(pt) anarkismo.net: As capas da revista The Economist e os sistemas de pressão internacional: os piratas ingleses atacam permanentemente by BrunoL

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Quinta-Feira, 21 de Janeiro de 2016 - 17:37:51 CET


Introdução ---- A publicação inglesa The Economist traz em suas capas um modelo de 
operação de pressões internacionais e ajudam a derrubar políticas econômicas. Suas capas 
operam como chantagem orquestrada pelo elo forte do capital financeiro transnacional 
operando a partir do eixo NYC-Londres. Entendo que – de fato e de uma vez por todas – essa 
bandidagem de Armani e Dior tem de ser desmascarada e perder seu poder de influência em 
nossos países (da América Latina). O problema é de fundo e já vem sendo por demais 
debatido nas várias gerações das ciências humanas e sociais do Brasil e dos países 
hermanos. ---- Os fatores de “queda” do segundo mandato Dilma para a revista são 
justamente o que é relativamente destacável. ---- Dói constatar que Fernando Henrique 
Cardoso tinha razão, só que em 1967. FHC ao menos nisso estava certo: a dependência é 
estrutural e, por consequência, estruturante. Assim, se tivermos de classificar o andar de 
cima, não é nenhum exagero denomina-lo como é vira-lata, vende pátria e intrinsecamente 
entreguista. Ouso afirmar que se os países anglo-saxões nos atacam, os inimigos de classe 
e aderentes às teses do Império como se todas e todos tivessem green card dos Estados 
Unidos, se sentiriam culpados e imaginando: “Algo fizemos para sermos atacados!”.

O problema da descolonização de nossas mentalidades políticas e a postura 
anti-colonialista necessária para gerar o impacto e a autenticidade da luta popular no 
Brasil, se vê contra a parede. A “solução” ofertada para a massa é o pós-stalinismo, 
pós-trabalhismo ou a versão contemporânea do varguismo, o lulismo. Este fenômeno ainda 
petista prefere – e vem apontando – pela via do “pragmatismo” outra saída: aliar-se aos 
oligarcas e oligopólios nacionais cartelizados e entrar de sócio menor da China em escala 
mundial. Dentro desse maldito colonialismo, observemos o vira-latismo e seus paradoxos.

The Economist e o viralatismo estrutural da direita brasileira

A publicação inglesa The Economist, em sua primeira edição do ano (de 2 a 8 de janeiro de 
2016) trouxe a presidente Dilma Rousseff na capa sob o título Brazil’s Fall: Dilma 
Rousseff and the disastrous year ahead (A queda do Brasil: Dilma e o ano desastroso pela 
frente). Imediatamente após esta divulgação, houve enorme repercussão nas redes sociais 
através da difusão das mídias corporativas e prontamente a profecia macabra ecoou no 
Brasil com ares de verdade anunciada.

Sou obrigado a reconhecer os impactos deste tipo de achaque em escala mundial, e 
obviamente, em nosso país. Continuo afirmando que este governo é indefensável, mas que 
isso não pode implicar em fazer coro com a direita que não é governo. Os fatores de 
“queda” do segundo mandato Dilma para a revista são justamente o que é relativamente 
destacável.

O receituário da revista vai ao encontro do programa do governo Michel Temer (o vice que 
não consumou o golpe palaciano) denominado “Uma ponte para o futuro”. Logo, não tem como 
reproduzir tais absurdos como a desvinculação total das receitas segundo o preceito 
constitucional e menos ainda defender a desregulamentação da força de trabalho. É este 
tipo de panaceia a moda vale tudo dos anos 90, como quando elogiam o período FHC e mesmo 
Fujimori, que pode fazer de nosso país o inferno tropical na terra.

A maldita publicação dos especuladores em língua inglesa – e vergonhosamente reproduzida 
pela Carta Capital no Brasil – elogiam a guinada à direita da América Latina quando o que 
até agora ocorreu foi a vitória do menemismo na Argentina e o triunfo nas eleições 
parlamentares dos escuálidos na Venezuela. Vale observar que o triunfo venezuelano tão 
proclamado não passou de 300 mil votos sendo o chavismo derrotado por seus seguidores 
desiludidos e não pela direita pró yankee.

Se observarmos os efeitos diretos no imaginário político conservador, basta notar o 
viralatismo visceral nos mais de 8000 comentários no perfil de O Globo quando a direita 
que perdeu na urna (a brasileira) comemora a capa contrária como uma vitória pontual. É 
fato. A pressão desta revista que opera como porta voz dos especuladores em escala mundo é 
muito grande, andando de patas dadas com o ataque da alta do dólar e a picaretagem das 
notas emitidas pelas agências de risco.

