(pt) Federación Anarquista Rosa Negra: (OPINIÃO) AOS MEUS COMPANHEIROS DA ESQUERDA. UMA REACÇÃO À MORTE DE FIDEL -- Enrique Guerrero-López (*)

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Sábado, 3 de Dezembro de 2016 - 09:25:53 CET


Temos uma tendência lamentável para ver os países pelo prisma dos seus governantes, regra 
geral minimizando as diversas contribuições d  s de "baixo". Em Miami, as pessoas dançam 
nas ruas, celebrando a morte de Fidel, enquanto muitos segmentos da esquerda dos Estados 
Unidos limpam a garganta para gritar "que viva Fidel!" ---- Esta caricatura a dois tons 
tem impedido a nossa capacidade para lidar com as belas, trágicas e desafiadoras 
contradições da história e a actual situação de Cuba sem mencionar o legado de Fidel. 
Embora Fidel ocupe um lugar importante na história de Cuba, Cuba não é Fidel e a Revolução 
cubana não pode nem deve ser reduzida a um só homem ou a um só movimento. ---- Aos meus 
companheir  s da esquerda, que com razão denunciam a falta de militância no movimento 
operário norte-americano, devemos celebrar um regime que sistematicamente estripou a 
actividade laboral independente na ilha, proibindo as greves, perseguindo os militantes 
sindicais e convertendo os sindicatos numa agência passiva do estado?

Aos meus companheir  s da esquerda, que com razão denunciam o racismo e a supremacia branca 
nos Estados Unidos, devemos celebrar um regime que declarou o "fim" do racismo na ilha 
depois da revolução, convertendo-o num tema tabu para o debate público durante décadas, um 
regime que impediu os afro-cubanos de se organizarem independentemente, tanto política 
como religiosamente. Ao mesmo tempo que fomentava uma ideologia anti-negro?

Aos meus companheir  s da esquerda, que lutam legitimamente pela libertação queer, devemos 
celebrar um regime que reuniu as pessoas queer e as pôs em campos de concentração?

Aos meus companheir  s da esquerda, que legitimamente lutam pela libertação dos presos 
políticos nos Estados Unidos, devemos celebrar um regime que encarcerou activistas 
políticos à esquerda de Castro?

Aos meus companheir  s da esquerda, que com razão lutam por uma educação universal gratuita 
nos Estados Unidos, devemos celebrar um regime educativo que privilegia quem tem mais 
recursos para replicar os desequilíbrios de poder existentes, um sistema que 
inclusivamente apologistas estatais, como o afro-cubano Esteban Morales, dizem que "educa 
os cubanos a serem brancos"?

Aos meus companheir  s da esquerda, que legitimamente lutam por um mundo mais além do 
capitalismo, devemos celebrar ou defender um regime que passou duma ditadura unilateral ao 
estilo soviético para uma forma sino-vietnamita de capitalismo de Estado?

Aos cuban  s que dançam nas ruas de Miami:

@s cuban  s de direita em Miami lamentam a ditadura na ilha enquanto abraçam a ditadura dos 
dois partidos do capital neste país.

@s cuban  s de direita em Miami denunciam a falta de "liberdades civis" na ilha, exigindo a 
libertação dos presos políticos enquanto a polícia mata @s negr  s impunemente nos Estados 
Unidos e Mumia[El-Jamal]e outros presos políticos continuam presos no sistema carcerário 
mais povoado do mundo.

@s cuban  s de direita de Miami queixam-se da falta de "liberdade de expressão" em Cuba, 
enquanto que os manifestantes nos Estados Unidos estão confinados a "zonas de liberdade de 
expressão", os indígenas, protectores da água, estão a ser violentamente reprimidos pela 
polícia e a nossa infra-estrutura de comunicações está cada vez mais concentrado em menos 
mãos do que em qualquer momento da história deste país.

@s cuban  s de direita criticam a falta de "oportunidade" em Cuba, enquanto que nos Estados 
Unidos a mobilidade social está em grande declive, já que 10% d  s capitalistas mais ricos 
dos EEUU possui 75% da riqueza.

@s cuban  s de direita denunciam a violência do regime castrista a partir da posição 
privilegiada do maior império da história mundial, em defesa do Estado norte-americano, 
que segundo Martin Luther King Jr, era (e continua a ser) o "maior provedor da violência 
no mundo".

Há muito que celebrar, no que diz respeito a Cuba e à sua história - desde Aponte e da 
salsa ao beisebol e a Las Kruidas  -, mas Fidel, na minha perspectiva, deve ser 
compreendido, não celebrado.

(*) Enrique Guerrero-López é membro da Black Rose Anarchist Federation / Federación 
Anarquista Rosa Negra e participa na Solidarity Networks in Austin, Texas.

Aqui: http://www.blackrosefed.org/companerxs-left-reaction-death-fidel/


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