(pt) Tera E Liberdade - Crise e repressão - breve análise de conjuntura.

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sexta-Feira, 6 de Março de 2015 - 07:56:16 CET


A crise... tentou-se muito mascarar suas origens e até mesmo sua vinda no cenário político 
e econômico no Brasil, mas, enfim, ela vem chegando. O tão alardado crescimento econômico 
demonstra já algum tempo sinais de debilidade. A estabilidade ancorada no financiamento do 
capital nacional e na ampliação das linhas de crédito individual, que aqueceu o mercado 
consumidor na última década, não esconde mais estar se aproximando de um período de 
recessão. As classes trabalhadoras se viram aptas e com maiores condições de compra a 
prazo, entretanto, não vivemos uma distribuição de renda. O país enriqueceu mas o que foi 
socializado foi somente a miséria. Endividamentos históricos, empregos temporários, o 
aumento alucinante da carestia da vida, a especulação imobiliária e a militarização dos 
espaços urbanos são as marcas que ficam desse período. Além disso, o grande empreendimento 
em megaeventos, que fora a aposta dos governos para fazer alavancar o capital da 
construção civil, tem prazo de validade e o agronegócio, dependente do mercado 
internacional, oscila na corda bamba da crise que já vem tomando as nações compradoras de 
seus produtos.

Se, entretanto, pode-se caracterizar a crise no Brasil a partir de elementos próprios do 
movimento do capitalismo brasileiro, que expoem a sua insustentabilidade, o impacto deste 
não é diferente na sociedade: quem paga a conta somos nós, o povo e as classes 
trabalhadoras! Cortes nas verbas da saúde e educação pública atingem níveis alarmantes, 
demissões em massa - sobretudo nas grandes multinacionais - roubo dos cofres da 
previdência social e aumento da burocratização do acesso aos direitos trabalhistas 
conquistados para pagar credores. Enxergamos a previsibilidade dessas consequências na 
avaliação das origens dessa política econômica; tais resultados não são produtos de uma 
engenhosa avaliação de conjuntura e é certo que os governos, os capitalistas e seus 
economistas, desde o início, eram capazes de antever o que agora vivemos. Eis, então, que 
surge a necessidade de garantir a todo custo essa política. Manter o povo na ilusão de 
crescimento através de um aumento no poder de compra não se sustentaria a longo prazo. 
Logo viria o desemprego, o roubo dos magros recursos sociais para a manutenção das grandes 
obras civis (como a falta d'água, da qual o povo vem sendo culpabilizado, enquanto seu 
consumo é da ordem dos 20% enquanto àquele das agroindústrias e empreiteras totalizam 
quase os 80% restantes) e o cansaço do povo viria à tona. As revoltas populares de 2013 
mostraram que o povo não se cala quando é ele quem paga a dívida, quando é a juventude 
negra que morre nas favelas todos os dias para que a "segurança" nos megaeventos seja 
garantida. A militarização do espaço urbano, da vida, se presenta hoje como a saída dos 
governos e capitalistas: reprimir a justa revolta do povo, investindo massivamente em 
arsenais de guerra, invadindo comunidades e favelas, fortalecendo as milícias, patrulhando 
escolas públicas e hospitais. O capitalismo se refaz a cada crise, não sem um avanço na 
luta de classes e não sem muito sangue do povo  pobre.

Nós anarquistas compreendemos que a conjuntura esboça um horizonte de tensionamento e 
conflitos para o povo. Não queremos ser alarmistas, porém, não vemos mudanças positivas 
para um futuro próximo. A crise está dada, a conta quem paga é a classe trabalhadora, 
intensifica-se a repressão aos lutadorxs, aos movimentos sociais e sobretudo às 
organizações de base, autônomas, onde o povo cria os mecanismos do poder popular e afasta 
o Estado do seu caminho. A direita e as velhas oligarquias se organizam novamente no 
judiciário, legislativo e executivo, armando o conservadorismo fascista no poder...

Porém, não vacilamos um só passo; a repressão poderá ser dura, mas estamos ao lado e com o 
povo, somos trabalhadoras e trabalhadores que, a cada instante, propagam o direito à 
revolta e a auto-organização como tática de defesa e ataque. A saída sempre será a 
construção da política popular, do fortalecimento e combatividade dos movimentos sociais, 
o empoderamento dxs oprimidxs. Queremos disputar as massas no campo ideológico que ora se 
abre, sobretudo com o avanço da organização das forças de Estado contra o povo, o 
fascismo, ao mesmo tempo que afastamos os governistas que tornam a surgir nos movimentos 
sociais, direcionando-os para ação política reivindicativa nas estreitas margens da 
legalidade. Espalhar o anarquismo como possibilidade real de luta, isso é o que queremos! 
Como anarquistas revolucionários,não estaremos planteando as migalhas que caem dos pratos 
do Estado burguês frente a qualquer pressão da luta de classes. Queremos o banquete 
inteiro! Queremos o contrário da miséria: a justiça social, o poder do povo e fim de toda 
essa exploração!

Se organizar para destruir o Estado e construir o poder do povo!

https://terraeliberdade.org/?p=31


More information about the A-infos-pt mailing list