(pt) ORL] Nota de repúdio às violências cometidas por integrantes do MTST e UNE no último ato contra a PEC 55 (13/12) em Fortaleza por FARJ

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Segunda-Feira, 19 de Dezembro de 2016 - 11:04:54 CET


Ontem, 13 de dezembro de 2016, pela manhã, era aprovada pelo Senado, já em segundo turno, 
o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 55, que congela os orçamentos com direitos 
sociais básicos por 20 anos, colocando na conta do povo uma crise ocasionada pelos de 
cima. ---- Em Fortaleza, um ato estava convocado pela Frente Povo Sem Medo, para as 14h, 
saindo da Praça da Gentilândia, contra a aprovação da PEC 55 e as reformas na previdência. 
Havia um chamado para um bloco independente de partidos, que reunia pessoas autônomas, 
independentes, libertárixs e anarquistas, na maioria secundaristas, que tomaram as ruas 
com rostos cobertos em geral para se protegerem de represálias, acompanhando o ato, com 
tintas, colas e sprays para intervenções de lambe-lambe e pinturas no asfalto.

Durante o ato, percebendo que não era possível escrever no asfalto no meio do ato por 
causa do trânsito das pessoas, o bloco foi para a "frente da frente" do ato, que era 
demarcada com uma faixa onde estava escrito Fora Temer. Há relatos que pessoas do bloco 
tentaram tirar essa faixa e que neste momento foram questionados pela direção do MTST 
porque não estiveram nas reuniões de construção do ato e agora queriam está na linha de 
frente e fazer ação direta mesmo sem isso ter sido "acordado".

Como resposta, estes do bloco responderam que o ato não deveria ter direção e entre 
ofensas verbais recíprocas começou o empurra-empurra. No carro de som, a UNE pedia para 
"comissão de segurança reforçar a linha de frente". Nessa hora chegam mais de 30 
militantes do MTST. Naquele momento os organizadores do ato reivindicavam a direção do 
ato. Ficou implícito que, ou ficava o MTST na frente, ou do contrário os mesmos usariam da 
força bruta. Exatamente isso que aconteceu, sobre o pretexto de "defender a manifestação", 
auto atribuindo-se um papel de polícia da manifestação, espancaram estudantes e 
professores. Mulheres apanharam e humilhações foram feitas somente porque as pessoas se 
reivindicavam enquanto anarquistas. Há também relatos de uma companheira anarquista, que 
foi espancada. Segundo ela, os agressores disseram: vamos te arrombar!

Desesperados, em menor número e em menor força, alguns fogem por uma rua perpendicular e 
os militantes do MTST correm atrás, perseguindo-os e espancando-os agora com madeiras e 
barras de ferro. Muitos secundaristas e militantes autônomos ficaram feridos e dois foram 
hospitalizados em estado de saúde grave. Um professor da UFC foi ferido com a barra de 
ferro e teve a cabeça aberta.

Compactuando com essas ações, no momento foi feito um cordão de isolamento pela UNE e 
outros coletivos para que pessoas do bloco não retornassem ou se escondessem no ato. O ato 
inteiro passou enquanto o bloco independente era agredido e sangrava pelas ruas. Vários 
são os relatos e fotos de perseguições e espancamentos, inclusive da hospitalização dos 
dois companheiros em estado grave.

As direções desses movimentos sociais, com discursos de manutenção da ordem e receio de 
que o ato perca referência na direção, criam no imaginário social de militantes um repúdio 
a pessoas encapuzadas, atribuindo a elas a repressão policial posterior e a ilegitimidade 
dos atos, criando espaço para violência contra pessoas de rostos cobertos. O que temos 
percebido - em pelo menos três atos onde nossa militância esteve presente - é um avanço 
violento e cheio de ódio sobre pessoas com rostos cobertos e uma criminalização da 
ideologia anarquista. Ações truculentas como esta, infelizmente, não são novidade. Em 
2014, em um ato do Sindicato da Construção Civil em 2014, a direção da Conlutas gritava no 
carro de som: "expulsem os anarquistas! Eles não são bem vindos!". Ou como na manifestação 
do dia 29 de novembro desse ano, em Brasília.[1]

Quem sai fortalecido quando a direção de um ato cria um discurso legitimador da violência 
contra pessoas de rostos cobertos? Em que medida a linha defendida por Guilherme Boulos em 
seu artigo para a mídia burguesa não cria fundamentos para agressões e violências como a 
que aconteceram ontem em Fortaleza?[2]Quem tem medo de um povo sem dirigentes?

