(pt) [Argentina] 2001, ontem e hoje -- Conselho Federal da FORA-AIT By A.N.A.

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Sexta-Feira, 30 de Dezembro de 2016 - 08:07:05 CET


15 anos se passaram desde a revolta popular que quebrou o sistema político-econômico do 
país daquele momento, depois de anos de repressão, ajustes e submissão para manter a festa 
das empresas e dos ricos se havia chegado a um ponto sem retorno, um ponto de inflexão que 
chegaria até hoje, ainda que não nos demos conta. ---- Os partidos políticos tradicionais 
eram parte do saqueio da região Argentina e tratavam de manter a ordem social imperante. 
Correndo os anos 90, os problemas que o neoliberalismo gerava e as receitas econômicas 
aplicadas pelo governo com amplo consenso político se começavam a sentir cada vez mais, ao 
passo que o tecido social se desgarrava ao aumentar dia após dia o desemprego, o 
fechamento de fábricas, as pessoas que ficavam nas ruas, perdendo seus trabalhos e casas 
graças a uma modernização do país que era apregoada somente por aqueles que dela iam se 
beneficiar: os empresários. Para paliar a situação (reduzir a conflitua lidade social), 
partidos como o PJ lançavam nos bairros pobres bolsões de comida, com seus chefes 
políticos a frente, aproveitando-se das necessidades, da fome e da falta de oportunidades 
para sair adiante e sobreviver, colocando também as pessoas uma contra as outras e 
fomentando a competição entre os pobres para se beneficiar.

Assim, os trabalhadores ocupados e desocupados foram se organizando paulatinamente e 
resistindo como podiam, claros exemplos são a capa branca dos docentes, os movimentos 
piqueteiros nascidos em Cutral Có e que se estenderam por toda região. A resistência com o 
passar do tempo foi tomando outra dimensão, com o começo das fábricas recuperadas e a 
organização dos bairros sem líderes de partidos rompeu com o esquema de passividade no 
qual nos víamos acostumados ante a falta de resposta e possibilidade de seguir adiante nas 
condições em que se estava, quando os próprios vizinhos passaram a resolver os seus 
problemas no bairro, com trabalhadores que viram a fábrica vazia e fechada e resolveram 
impedir o patrão de lhes levar a fonte de seu trabalho, tomando-as para resguardar as 
máquinas e logo colocá-las para produzir, gerando também uma quebra na representação 
sindical. Sindicatos cúmplices com essa política de renovação tecnológica abandonaram os 
trabalhadores afetados a sua própria sorte. Já não tinham nada que dizer ou fazer, pois 
eles eram também culpados pela situação com sua traição.

E agora retornemos à atualidade: quanto mudou os sindicatos? Acaso aprenderam alguma 
lição? Realmente lhes importa que não se repita essa situação? O governo de Macri, como 
bem sabemos, aprofunda o ajuste e a repressão com as ferramentas do governo anterior, 
aumentando a mão de obra desocupada para reduzir custos e a conflitualidade laboral em 
ascensão, abrindo importações para que empresas multinacionais tragam de fora o pouco que 
se produz aqui, disparando a inflação para reduzir salários. Contra isso, os sindicalistas 
no parlamento pedindo por favor para que se revejam as medidas, parece uma piada que um 
sindicato peça por favor a um governo que não façam o que estão fazendo. Mas deixa de ser 
uma piada para ser uma reprodução de 2001, quando vemos que seu silêncio é comprado 
mediante concessões econômicas com os fundos das obras sociais. Chove-lhes dinheiro 
enquanto estão sentados em uma poltrona, enquanto as empresas despedem, ajustam e 
suspendem. Parece que a única coisa que podem fazer é cara de preocupados e dizer que o 
momento há de passar.

Em uma situação que recorda 2001, temos que passar à ação, deixar de sermos conduzidos por 
sanguessugas, tomar realmente a iniciativa como trabalhadores e quebrar o pacto sindical 
com os empresários e o governo. Aos que o viveram, 2001 nos tem que recordar aonde não 
temos que chegar, temos que romper com os partidos políticos, de qualquer bandeira, que 
sempre são oportunistas ante a desgraça do povo, e retomarmos a assembleia como lugar de 
decisão e a ação direita como meio de conseguir o que queremos. Isso é o que devemos 
manter de 2001, a recordação e aprendizagem de que é nocivo para o povo em geral a 
delegação da força que o povo tem, e que essa força nos sirva para enfrentar agora o que 
se vem ocorrendo há vários anos: demissões, suspensões e repressão - e que promete 
acentuar-se ainda mais.

Basta de paz social! Nos organizemos para a greve geral!

FEDERAÇÃO OBREIRA REGIONAL ARGENTINA

Secretaria: Coronel Salvadores N° 1200 - C.P. 1167 Buenos Aires

Telefone: 011-4-303-5963 - Correio eletrônico: foracf  fora-ait.com.ar

Tradução > Liberto


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