Os chantagistas e especuladores continuam atacando o Brasil

Eu já repeti isso à exaustão e me vejo obrigado a retomar o argumento. Há um sistema de 
retroalimentação entre a mídia especializada, as agências de “rating”, os operadores de 
mercado e as instituições financeiras com envergadura mundial. A agência de “análise” de 
risco Fitch Ratings rebaixa ainda no final de 2015 mais uma vez a nota do Brasil, passando 
para BB+, classificando nosso país como grau especulativo, junk bond (ação lixo, ações 
podres, títulos buitres como dizem na Argentina, papeles buitres….) o que já implica em 
obrigações contratuais de venda dos títulos do Tesouro brasileiro. Diversos fundos de 
pensão e de investimentos têm em sua cláusula contratual e de funcionamento, a obrigação 
de apenas comprar papéis de países com uma nota relativa das agências e, estas devem vir 
acompanhadas de uma alta taxa de remuneração. Quanto maior o “risco”, maior a sangria 
especulativa através do retorno da taxa de juros reais. O Brasil já tem a maior taxa 
básica de juros do mundo e talvez ainda aumente, pois a Standard & Poor’s rebaixou a nota 
brasileira em setembro e agora é a vez da menor das três, a Fitch, restando apenas a Moody’s.

Ouso afirmar que, para este momento, a melhor opção para os especuladores seria uma 
liquidação total das políticas do lulismo e a aplicação à risca dos passos observados pelo 
receituário neoliberal. Por isso tanto entusiasmo com o golpe paraguaio na forma de 
impeachment cuja canoa já faz água. Para os tubarões do mercado financeiro, todo dia é dia 
de carne fresca, e a 7a economia do mundo com um ainda vigoroso mercado interno de mais de 
100 milhões de consumidores médios é um prato cheio. Este governo – ou o que dele resta – 
já fez a inflexão possível para o ajuste fiscal e o inexorável caminho das restaurações 
neoliberais e sabe que se apertar mais o cinto, teremos um início de colapso das 
instituições formais mais importantes. Quando há aperto no orçamento e execução de gastos 
públicos, a conta é paga na calçada, na sinaleira e na marquise, aumentando o crime contra 
a vida e patrimonial, o índice de moradores e menores de rua além do aumento da extrema 
pobreza.

Apontando conclusões óbvias

Para os tubarões e alto executivos com trajetória no mercado financeiro – estando hoje 
dentro ou fora do governo, na situação – como estava Joaquim Levy até 18 de dezembro de 
2015 – e na oposição – como Armínio Fraga, o quase ministro da Fazenda de Aécio – valem as 
antigas regras do mar. “Saque e butim” após o ataque e conquista da presa. As agências 
fraudulentas fortalecem o eixo financeiro Nova York-Londres e reforçam a dominância dos 
especuladores.

Não há como negar que a chantagem avança sobre o Brasil. Ainda na última semana de 2015, 
quando o governo aponta o aumento do salário mínimo a R$ 880,00 e na sequência 
criminosamente veta na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) o reajuste do Bolsa Família 
conforme as perdas da inflação acumulada no anterior, o tal do mercado – cuja opinião é 
apreciada através dos tecnocratas do Banco Central e publicada no Boletim Focus – já se 
plantava a “necessidade” de mais um aumento da taxa básica de juros, defendendo uma Selic 
a 15,25%! Hoje a alta dos juros é quase que uma profecia anunciada, sempre lembrando que o 
patamar mínimo chegou a 10 por cento até a retomada da alta no início de 2014, não por 
coincidência, ano eleitoral e momento chave para manter a Febraban na linha de defesa do 
governo Dilma e sua possível (e cumprida) reeleição.

Retomando o argumento da dependência estrutural externa e internamente, logo estruturante 
em todas as esferas da vida social, admite-se que o capitalismo periférico aqui praticado 
consegue reproduzir conflitos em escala global e ter reprodutores de confiança destas 
perspectivas em nosso país. Assim, os corsários ingleses da The Economist sempre encontram 
eco na bandidagem de terno e gravata no país dos sonegadores e terra da especulação e da 
economia.

Bruno Lima Rocha é professor de ciência política e de relações internacionais.

Site: www.estrategiaeanalise.com.br
Email: strategicanalysis  riseup.net
Facebook: blimarocha  gmail.com

http://www.anarkismo.net/article/28988


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