(pt) Rusga Libertaria: QUEM É LUCY PARSONS? A MITOLOGIZAÇÃO E A RE-APROPRIAÇÃO DE UMA HEROÍNA RADICAL. (Casey Williams)

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Terça-Feira, 3 de Março de 2015 - 14:31:53 CET


Estamos compartilhando aqui nosso primeiro trabalho de tradução. Queremos deixar claro que 
estamos passíveis de erros em alguns trechos, o material ainda passa por uma revisão mais 
minuciosa. Resolvemos publicar pelo tempo que ficamos pendentes em compartilhar esse 
material traduzido. Que fala um pouco da vida de uma importante anarquista 
norte-americana, Lucy Parsons. Estamos abertos para sugestões e revisões solidárias. ---- 
Forte Abraço e boa leitura! ---- *Anarcho-Syndicalist Review número 47, Verão, 2007. 
Colaborador: CREAGH Ronald. Por citar essa página: WILLIAMS, Casey. “Whose Lucy Parsons? 
The mythologizing and re-appropriation of a radical hero”. Edição: 23 de Dezembro de 2007. 
---- QUEM É LUCY PARSONS? ---- Como uma anarquista radical, Lucy Parsons dedicou mais de 
sessenta anos de sua vida a lutar pela classe trabalhadora norte-americana e pobre.1 Uma 
oradora habilidosa e escritora apaixonada, Parsons desempenhou um papel importante na 
história do radicalismo norte-americano, especialmente no movimento operário da década de 
1880, e permaneceu uma força ativa até sua morte em 1942. A única pergunta da qual ela 
nunca se desviou foi “como levantar a humanidade da pobreza e desespero?”.2 Com essa 
questão impulsionando o trabalho de sua vida, Parsons foi ativa em uma infinidade de 
organizações radicais, incluindo o Socialist Labor Party (Partido Socialista Trabalhista), 
a International Working People’s Association (Associação Internacional das Pessoas 
Trabalhadoras) e a Industrial Workers of the World (Trabalhadores Industriais do Mundo). 
Paralelamente com seu longo envolvimento no movimento trabalhista norte-americano, estava 
sua solida visão de uma sociedade anarquista, filosofia que era a base de sua crítica às 
instituições econômicas e políticas opressivas dos Estados Unidos da América.

     Sua oposição ao capitalismo e ao autoritarismo estatal foi solidificada em 1887, 
quando seu marido, Albert Parsons, foi executado injustamente.3 Após a bomba e as 
execuções de 1886, na manifestação de Haymarket, Parsons dedicou os próximos cinquenta 
anos de sua vida aos desempregados e à classe trabalhadora norte-americana. De fato, o 
poder do caso Haymarket na formação da vida adulta de Parsons não pode ser subestimado. Os 
acontecimentos de 1886 e 1887 fixam uma animosidade inflexível entre Parsons e o 
Departamento de Polícia de Chicago. Durante a vida de Parsons, a polícia a perseguiu, 
suprimindo sistematicamente seu direito à liberdade de expressão, prendendo-a várias vezes 
sem justificação.

     Quase seis décadas após sua morte, a polícia de Chicago deu nova vida a este legado 
de animosidade mútua, lutando em uma proposta para nomear um parque da cidade de Lucy 
Parsons. Em março de 2004, quando o Chicago Park District (gerenciador de parques 
municipais) propôs nomear o lote 4712 da Avenida Belmont no lado noroeste da cidade 
“Parque Lucy Elis Gonzales Parsons”, Mark Donahue, presidente local da Ordem Fraternal da 
Polícia, atacou a proposta – descartando Parsons como uma anarquista “cujas raízes 
históricas viriam” apenas a partir da “defesa de seu marido.” Da perspectiva de Donahue, 
teria sido uma farsa nomear um dos parques de Chicago com o nome de uma mulher que 
“promoveu a derrubada do governo e o uso de dinamite.” Infelizmente, as autoridades da 
cidade não contrariaram as acusações de Donahue com os fatos históricos sobre a própria 
vida e as realizações de Parsons. Em vez disso, os funcionários do parque ressaltaram a 
importância dos esforços de Parsons em nome dos trabalhadores, das mulheres e dos 
afro-americanos. O prefeito de Chicago, Richard M. Daley, explicou, “Nós estamos 
homenageando Lucy Parsons”, não “seu marido”, porque “ela era muito bem vista entre os 
reformadores sociais por seus esforços para promover os direitos civis” e observou que 
teria sido injusto e sexista “culpar a mulher por causa das ações de seu marido.”4

