(pt) Brazil, Coletivo Quebrando Muros - Salários atrasados, universidades fechadas e RU mais caro: 2016 será ano de lutas no Paraná

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Sexta-Feira, 22 de Janeiro de 2016 - 09:02:47 CET


AUMENTO DO RU PRENUNCIA NOVOS ATAQUES AOS TRABALHADORES E ESTUDANTES ---- Desde o dia 12 
de janeiro trabalhadores da Universidade Federal do Paraná, técnicos administrativos, 
professores/as, funcionários/as da funpar, do hc e terceirizados/as passarão a pagar o 
valor integral de 6 reais nas refeições do RU. Até a data, professores/as pagavam 2,40, 
terceirizados/as eram isentos/as e demais trabalhadores/as pagavam 1,90. O reitor afirmou 
que a medida não afetaria os/as estudantes, já que o congelamento do preço do RU foi parte 
do acordo da greve. O aumento do preço já era algo previsto pelas trabalhadoras do ru, que 
relatam que há tempos o restaurante não tem recursos para funcionar. De acordo com 
funcionárias, os fornecedores não são pagos há meses, e por conta disto alguns estão se 
recusando a entregar os produtos, o que tem limitado bastante o cardápio do ru. A previsão 
é que isso se agrave nos meses de férias, podendo ser repetida a experiência que tivemos 
no primeiro semestre de 2015 de o RU servir apenas arroz e feijão.

CORTES ATINGEM OUTROS SERVIÇOS DA UFPR

A situação do restaurante universitário é uma amostra da universidade como um todo: cada 
vez mais precarizada e sofrendo cortes de recursos. Os/as funcionários/as terceirizados 
estão sentindo isso do modo mais imediato, com a insegurança de não saber se o salário 
virá ou não. A UFPR atualmente contrata serviço de várias empresas terceirizadas para 
segurança (Poliservice), portaria (Habitual), RU (Progresso), limpeza (WW Serv), 
manutenção (CDN). Todavia, com todas se repete a mesma relação de descaso para os 
trabalhadores/as e as mesmas falsas promessas nas negociações. Em dezembro a circulação do 
intercampi foi paralisada por falta de pagamento dos motoristas terceirizados da empresa 
Habitual. Terceirizados/as da empresa Habitual contam que houve casos de motoristas que 
precisaram realizar empréstimos para voltar de viagens para a universidade pois não apenas 
não receberam o salário, mas também faltou o pagamento do custeio do deslocamento. Desde o 
primeiro mês que a empresa, que também emprega os/as funcionários/as da portaria, foi 
contratada, os pagamentos estariam vindo parcelados, o que causa muitos prejuízos para o 
orçamento desses/as trabalhadores/as, já que suas despesas não podem esperar. A falta de 
pagamento também se estendeu às funcionárias da limpeza e RU. As trabalhadoras da limpeza, 
contratadas pela WW Serv, informam que, além do atraso no pagamento, não há o fornecimento 
de materiais de limpeza, tendo que elas próprias comprar esses produtos para manter limpa 
a universidade. Elas já haviam feito uma paralisação no início do semestre pelos atrasos 
no salário. No RU, uma funcionária desabafa dizendo que espera que a paralisação do RU 
tenha sensibilizado os estudantes: “É muito ruim vocês ficarem sem almoço, mas nós estamos 
passando por isso todo dia, pela incerteza de não ter comida em casa porque não estamos 
recebendo o salário.”. As trabalhadoras temiam que no período de férias, sem a presença 
dos alunos para auxiliar na pressão à reitoria, os salários voltassem a atrasar. 
Felizmente, após a mobilização em dezembro os salários foram pagos e o do mês de janeiro 
recebido sem atrasos.

Foto: Greve das trabalhadoras terceirizadas da limpeza em setembro, na UFPR

DEPOIS DE UM ANO E MEIO DE EBSERH…

Funcionários e funcionárias do HC, que desde o ano passado é administrado pela Empresa 
Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), contam que desde que a EBSERH entrou a 
qualidade do trabalho e do serviço piorou muito. Não há itens básicos de escritório, como 
papel para imprimir os prontuários. A EBSERH é uma empresa pública com caráter privado, ou 
seja, ela capta recursos públicos mas tem uma administração privada e atende a demandas de 
uma empresa privada. De acordo com a própria administração da reitoria a tendência é que o 
HC cada vez mais se desvincule da UPFR. Por exemplo, em breve os funcionários do HC não 
poderão mais utilizar o RU para fazer suas refeições. Os/as trabalhadores/as da Funpar/HC 
relatam que além da falta de materiais básicos também estão sofrendo com atrasos nos 
salários repetidamente, inclusive nos últimos dois meses, dezembro e janeiro. Além disso, 
referem a intensificação de casos de assédio moral após a entrada da empresa na 
administração do hospital.

