base, a sociedade civil, todos juntos em apoio à resistência 
curda e as pessoas que vivem nesses territórios. Muitos, na verdade, libertários, 
representados pela Federação Anarquista ou não, têm respondido ao apelo feito nos passados 
dias pelo Grupo Anarquista Carlo Cafiero/FAI-Roma e da Federação Anarquista Italiana e 
participaram no segmento vermelho e negro "No State No Nation Federalism Revolution" 
(Nenhum Estado, Nenhuma Nação, Federalismo e Revolução).

A bandeira vermelha e negra da IFA[Internacional de Federações Anarquistas]e da USI-AIT 
caracterizou o percurso e não apenas enquanto a marcha desfilava pelas ruas da cidade. 
Perto da embaixada turca se ouviram gritos de protesto contra o fascista 
Edorgan[presidente turco]e canções de resistência curda foram entoadas ao longo da marcha. 
Já nos dias antes do evento tiveram lugar em Roma panfletagens e discursos por megafones, 
bem como um protesto realizado em frente ao posto de turismo da embaixada turca, ocorrendo 
ainda uma bicicletada e a abertura de faixas de solidariedade na Ponte Garibaldi, além de 
cartazes de solidariedade para o povo curdo terem preenchido as paredes da cidade.

O evento ocorreu exatamente um mês após a entrada do exército turco em Jarablus (cidade em 
território curdo/sírio). Jarablus é uma cidade perto da fronteira turco-síria e Kobane, 
cidade libertada em janeiro de 2015, depois de 137 dias de cerco do ISIS[Estado Islâmico].

A cidade de Kobane foi libertada pela resistência curda, pelos guerrilheiros e 
guerrilheiras das Unidades de Autodefesa do Povo (YPG) e Unidades de Autodefesa das 
Mulheres (YPJ).

O Estado turco, em 24 de agosto, invadiu Jarablus, obviamente, de forma concertada, uma 
vez que quando o exército turco chegou o ISIS tinha acabado de sair da cidade.

Uma invasão planejada pelo exército turco, acertada entre o Estado turco e o ISIS, tem 
como fim esmagar com sangue a revolução em Rojava (Curdistão sírio). O Estado turco já 
começou a "Operação Escudo Eufrates" para implementar a solução final e a aniquilação do 
povo curdo.

O projeto do genocídio dos curdos e de todos os povos que vivem na região do Curdistão 
veio depois de um ano de derramamento de sangue e guerra, milhares de mortes de civis, 
centenas de aldeias, vilas destruídas e execuções sumárias, forçando milhares de 
deslocamentos.

Nas regiões da Turquia, uma maioria curda (Bakur) está agora em uma guerra aberta contra a 
população civil.

Após a falha do golpe militar na Turquia em julho, Erdogan tem fortalecido sua ditadura e 
aumentou o terror entre a população não só curda. Tem sido eliminada a liberdade de 
imprensa em todo o país, foram presos jornalistas e advogados, demitidos dezenas de 
milhares de funcionários públicos, professores e acadêmicos, objetores ao serviço militar, 
ao passo que se tem aumentado a repressão de grupos ativos nas lutas e movimentos sociais, 
sob o pretexto do estado de emergência.

Anarquistas, socialistas e grupos curdos democratas foram atingidos pela atitude 
liberticida do governo turco. Mesmo os anarquistas e o grupo anarquista DAF (Devrimci 
Anarsist Faaliyet / Ação Revolucionária Anarquista) foram atingidos pela repressão quando 
seu jornal Meydan foi fechado.

O projeto de Erdogan de criação de uma "zona tampão", uma parede incompleta ao longo da 
fronteira turca/síria, segue assim em frente e é o lugar onde o Estado turco tem feito e 
continua a avançar suprimentos para o ISIS.

Em 13 de agosto, a cidade de Mambij foi libertada pelas Forças Democráticas Sírias (FDS) 
controlada pelo Estado Islâmico. Um passo importante para a revolução em Rojava (Curdistão 
sírio). Este avanço dos curdos na resistência e derrota do ISIS não foi apreciado pelo 
regime turco de Erdogan e sírio de Assad.

Com a revolução em Rojava (Curdistão sírio), em julho de 2012, o movimento de libertação 
curdo criou um sistema de autogestão de conselhos nas áreas urbanas e rurais com base no 
comunitarismo, uma auto-organização federalista fundada sobre a ecologia, a igualdade na 
diversidade dos povos, de culturas e gêneros. O avanço da autodeterminação dos curdos é 
uma ameaça ao capitalismo, ao Estado, ao patriarcado, e as potências imperialistas e os 
negociantes de armas que lucram com a guerra.

Sob o pretexto de ajudar os refugiados criados por uma guerra da qual o Estado turco está 
diretamente envolvido, a UE[União Europeia]concedeu a tal Estado 6 bilhões de euros, e 
acrescentou, nos últimos dias, 348 milhões de euros.

Em Rojava, em Bakur, como na Itália e no resto do mundo a revolução numa perspectiva 
libertária é patrimônio de todos os anarquistas e os grupos anarquistas internacionalistas.

Gruppo Anarchico Carlo Cafiero - FAI-Roma

Fonte: 
http://www.umanitanova.org/2016/09/26/nessuno-stato-nessuna-nazione-federalismo-rivoluzione/

Tradução > Liberto

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2016/09/28/italia-nenhum-estado-nenhuma-nacao-federalismo-e-revolucao/


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