     Claramente, tanto o prefeito Daley quanto o oficial Donahue não compreendem a 
história de sua cidade. No entanto, Donahue, pelo menos, estava disposto a reconhecer que 
Parsons era uma anarquista, em vez de rotulá-la como uma reformista de direitos civis. 
Como uma anarquista, Parsons rejeitava o conceito de direitos civis que pressupunham a 
cooperação e aceitação do estado capitalista para conceder privilégios que ela acreditava 
serem os direitos naturais. De fato, uma rápida revisão da história do caso Haymarket 
demonstra que nem as alegações da polícia nem da cidade eram completamente corretas.5 
Embora Parsons fosse inocente de qualquer envolvimento no atentado de 1886, ela 
compartilhou uma visão anarquista da harmonia social que defendia a destruição do 
capitalismo por meio de atos revolucionários, e rejeitou o reformismo e os direitos civis 
como curativos. Assim, há uma grande discrepância entre as reais crenças e ações de 
Parsons e as mitologizadas ou comemoradas que são apresentadas pela Chicago Parks Distric. 
Como e por que esse abismo surgiu garante uma investigação mais aprofundada, com 
implicações não só sobre Lucy Parsons, mas sobre a própria memória histórica.

             As repostas a estas perguntas estão no cerne da motivação subjacente à 
proposta dos funcionários dos parques. A sugestão surgiu a partir de um esforço de toda a 
cidade para homenagear mais mulheres em um sistema em que apenas 27 dos 555 parques 
receberam nomes de mulheres.6 Assim, o parque proposto tinha menos a ver com o 
reconhecimento de Parsons do que com o desejo dos funcionários de criar um sistema de 
parques mais “politicamente correto”. No entanto, essa idealização encontrada na 
incorporação de Lucy Parsons à história pública também se reflete no trabalho acadêmico 
sobre Parsons. Muitas vezes, os historiadores que mencionam Parsons têm moldado a vida 
dela para atender suas inclinações políticas. Mais notavelmente, apenas a biógrafa de 
Parsons, Carolyn Ashbaugh, afirmou que Parsons não era uma anarquista e que se juntou ao 
Partido Comunista.7 Fazendo isso, Ashbaugh havia reformulado Parsons de uma heroína 
anarquista em uma Marxista. A discrepância entre as próprias palavras de Parsons e a 
memória pública de Parsons pode ser atribuída, em grande parte, à reformulação histórica 
de Ashbaugh. A manipulação no trabalho de Ashbaugh já foi exposta com êxito.8 Ainda assim, 
tem havido pouco ou nenhuma análise sobre as ideias perdidas por essa manipulação do 
registro histórico.

Um Histórico Contestado

             Com poucos registros conservados, juntar o início da vida de Lucy Parsons tem 
sido difícil para os historiadores. Na verdade, é pouco provável que os fatos do início de 
sua vida sejam completamente conhecidos. Ashbaugh afirma que Parsons nasceu em março de 
1853, perto de Waco no noroeste do Texas. De acordo com Albert Parsons, os dois se 
conheceram em 1869, enquanto ele estava vivendo uma vida perigosa como um republicano 
radical na pós-reconstrução do Texas. Ao viajar através do condado de Johnson como 
correspondente para o Houston Daily Telegraph, Albert conheceu Lucy no rancho de seu tio. 
Animadamente, Albert descreve-a como uma “encantadora jovem donzela hispano-indígena.”9 
Muitas perguntas sobre o início da vida de Parsons ainda estão sem respostas. Por exemplo, 
de acordo com algumas fontes, os dois se casaram em 1871, enquanto outros datam o 
casamento em 1872. O casamento nunca foi confirmado por uma certidão de casamento ou outro 
documento oficial.10