Esse fato já recorrente faz-nos acreditar que há uma linha geral do Movimento dos 
Trabalhadores Sem Teto (MTST), com o objetivo de massificação dos atos acompanhadas de uma 
espécie de obediência cega aos interesses de seus dirigentes, nem que para isso seja 
necessário a legitimação do discurso da mídia burguesa de que é uma minoria que causa 
baderna. Esse discurso tanto usado para "dividir e conquistar" e que absorve o discurso do 
"vandalismo" que só protege a ordem capitalista.

Nós estamos lutando também contra a PEC 55 e mais do que nunca precisamos lutar juntos, 
pois o que nos espera possui tremenda força. É uma hipocrisia que os agressores se passem 
por vítima e tentem justificar essas violências. Nada justifica. Mais do que nunca gritaremos:

Paz entre nós, guerra aos senhores!

Vivenciamos uma criminalização da ideologia anarquista, onde a todo momento é feita 
generalizações, quando nos citam, somos "os anarquistas". Tática que tenta colocar em 
ostracismo e em um mesmo saco homogêneo todxs aquelxs de um amplo espectro libertário. Com 
o marxismo isso não acontece, porque ao nosso ver, mesmo discordando de sua linha geral, 
que consideramos autoritária, há inúmeros companheirxs que fazem outras leituras 
dialogáveis. Logo, nunca reduziríamos companheirxs com objetivos desonestos ao jargão "os 
marxistas".

O que está em disputa é um perfil de ato de rua, onde as direções, bandeiras e carros de 
som de partidos não dão conta da totalidade do povo indignado que está nas ruas. O MPL e a 
força das manifestações de junho de 2013 nos lembraram formas autônomas e horizontais de 
construção de atos fortes e combativos. E são nesses atos que queremos estar.

A atitude de alguns militantes do MTST e UNE que estavam no ato contra PEC tem nossa 
imediata reprovação. Julgamos essas atitudes como covardes, desonestas, machistas, 
fascistas e autoritárias. Nada, absolutamente nada, justifica as fortes agressões aos 
militantes autonomistas, anarquistas e independentes que também se manifestavam contra a PEC.

Mesmo que as pessoas agredidas não sejam organizadas em coletivos, se intitulem ou não 
como anarquistas, sabem ou não o que defendem (como há insinuações), para nós isso não 
seria motivo nenhum para legitimar essas agressões.

O fato de ontem é gravíssimo, e precisa ser apurado com máxima seriedade pelos movimentos 
sociais desta capital. Neste sentido, convidamos a todos os coletivos e partidos presentes 
no ato para que se somem ao repúdio dos agressores, responsabilizando-os e a prestar toda 
solidariedade as vítimas.

Manifestamos toda nossa solidariedade aos companheiros e às companheiras agredidos/as, 
reiterando que solidariedade é mais que palavra escrita, é estar ombro a ombro na peleja 
cotidiana. Denunciamos as ações irresponsáveis e violentas protagonizadas por alguns 
integrantes da Frente Povo Sem Medo e da Frente Brasil Popular. Nos manteremos fortes e 
alertas contra qualquer tipo de repressão em assembleias e atos populares. A luta se faz 
desde baixo e à esquerda.

Contra todos os autoritarismos!
Deixar passar a revolta popular!
Construir um Povo Forte!

Organização Resistência Libertária

15 de dezembro de 2016

[1]https://quebrandomuros.wordpress.com/2016/12/09/criminalizar-a-combatividade-isso-sim-e-fazer-o-jogo-da-direita/

[2]http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/09/1809940-movimentos-de-esquerda-se-dizem-contrarios-a-tatica-black-bloc.shtml
FARJ | 15/12/2016 às 17:23 | Categorias: anarquismo no brasil, anarquismo no nordeste, 
greve, lutas, manifestações, nas ruas, notas, repressão, sindical, solidariedade | URL: 
http://wp.me/p1JXNu-YT	

Retirado de http://resistencialibertaria.org/

https://anarquismorj.wordpress.com/2016/12/15/orl-nota-de-repudio-as-violencias-cometidas-por-integrantes-do-mtst-e-une-no-ultimo-ato-contra-a-pec-55-1312-em-fortaleza/ 


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