UNIVERSIDADES ESTADUAIS DE PORTAS FECHADAS DEVIVO AO NÃO-PAGAMENTO DE TERCEIRIZADAS

Na UNESPAR a situação não é diferente, e no campus de Curitiba II (FAP) os trabalhadores 
paralisaram em dezembro também em razão do não pagamento de salários. Lá os 
terceirizados/as da empresa Hpimentel, que prestam serviços técnicos especializados em 
cinema, teatro e informática, já estavam há um ano sem receber regularmente, com atrasos 
ou descontos. As trabalhadoras da limpeza são empregadas da empresa Tecnolimp, que em 2015 
havia diminuido pela metade o quadro de funcionárias. Trabalhando o dobro para receber o 
mesmo salário, em dezembro a previsão era de que não haveria pagamento de salário ou 
décimo terceiro para as/os trabalahdoras/es de ambas as empresas. A universidade, que teve 
seu orçamento cortado em cerca de 50% esse ano, teve as atividades no Campus II (FAP) 
encerradas com a paralisação, pois sem os/as terceirizados/as a universidade não tem 
condições de funcionar. Por esse motivo, as aulas foram suspensas e as férias antecipadas.

Foto: faixa do movimento estudantil da UNESPAR Curitiba II (FAP) em apoio às/aos 
trabalhadoras/es terceirizadas/os.

Outros campi da UNESPAR, como Paranaguá, e a Universidade Estadual do Centro-Oeste 
(UNICENTRO), também tiveram suas atividades encerradas devido aos cortes, que tornaram a 
situação alarmante em todas as universidades estaduais. Todos os campi da UNESPAR acumulam 
dívidas gigantescas com empressas e fornecedores. Em União da Vitória, os/as 
trabalhadores/as terceirizados/as também estão sem salário. Lá e em Campo Mourão, os 
atrasos em pagamentos acarretaram em dívidas que podem impedir o início das aulas em 2016.

O atraso no salário dos/as terceirizados/as vem de uma longa cadeia: a empresa 
terceirizada não paga porque a reitoria não realiza o pagamento, porque os governos, 
federal ou estadual, atrasam ou cortam o repasse de verbas. No momento de negociação, quem 
participa não são os trabalhadores, aqueles que sofrem e estão diretamente implicados, mas 
apenas os patrões (reitoria e empresa) e um sindicato deslocado que se alinha mais com os 
patrões do que com os trabalhadores. A atuação do Siemaco, sindicato que deveria 
representar os terceirizados/as, consiste em tentar destruir qualquer tentativa de 
mobilização por parte dos trabalhadores/as. Na última paralisação das funcionárias da 
limpeza, as trabalhadoras faziam um ato no pátio do RU. O Sindicato ligou para as 
terceirizadas dos outros campi advertindo que elas não deveriam se juntar ao protesto, mas 
permanecer em seus locais de trabalho esperando o momento de voltar a trabalhar. O que o 
Siemaco espera é que os/as trabalhadores/as façam uma greve em silêncio, esperando apenas 
o resultado de negociações das quais eles não podem participar, mas que estão decidindo 
sobre suas vidas. Desse modo, sindicato, empresa, reitoria e Estado demonstram seu total 
descaso e falta de interesse pelas condições de vida e trabalho dessas pessoas.

Declaramos nosso repúdio a essa situação e à luta dos/as terceirizados/as nosso total 
apoio, pois nessas horas todo apoio é decisivo! Desde o início estivemos presentes ao lado 
das trabalhadoras e trabalhadores dando o suporte que nos estava ao alcance. Portanto, 
chamamos toda a comunidade acadêmica para prestar solidariedade à essa luta, para ficarmos 
atentos aos ataques às/aos terceirizadas/os e, quando preciso, fazermos barulho juntos e 
garantirmos que não caiam represálias sobre aqueles que não estão pedindo nenhuma esmola, 
mas reivindicando seus direitos. Criticamos, também, os sindicatos pelegos e 
burocratizados que não incentivam a luta e ainda tentam acalmar as iniciativas próprias de 
trabalhadores/as. São os terceirizados/as que mantêm funcionando as Universidades e um 
ataque a eles/elas é um ataque à toda comunidade acadêmica e toda a classe trabalhadora! 
Sejam estudantes, terceirizados/as, técnicos/as e professores/as, nossa luta é junta! 
Neste momento, estudantes da UFPR assistem o PIBID, Programa de Iniciação a Docência, 
sendo aos poucos exterminado, limitando sua formação caso queiram ser professores. A Capes 
anunciou que não admitirá novos bolsistas e cortará gradativamente aqueles que estão 
cadastrados. Além de tudo, bolsistas do PIBID também correm o risco de deixar de receber 
suas bolsas nas férias entre o pouco tempo que lhes resta de programa. Já sofremos das 
mais variáveis barreiras para entrar na universidade, e quando conseguimos, não temos 
assistência estudantil para permanecer nela, inclusive porque há injustiça para com 
aquelas/es que a mantêm!

Dizemos basta a essas peneiras sociais, dizemos chega de injustiça e descaso! Queremos 
condições de ensino e de trabalho. Queremos nossas bolsas e nossos salários, e por isso 
vamos lutar. Venha junto! A existência da universidade pública depende de nossa 
mobilização e todo apoio é crucial!
https://quebrandomuros.wordpress.com/2016/01/15/salarios-atrasados-universidades-fechadas-e-ru-mais-caro-2016-sera-ano-de-lutas-no-parana/


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