A biografia de Ashbaugh desafia a descrição de Albert Parsons sobre Lucy, afirmando que 
ela era, na verdade, uma antiga escrava. De acordo com Ashbaugh, Parsons era uma escrava 
dos irmãos Gathings, que possuíam 62 escravos perto de Waco em 1860. Ashbaugh afirmou que 
Parsons foi provavelmente nomeada em homenagem à filha Philip Gathings, nascida em 1849; e 
afirma que Henry e Marie del Gather, que Parsons chamou de sua mãe e seu tio, eram de 
ficção. Além disso, Ashbaugh sugere que Albert não conheceu Lucy no rancho de seu tio. Em 
vez disso, ela concluiu que eles se conheceram em Waco, onde as defesas de Albert dos 
direitos políticos negros fizeram dele uma figura popular entre a população negra. 
Ashbaugh especula que, enquanto vivia em Waco como uma antiga escrava, Parsons testemunhou 
atrocidades da Ku Klux Klan, que cresceu no poder como Reconstrução e desmoronou. Entre os 
inúmeros acontecimentos violentos que ela pode ter presenciado, estão a castração de um 
menino Africano-Americano, em 1867, e o assassinato cometido pela Klan de 13 
afro-americanos perto de Waco, em 1868.

Sem dúvida, a brutalidade racial que tomou conta do noroeste do Texas na década de 1860 
influenciou profundamente a sensibilidade de Parsons e a aversão pela violência contra os 
oprimidos. No entanto, mesmo que Parsons não fosse, como Ashbaugh especula, uma antiga 
escrava, ela ainda teria testemunhado a violência racial. A degradação e opressão do povo 
negro levou Albert Parsons, que era um ex-soldado confederado, a iniciar seu próprio 
jornal/boletim, em 1868, The Spectator (O Espectador), para desafiar a Ku Klux Klan e 
políticas de reconstrução de apoio.11 Como testemunha e talvez vítima da brutal violência 
racial do sul, ainda é importante notar que os registros de escravos dos irmãos Gathings 
não incluem nomes e, portanto, não é possível identificar Parsons como uma antiga escrava.12

Ao longo de sua vida, Lucy Parsons insistiu que ela era de ascendência mexicana e 
americana nativa. De acordo com Parsons, sua mãe era mexicana e seu pai, John Waller, foi 
um índio Creek. A afirmação faz da herança mexicana e indígena de Parsons e sua negação 
apaixonada da ascendência Africana é facilmente documentada. Ao cobrir o julgamento de 
Haymarket, um repórter do Chicago Tribune observou que Parsons “opõe-se ao termo ‘mestiço’ 
como significado de que ela tem sangue negro nas veias. Ela diz que sua mãe era uma 
mexicana e seu pai um índio.”13 Em setembro de 1886, um antigo escravo que viveu em Waco 
acusou Parsons de abandonar a ele e a seu filho para viver em Chicago. Quando a acusação 
foi à primeira página do jornal em Chicago, Parsons arrastou um repórter do Herald até a 
cela do marido, onde Albert explicou que o homem em Waco tinha confundido Lucy com outra 
mulher, e que “Sra. Parsons não tem sangue Africano em suas veias.”14 A identificação com 
a ascendência indígena e mexicana de Lucy Parsons não era apenas para negar a herança 
escrava. Ao falar em Londres em 1888, Parsons explicou:

  Eu sou aquela cujos ancestrais são indígenas neste solo da América. Quando Colombo 
avistou pela primeira vez o continente ocidental, antepassados do meu pai estavam lá... 
Quando os anfitriões da conquista das Cortes se moviam sobre o México, antepassados da 
minha mãe estavam lá para repelir o invasor; de modo que eu represento o genuíno Americano.15

Parece que Parsons tinha orgulho de sua identidade étnica. No entanto, a identidade negra 
foi empurrada em cima de Parsons ao longo de sua vida. Parsons foi repetidamente referida 
nos jornais como uma Negress, Negro, escuro, colorido ou mulato. 16 Embora muitos desses 
termos tenham sido utilizados para identificar as pessoas de raça mista, a implicação 
subjacente era, como um repórter do Tribune colocou, “que pelo menos um de seus pais era 
um negro.”17 Assim, durante sua vida, havia uma discrepância entre a identidade racial que 
ela alegou e a identidade racial colocada sobre ela pela sociedade. A tradição ao ver Lucy 
Parsons como negra, apesar de suas próprias palavras, continua até hoje.

