(pt) [Equador] Manifesto em defesa do território Shuar By A.N.A.

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Quarta-Feira, 28 de Dezembro de 2016 - 10:23:57 CET


Coletivo de Geografia Crítica ---- A investida que vive na atualidade a nacionalidade 
Shuar em seu território conta com poucos precedentes em sua história. Os Shuar foram o 
único povo que resistiu à colonização espanhola nos séculos XVI e XVII através de uma luta 
conjunta entre seus clãs para queimar os povoados de expansão da colônia e expulsar de 
seus territórios aos que só buscavam ouro. A existência de recursos minerais despertou 
desde faz décadas um novo ciclo de tentativa de despojo do território Shuar. ---- O 
projeto Mirador é o primeiro projeto de mineração a céu aberto de grande escala que se põe 
em marcha no país, se localiza ao sul do território Shuar, em Tundayme. Se trata de um 
projeto de concessão à empresa chinesa Ecuacorriente, que teve com a Revolução Cidadã o 
período de maior avanço em sua implementação territorial. Na atualidade se está levando a 
cabo a fase de construção da mina, fruto do êxito de uma variedade de estratégia s 
violentas desatadas sobre as pessoas que vivem ali.

No mapa seguinte pode se observar como, dos 25 casos levantados em 2015 pelo Coletivo 
sobre conflitos territoriais nos quais se disputa a entrada dos projetos do capital, o 
caso da mineração em Tundayme é o que registra mais violência em todo o país, concentrada 
entre os anos 2013 e 2015. Destacam também as ações de violência direta sobre a população 
que resiste à implantação deste megaprojeto mineiro. Medidas como a destruição de lugares 
emblemáticos da comunidade de San Marcos como a igreja e a escola, a destruição e expulsão 
das moradias às famílias moradoras de todo o setor ou o assassinato do líder Shuar José 
Tendentza fazem parte das estratégias de violência e desterritorialização levadas a cabo 
sobre os habitantes desta zona.

Por outro lado, pode observar-se como os casos com mais violência se encontram em maior 
medida ao redor, longe dos principais centros urbanos e vias do país, o que mostra uma 
administração da violência nas áreas mais distantes dos principais lugares de decisão do 
Equador. Em resumo, a violência se administra ali onde a opinião pública tem mais 
dificuldade de seguir o que está sucedendo.

Em 2013 elaboramos este outro mapa junto a Acción Ecológica e à Comisión Ecuménica de 
Derechos Humanos. Este mapa sintetiza o processo contraditório e violento através do qual 
se produz o território. Por um lado, podem apreciar-se em cores os distintos centros e 
comunidades que compõem a nacionalidade Shuar no sul da província de Morona-Santiago e o 
norte de Zamora-Chinchipe. Superpostos, se encontram ademais, os grandes projetos mineiros 
decretados pelo Estado equatoriano e as concessões mineiras em marcha nesse momento (na 
atualidade o número de concessões e sua extensão cresceu).

Em 2013 Panantza-San Carlos era um dos megaprojetos mineiros situados em território Shuar. 
A nacionalidade Shuar enfatizou sua oposição à mineração durante os últimos anos, 
insistindo em que a designação destas concessões e megaprojetos mineiros se realizam sem 
consulta prévia, violando-lhes o direito amparado pelo Convênio 169 da OIT, subscrito pelo 
governo equatoriano. A forma violenta na qual se tem desenvolvido o primeiro dos grandes 
projetos mineiros em Mirador, não fez mais do que aumentar a negativa. O desalojo violento 
levado a cabo com os corpos de repressão do Estado em Panantza em agosto de 2016, supôs 
outra escalada da violência do Estado equatoriano contra a nacionalidade Shuar. A te 
ntativa das empresas chinesas de que seja o segundo megaprojeto em marcha sobre território 
Shuar só é mais um passo na construção de um grande distrito mineiro em toda a zona, que 
afetaria à totalidade do território Shuar.

O Estado equatoriano gerou violência com o fim de entregar o território ao capital, 
pretendendo despojar do espaço de vida e de reprodução da cultura a uma nacionalidade que 
enfrentou historicamente a colonização para o saque de seus minerais. Em novembro de 2016, 
o povo Shuar deu uma chamada de atenção à sociedade equatoriana tomando o acampamento 
mineiro da empresa chinesa em Panantza. O Estado gerou mais militarização do território 
com contingentes de centenas de militares e policiais vindos de todo o país. O 
enfrentamento que atualmente está vivendo a nacionalidade Shuar e os corpos de repressão 
do Estado deve cessar para dar passagem a uma paz com direitos. Enquanto nos mapas da 
nacionalid ade Shuar continuem superpostos megaprojetos e concessões mineiras que 
pretendem colonizar, saquear e destruir os espaços de vida; enquanto a implementação sobre 
o espaço da militarização e a violência seja a única resposta do Estado ante a oposição a 
estes projetos do capital, a nacionalidade Shuar não estará em paz.

Fonte: 
http://geografiacriticaecuador.org/2016/12/18/manifiesto-en-defensa-del-territorio-shuar

Tradução > Sol de Abril


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