(pt) [Espanha] Morre Concha Serrano. Viva a Mulher Livre! By A.N.A.

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Sexta-Feira, 30 de Dezembro de 2016 - 08:07:00 CET


A nós que tivemos a sorte de conhecê-la na luta, e compartilhar com ela boa parte da vida, 
a morte de Concha nos deixa tristes. Nos deixa sem seu humor, sem seu, por vezes, mal 
gênio e a sua risada fácil, franca e contagiosa; nos deixa sem a sua postura bonita e 
forte, caminhando pelo direito à vida... Isso e ainda mais perdemos, mas é mais importante 
o que ela nos deixa, e isso nos alegra e nos anima a seguir adiante. ---- Nos deixa um 
amor verdadeiro de amiga, de companheira, de mãe, de mulher livre e comprometida com a 
ação revolucionária que, junto a outras companheiras, forjou uma obra de importância vital 
para o ressurgimento do movimento libertário, retomando o exemplar e histórico caminho de 
"Mujeres Libres". ---- Sua obra e sua ação cotidiana nas organizações anarquistas, deixou 
uma marca profunda de dignidade, coerência e entrega, reconhecida inclusive para além de 
ideologias, pátrias e fronteiras; e implica a sua contribuição particular ao triunfo do 
mundo novo que levamos em nossos corações, no sentido que escrevia A. Breton: "se você 
quer ser revolucionário, seja. Talvez possa colaborar com suas fracas forças na 
transformação do mundo, mas dá no mesmo, porque voc&ecir c; nunca vai saber". Assim 
perseguiu seu sonho de um mundo novo e perseverou no desejo de que seu neto e filhos 
possam vivê-los. Te ajudaremos!

E são precisamente essas contribuições comuns à vida, os sonhos coletivos, as lutas 
populares, as que sobrevivem em nossa lembrança viva e permanecem no coração das pessoas. 
Não têm tempo, nem idade, nem final; estão sempre presentes e crescem com a luta dos 
marginalizados e oprimidos e em qualquer ação solidária que enterre a caridade na tumba da 
justiça. E a sua presença cresce na luta das mulheres por liberarem-se da condição de 
"mulher" que o poder do S enhor impõe e cresce na luta das mulheres, e de todos contra a 
violência desumana que chamam "de gênero", mas que na verdade responde ao amor perverso 
que as instituições proclamam, ao amor prostituído pelo capital e convertido em mercadoria 
objeto de compra e venda, propriedade privada, pertencimento... "ou você é minha ou meu, 
ou de mais ninguém" - aí está a irracionalidade. E Concha terá presença animando a ação 
inquebrantável de "vovós e vovôs" para demonstrar que se deve formular bem o dito: "Quem 
quando jovem não é revolucionário é que não tem coração, e quem quando velho não continua 
sendo é que já não tem nem coração nem cabeça" - sobram razões. E sobretudo continua 
crescendo com teus queridos "peque nos e pequenas companheiras", que desfrutando a 
anarquia de uma educação libertária, contigo e com outras companheiras, aprenderam a ser 
livres e viver em comum.

E conforta também esta despedida, tomada emprestada do poeta: "Às novas barricadas da vida 
/ te chamo / que temos que falar de muitas coisas / e livrar muitas batalhas / e rirmos / 
companheira de alma, companheira".

Até sempre, amiga!

PilaryPalas.

Fonte: http://fal.cnt.es/?q=node/36859

Tradução > KaliMar


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