Ashbaugh sustentou que a auto identificação de Parsons como mexicana indígena foi uma 
tentativa de encobrir sua herança Africana.18 Há uma série de razões pelas quais Parsons 
poderia ter feito isso. Em primeiro lugar, o perigo físico simples de estar em um 
casamento inter-racial durante a década de 1880 poderia ter levado Parsons a negar uma 
ascendência Africana. Juntamente com sua proteção contra alguns dos perigos de ser negro, 
tal rejeição pode ter criado mais oportunidades para Parsons, especialmente em um 
movimento operário predominantemente branco. Contudo, não obstante a lógica por trás da 
reivindicação de Ashbaugh, permanece a especulação, devido, em grande parte, à falta de 
provas – contando o apoio principalmente de sua aparência física em fotos. Simplesmente, 
não existem provas suficientes para declarar definitivamente que Parsons “era negra”, como 
Ashbaugh faz. No entanto, muitos estudiosos, como Roxanne Dunbar-Ortiz, Marion Tinling e 
Robin D. G. Kelly, têm rotulado Parsons como uma mulher Africano-Americana.19 Muitas 
vezes, essa caracterização é uma tentativa de situar Parsons em uma narrativa maior, de 
negros heróis americanos.20

             A existência de tantas pessoas que veem Parsons como Africano-Americana, 
apesar de suas próprias palavras, incita-nos a perguntar não por que Lucy Parsons 
precisava não ser negra então, mas por que precisamos que ela seja negra hoje? No entanto, 
seja negro, índio ou mexicano, Lucy Parsons ainda era uma mulher de cor, nascida e criada 
em um estado extremamente violento e racialmente estratificado, Texas.

Encontrando o Anarquismo em Chicago

             Após sua chegada em Chicago em 1873, Lucy e Albert Parsons entraram em um 
mundo turbulento, caracterizado menos por tensão racial do que pelo capitalismo industrial 
e problemas trabalhistas. Depois da Guerra Civil, as principais indústrias, incluindo as 
empresas madeireiras e de gado, criaram raízes em Chicago, trazendo praticamente todas as 
linhas de transporte para a cidade e fazendo de Chicago o mais importante centro econômico 
do centro-oeste. A nova riqueza de Chicago a tornou um destino atraente para os americanos 
em todo o país e imigrantes do outro lado do mar. Durante a década de 1860, mais de 74,000 
imigrantes europeus entraram na cidade, junto com milhares de americanos. O aumento da 
população rapidamente criou moradias superlotadas e pobres, que foram ofuscadas pelas 
mansões enormes e o opulento estilo de vida dos capitalistas industriais da cidade.

             O contraste entre a pobreza e a riqueza criou tensões de classe, e, em 1867, 
os trabalhadores da cidade iniciaram o primeiro movimento para a jornada de trabalho de 
oito horas. Fabricantes da cidade se recusaram a cumprir com as exigências do trabalho e, 
após cinco dias de greve, as autoridades brutalmente reprimiram a primeira greve de oito 
horas, marcando o início de uma longa história de repressão violenta do trabalho.

Quando Chicago entrou na década de 1870, as condições de vida e trabalho da cidade foram 
exacerbadas ainda mais. Em outubro de 1871, um grande incêndio destruiu Chicago. No rastro 
das chamas, 17.450 edifícios estavam em cinzas e 64 mil pessoas ficaram desabrigadas. A 
devastação do fogo foi seguida, em 1873, por uma grande depressão, que deixou milhares de 
pessoas em Chicago não só sem casas, mas também sem emprego. Os eventos associados com a 
greve de 8 horas, em 1867, combinada com a devastação do grande incêndio e a depressão 
criada em Chicago, criaram uma atmosfera de tensão e medo, tornando a cidade em um solo 
fértil para um movimento operário radical em expansão.21 Quando Lucy e Albert Parsons 
mudaram para o novo apartamento perto da rua Larrabee e avenida North, rapidamente 
tornaram-se imersos na cultura turbulenta do conflito de classes em Chicago.

