(pt) Organização Resistência Libertária ORL: Contra o feminismo seletivo no campo ideológico: solidariedade a todas as mulheres que sofreram com violências machistas no ato do dia 13/12 em Fortaleza-CE

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Sexta-Feira, 23 de Dezembro de 2016 - 08:30:58 CET


Contra o feminismo seletivo no campo ideológico: solidariedade a todas as mulheres que 
sofreram com violências machistas no ato do dia 13/12 em Fortaleza-CE ---- Na última 
manifestação contra a PEC 55, em Fortaleza, dia 13 de dezembro de 2016, organizada pela 
Frente Povo sem Medo e a Frente Brasil Popular, militantes do MTST-Ceará expulsaram do ato 
integrantes do bloco independente (militantes secundaristas, autonomistas e anarquistas), 
seguindo com perseguições e espancamentos.[1] ---- Duas mulheres do bloco independente e 
uma militante da Nova Organização Socialista (NOS) foram gravemente agredidas por 
integrantes do MTST, dentre elas, uma militante foi ameaçada de estupro; Ainda, várias 
mulheres relatam que tentaram barrar a ação violenta e autoritária dos agressores, mas 
foram empurradas, ofendidas verbalmente e silenciadas por homens, inclusive membros da 
própria direção do MTST-Ceará

A ação foi alvo de diversas denúncias, dentre elas a da Frente Libertária Estudantil 
(FLE), que por sua página no facebook postou a foto de uma militante da UNE atribuindo 
apenas a ela a responsabilidade pelas tentativas de homicídio por parte de integrantes da 
Frente Povo Sem Medo. Para nós, essa postagem da FLE também representou uma apologia ao 
estupro - mesmo que tenha tido retratação posteriormente.

Repudiamos todas as violências machistas pelas quais passaram essas mulheres na 
manifestação e nos desdobramentos dela. Ações como estas nos lembram que em casos de 
conflito e de guerra - quer entre aparelhos repressores do Estado e movimentos sociais, 
quer entre a própria "esquerda" - nós, mulheres, somos duplamente ameaçadas e violentadas, 
tratadas, mesmo para os homens que se dizem à esquerda, como objeto violável e vulnerável, 
para onde recorrem aqueles que não conseguem construir uma ação política ética e sem sexismos.

Não endossamos os discursos transmitidos em diversas notas da "esquerda": de um feminismo 
seletivo, que só reconhece uma violência machista quando a mulher agredida está do seu 
lado da trincheira e muitas vezes silencia em relação às companheiras agredidas por homens 
de sua organização ou de frentes de luta que compõem. Nós, mulheres da ORL que militamos 
na construção do feminismo no Ceará e em movimentos sociais urbanos, sabemos da postura 
machista de alguns dirigentes do MTST-Ceará, já denunciada também por vários coletivos da 
cidade. Não nos surpreende essas ações machistas vinda do MTST, pois o mesmo tem em seu 
quadro militantes já publicamente denunciados por violências machistas.

Portanto, soa-nos desonesto com um feminismo comprometido com a libertação das mulheres 
entoarem notas e tons de repúdio contra a agressão de uma militante da UNE e não fazerem o 
mesmo com militantes autonomistas e anarquistas espancadas, violentadas e ameaçadas. Aqui, 
manifestamos nossa completa solidariedade feminista com as TODAS as mulheres que sofreram 
violências machistas no ato do dia 13/12 e nas denúncias que daí advieram. Estamos atentas 
e repudiamos este tipo de feminismo seletivo no campo ideológico.

Enraizar o feminismo na luta contra violências machistas!
Machistas de esquerda não passarão!
Construir Mulheres Fortes! Construir um Povo Forte!
Lutar, Criar, Poder Popular!

Mulheres da Organização Resistência Libertária

20 de dezembro de 2016

[1]Ver nota da ORL: 
http://resistencialibertaria.org/2016/12/15/nota-de-repudio-as-violencias-cometidas-pelo-mtst-e-une-no-ultimo-ato-contra-a-pec-55-1312-em-fortaleza/

resistencialibertaria.org/


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