(pt) cabn libertar: [CAB] 25 de novembro: Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher. Lutar contra todos os tipos de violência hoje e sempre!

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Terça-Feira, 29 de Novembro de 2016 - 14:50:55 CET


O dia 25 de novembro foi instituído como o Dia Internacional da Não-Violência Contra a 
Mulher em 1999, homenageando as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, "Las 
Mariposas" - brutalmente assassinadas em 1960 a mando do ditador Rafael Leônidas Trujillo, 
da República Dominicana. As três, que combatiam corajosamente a ditadura de Trujillo, 
foram estranguladas por agentes do Serviço de Inteligência Militar dominicano que, para 
simular um acidente de carro, jogaram seus corpos em um precipício. Em 2016, o movimento 
feminista também lembra os dez anos de vigência da Lei Maria da Penha. ---- Em vários 
espaços, várias formas de violência destroem nossas vidas: violências domésticas, no 
ambiente de trabalho, nas ruas, nos transportes coletivos, nas escolas e universidades - 
quer sejam violências físicas, sexuais, psicológicas ou simbólicas. O Estado, o 
patriarcado e o capitalismo estão intimamente envolvidos na opressão e repressão de nossos 
corpos e vidas.

Em série especial chamada "Violência contra a mulher no mundo", de 2014, a Organização das 
Nações Unidas (ONU) reúne dados importantes para entendermos o problema social da 
violência contra a mulher. Segundo este documento, a violência contra a mulher é a 
violação de direitos humanos mais tolerada no mundo. Essa pesquisa usa o termo feminicídio 
para designar toda violência contra mulher que leva ou pode levar à morte.
Os números do feminicídio são alarmantes e se dividem majoritariamente entre 1) 
feminicídios íntimos: 35% de todos os assassinatos de mulheres no mundo são cometidos por 
um "parceiro"; 2) feminicídio não-íntimo: são crimes cometidos por alguém que não tenha 
relações íntimas com a mulher. A América Latina é uma das regiões mais conturbadas por 
crimes como estes: estupros, assédios e assassinatos; 3) crimes relacionados ao dote: é 
mais evidente no continente asiático, onde a cultura do "dote" ainda é forte; 4) 
casamentos forçados: mais de 100 milhões de meninas poderão ser vítimas de casamentos 
forçados durante a próxima década; 5) mutilação genital feminina: mais de 135 milhões de 
meninas e mulheres vivas já foram submetidas a essa prática aviltante em 29 países da 
África e Oriente Médio; 6) "Crimes de honra": são homicídios de mulheres, jovens ou 
adultas, a mando da própria família, por alguma suspeita ou caso de "transgressão sexual" 
ou comportamental, como adultério, recusa de submissão a casamentos forçados, relações 
sexuais ou gravidez fora do casamento - mesmo se a mulher tiver sido estuprada. O crime é 
praticado para não "manchar o nome da família". 5 mil mulheres são mortas por "crimes de 
honra" no mundo por ano.

Além disso, segundos dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em todo o 
mundo, 52% das mulheres economicamente ativas já sofreram assédio sexual no ambiente de 
trabalho.

Em um documento chamado "Diretrizes Nacionais para Investigar, Processar e Julgar com 
Perspectiva de Gênero as Mortes Violentas de Mulheres - Feminicídios", pesquisa aponta que 
no Brasil, a taxa de feminicídios é de 4,8 para 100 mil mulheres - a quinta maior no 
mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
No nosso país, 43% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente; 
para 35%, a agressão é semanal, segundo o Centro de Atendimento à Mulher. Em média, a cada 
11 minutos uma mulher é estuprada em nosso país, de acordo com o Fórum Brasileiro de 
Segurança Pública.
Num ranking mundial elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, que analisou a desigualdade de 
salários entre homens e mulheres em 142 países, o Brasil ficou na 124ª posição, com uma 
previsão de 80 anos para que elas ganhem o mesmo que eles. Igualdade de salários só em 
2095! As brasileiras ganham, em média, 76% da renda dos homens, segundo o IBGE.
Segundo o mapa da violência de 2015, a população negra, com poucas exceções geográficas, é 
vítima prioritária da violência homicida no país. As taxas de homicídio da população 
branca tendem, historicamente, a cair, enquanto aumentam as taxas de mortalidade entre os 
negros. Por esse motivo, nos últimos anos, o índice de vitimização da população negra 
cresceu de forma drástica. O número de homicídios de mulheres brancas caiu de 1.747 
vítimas, em 2003, para 1.576, em 2013. Isso representa uma queda de 9,8% no total de 
homicídios do período. Já os homicídios de negras aumentaram 54,2% no mesmo período, 
passando de 1.864 para 2.875 vítimas.

O principal agressor da mulher é o seu "companheiro" ou "ex-companheiro" e o local onde é 
realizada a agressão é, em 71,9% dos casos, o ambiente privado (residência), seguido da 
rua com 15,9%. A violência física é a mais frequente (48,7%), seguida da violência 
psicológica (23%) e, em terceiro lugar, vem a violência sexual (11,9%).
Todos estes dados passam longe da cruel realidade das mulheres, pois muitas violências e 
violações não são sequer denunciadas, mas servem à reflexão sobre a dimensão do problema 
da violência contra a mulher no mundo. Pensar em um processo de transformação social exige 
necessariamente que pensemos no enfrentamento a todas as formas de violência contra a 
mulher, cotidianamente, através de nossas organizações políticas e movimentos sociais.
O Estado, através dos poderes executivos, legislativos e judiciário negligencia políticas 
públicas de gênero, oprime e criminaliza as mulheres. A mídia machista objetifica nossos 
corpos e legitima as violências de gênero. O capitalismo nos explora mais e nos paga menos 
pelos mesmos serviços.

A atual conjuntura de corte de direitos sociais em nosso país avança também sobre nossas 
liberdades. A conhecida lei da mordaça impede professoras de abordar em sala de aula 
assuntos como diversidade sexual e de gênero. A contracepção através da pílula do dia 
seguinte pode ser barrada. O aborto é proibido, criminalizado e sua ilegalidade já fez 
centenas de mulheres pobres vítimas em clínicas clandestinas neste ano.
É urgente nossa organização e auto-organização para barrar o capitalismo, o patriarcado e 
o Estado, pois sabemos que só através da luta social cotidiana, internacionalista, desde 
baixo e à esquerda podemos transformar essa realidade.

Precisamos tomar as ruas contra as ofensivas do Estado, fortalecer a auto-defesa e criar 
espaços de solidariedade para o enfrentamento a todos os tipos de violências contra a 
mulher. Façamos nós por nossas mãos tudo o que a nós nos diz respeito!

Construir mulheres fortes!

Construir um povo forte!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

http://www.cabn.libertar.org/cab-25-de-novembro-dia-internacional-da-nao-violencia-contra-a-mulher-lutar-contra-todos-os-tipos-de-violencia-hoje-e-sempre/


More information about the A-infos-pt mailing list