(pt) [Venezuela] Entrevista com Glauber González desde Oriente Por Rodolfo Montes de Oca By A.N.A.

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Segunda-Feira, 19 de Dezembro de 2016 - 11:05:32 CET


Crônicas Negras é uma série de entrevistas realizadas com vários anarquistas que estão na 
Venezuela, superando as vicissitudes de viver no socialismo do século XXI, como um relato 
dos tempos que estamos atravessando. Homens e mulheres que desde o cotidiano tentam 
resistir a bota e as precariedades as quais estamos submetidos. ---- Nesta edição, temos a 
presença de Glauber González, companheiro libertário do Oriente e trovador do projeto 
musical "Pense e Reaja" que estará falando sobre como é ser papai na Venezuela de hoje. 
---- Pergunta > Um trovador anarquista na Venezuela... Como é isso de ser libertário no 
socialismo do século XXI? ---- Resposta < É complicado... ---- Pergunta > Eu sei que você 
é papai... Como você está lidando com a escassez e a criança na Venezuela?

Resposta < É muito difícil, porque se você tem o dinheiro para fraldas, medicamentos ou 
leite não consegue comprar o produto, e se você conseguir custa 10 vezes mais do que o 
preço normal.

Pergunta > Você enfrenta fila ou adquire produtos em grandes quantidades? De que lado da 
força estás?

Resposta < Às vezes eu faço fila, às vezes colaboro com o "bachaqueo"[atividade 
relacionada à circulação, venda e estocagem de produtos subsidiados], e às vezes procuro 
outras soluções. Sou contra o governo e é tão deprimente, frustrante e doentio o que 
fizeram ao venezuelano, nós estamos fudidos psicologicamente e economicamente.

Pergunta > Chega água limpa na sua casa?

Resposta < Eu vivi em vários lugares e onde eu vivo atualmente às vezes chega turva, às 
vezes suja ou com cheiro estranho.

Pergunta > Sofres com os apagões constantes? O que fazem para evitar que a comida não se 
estrague?

Resposta < Sim, "tipo normal", se compra pouca comida para evitar a decomposição.

Pergunta > Você não pensou em emigrar?

Sim, porém não tive a oportunidade.

Pergunta > Você já foi vítima das gangues? Perto de onde você mora houve casos de linchamento?

Resposta < Sim, foi na estrada, nos roubaram os pneus e levaram tudo o que havia no carro; 
quanto a linchamento, as pessoas se tem a oportunidade de fuder a quem rouba o faz, já vi 
dois casos.

Pergunta > Como é a atitude da polícia ou da Guarda Nacional na sua comunidade?

Resposta < Além de sentir repugnância com esses fantoches, como de costume, fazem 
extorsão, lascam com o mais fraco, o "matraqueo"[disparos de armas]é constante.

Pergunta > Como você rompe com o tédio? Preso, sem dinheiro e vivendo um socialismo que 
não te representa?

Resposta < Curto a minha filha.

Pergunta > Você acha que as pessoas estão obstinadas com esta situação? As pessoas estão 
se enchendo?

Resposta < Não, não acredito. Como disse antes, este governo fudeu psicologicamente com o 
venezuelano. Voltamos a ser conformistas, só reclamando nas filas, ou quando se queima 
pneus... Há insatisfação, mas são necessários outros tipos de ações.

Pergunta > Qual deve ser a atitude dos anarquistas na Venezuela nesta conjuntura?

Resposta < Simples, ação direta e organizada.

Pergunta > Para fechar esta breve entrevista, gostaria de acrescentar algo?

Resposta < Obrigado por me levar em conta para a entrevista, apesar de que ando em um 
stand by com o "Pense e Reaja". Esperemos nos encontrar novamente em breve em outro 
encontro anarquista e cantar novas músicas que nos façam pensar e reagir.

Fonte: 
http://rodolfomontesdeoca.contrapoder.org.ve/2016/11/cronicas-negras-nos-hemos-vueltos.html


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