(pt) CALC: FORTALECER A IDENTIDADE, PROMOVER ORGANIZAÇÃO DE BASE E SEGUIR NA LUTA EM DEFESA DE DIREITOS SOCIAIS!

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Sábado, 19 de Novembro de 2016 - 13:47:08 CET


Em uma tarde de sol e fortes rajadas de vento nos campos do sudoeste paranaense, neste 
último sábado - 5 de novembro, foi realizada mais uma atividade de comunicação popular e 
organização de base por estudantes, indígenas, professores e comunicadores populares na 
ocupação da Universidade Federal Fronteira Sul em Laranjeiras do Sul. Esta foi a primeira 
universidade federal a puxar este processo de ocupações pelo imediato cancelamento da PEC 
241 (55) e da MP 746/16. ---- Organizada pelo movimento estudantil autônomo da 
universidade, foi realizada uma oficina sobre comunicação popular e as rádios populares, 
livres e comunitárias como instrumento de luta e organização dos/das oprimidos/as. Foram 
exibidos trechos do filme "Uma Onda no Ar", de Helvécio Ratton, e distribuído o jornal "No 
Batente", publicação do Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC). Promovido pelo Coletivo 
de Articulação de Rádios e Comunicação Popular Indígena e por estudantes kaingang de 
Educação do Campo da UFFS, o objetivo da atividade foi dar seguimento ao processo de 
articulação da comunicação popular indígena, envolvendo além dos lugares de moradia, os 
lugares de estudo e trabalho. Esta também foi uma atividade importante pelo marco 
histórico que representa - um ano de construção de organização popular através de rádio 
livre no sudoeste paranaense em território kaingang!

Através de um debate sobre o que a comunicação popular pode denunciar e propor através da 
nossa própria luta cotidiana, os participantes da oficina tiveram a iniciativa de 
construírem pequenos áudios-programas sobre temas cotidianos que hoje estão "fora" da 
mídia comercial, no entanto estão dentro do dia-a-dia de cada um. Assim foram construídos 
pequenos programas sobre a luta e a dignidade indígena[1], sobre a ocupação da UFFS[2], 
uma entrevista de uma estudante ocupada na UFFS[3]e um relato dos educadores populares 
presentes na oficina[4].

Estamos em uma conjuntura de avalanche de ataques aos nossos direitos sociais e para 
respondermos a esses ataques é necessário nos organizarmos a partir de instrumentos de 
luta como as rádios populares, livres e comunitárias. Desde a década de 1950, várias 
populações tradicionais da América Latina têm se organizado por meio de rádios e da 
comunicação popular na denúncia dos ataques de grupos de mineradoras, de empresas com 
claros objetivos de privatizar recursos naturais, grandes madeireiras, indústrias 
farmacêuticas, contra seus territórios tradicionais. É fato que antes mesmo de servirem 
como instrumento de defesa dos direitos sociais, as rádios populares, livres e 
comunitárias servem para o fortalecimento da identidade e cultura indígena, com uma 
programação construída pelo próprio povo. A reprodução da programação no idioma nativo 
fortalece uma cultura que esta cada vez mais ameaçada pela expansão da cultura branca, 
apoiada na mídia comercial.

No Brasil, o maior conglomerado de comunicação é controlado por uma só família, a família 
Marinho. A Rede Globo detém uma complexa, hierarquizada e capilarizada organização dos 
meios de comunicação, que vai desde jornais, revistas, rádios, TVs, portais de internet 
até selos de gravadoras, grupos de publicidade, propaganda e marketing, estúdios 
fonográficos, entre outros, conformando sua influência no país e dando um tamanho poder de 
dizer "a verdade" sobre a formação histórica da sociedade brasileira e como ela pensa. 
Construir alternativas a estes meios de comunicação é estrategicamente necessário para 
caminharmos rumo a autonomia e como ferramenta de combate ao capitalismo.

Apostamos nossas energias na construção de rádios populares, livres e comunitárias em 
territórios indígenas, quilombolas, camponeses, favelas, ocupações urbanas, escolas, 
universidades, bairros e todo espaço de encontro dos/das marginalizados/as, excluídos/as, 
oprimidos/as, explorados/as. A partir da discussão sobre nossa realidade, nossos 
cotidianos, a organização em torno de instrumentos de classe, de rádios populares por 
exemplo, é possível darmos voz a quem nunca foi ouvido/a, expressar aquilo que sempre foi 
marginalizado, denunciar aquilo que nunca tinha sido denunciado.

Pela reforma agrária da terra e do ar!

Por uma comunicação popular e livre!

  Novembro de 2016, Laranjeiras do Sul, Paraná.

Coletivo de Articulação de Rádios e Comunicação Popular Indígena

Coletivo Rádio Gralha

Coletivo Anarquista Luta de Classe/CAB

[1]          https://archive.org/details/radio_ocupa_uffs

[2]          https://archive.org/details/Radio_Ocupa_Uffs_2

[3]          https://archive.org/details/radio_ocupa_uffs_3

[4]          https://archive.org/details/radio_ocupa_uffs_4

https://anarquismopr.org/2016/11/13/fortalecer-a-identidade-promover-organizacao-de-base-e-seguir-na-luta-em-defesa-de-direitos-sociais/


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