             Depois de conseguir trabalho como tipógrafo do Chicago Times e aderir à União 
de Tipógrafos, Albert Parsons tornou-se rapidamente uma figura proeminente no movimento 
operário de Chicago. Em 1876, ingressou no Social Democratic Party (Partido Social 
Democrata), onde ele dedicou um tempo considerável para as causas da classe trabalhadora e 
tornou-se um dos mais famosos oradores da língua Inglesa na cidade. Durante esse tempo, 
ambos, Lucy e Albert, estavam concentrados nas obras de Karl Marx, e por volta de 1877 
eles estavam realizando reuniões em sua casa para o Working-Men’s Party (Partido dos 
Trabalhadores). Nesse momento, Lucy e Albert Parsons não eram anarquistas, mas defendiam 
uma "combinação de ação econômica e política para realizar a emancipação do trabalho.”22 
Eles viam os sindicatos como ferramentas poderosas contra o calcanhar de ferro do 
capitalismo, mas ainda acreditavam "que, contanto que os trabalhadores vivessem em uma 
república, eles tinham esperança de ganhar o poder através do processo democrático."23

             Várias experiências entre 1877 e 1880 direcionam Lucy e Albert Parsons a 
abraçar o anarquismo. Em 17 de julho de 1877, uma greve massiva começou em West Virginia, 
quando os engenheiros da estrada de ferro de Baltimore & Ohio reagiram contra o salário 
cortado, parando os trens e desencadeando uma enorme paralisação do trabalho que se 
espalhou no Ocidente, chegando a Chicago; onde, em 23 de julho, “uma onda de protestos 
tinha se espalhado para fora dos pátios ferroviários e fábricas, serrarias e olarias”, 
acumulando em uma grande marcha pela Market Street, em Chicago.24 Em reação, os principais 
empresários de Chicago abriram seus cofres para os líderes da cidade, que usaram o 
dinheiro para criar um enorme exército de 5.000 cidadãos comissionados. Então, em 27 de 
julho, uma combinação de soldados, policiais e civis armados, violentamente esmagaram os 
grevistas, deixando 30 homens mortos e um ar amargo de desconfiança e ódio entre as 
classes de Chicago.

Essa rápida militarização de cidadãos proeminentes da cidade demonstrou a poderosa 
influência que a classe capitalista teve sobre o governo. Lucy Parsons escreveria anos 
depois que “a grande greve da estrada de ferro de 1877" ensinou-lhe que o "poder 
concentrado" do governo seria sempre "exercido no interesse de poucos e em detrimento de 
muitos.”25 Além disso, a sua crescente desconfiança com o poder governamental tornou-se 
uma questão pessoal durante a greve, quando Albert Parsons ficou cara a cara com o poder 
das lideranças industriais de Chicago. Um dia depois de fazer um discurso empolgante antes 
dos trabalhadores entrarem em greve, Albert Parsons foi demitido do Times. Em seguida, o 
Superintendente da Polícia Michael Hickey sequestrou rapidamente Albert e disse-lhe para 
deixar a cidade. Mais tarde, quando Albert Parsons tentou reunir-se com membros do 
sindicato no edifício Times, ele foi forçado a sair por dois homens armados que ameaçaram 
atirar na cabeça dele. Durante o dia da grande greve ferroviária, Albert Parsons foi 
demitido, com uma arma apontada para ele, dizendo que deixasse a cidade. Assim, a grande 
greve ferroviária tocou os Parsons de uma forma extremamente pessoal e serviu como 
catalisador para uma ideologia muito mais radical.

Nos anos seguintes da grande greve, o Working Men’s Party se fundiu com o Socialist Labor 
Party (Partido Socialista Trabalhista) e tentou várias vezes eleger os socialistas para 
alas da cidade. Mas, em uma eleição após a outra, os votos foram erradamente calculados ou 
as urnas foram descaradamente recheadas, levando muitos a perder toda a confiança na 
reforma eleitoral. Em uma carta a um jornal trabalhista, Lucy Parsons explicou que “as 
chamadas leis” não “valem o papel em que estão escritas”, porque os capitalistas tinham o 
poder de fazer o que eles queriam mesmo que “os produtores de toda a riqueza tivesse 
desejado o contrário.”26

             No início dos anos 1880, como as ações eleitorais repetidamente falharam e as 
greves e as manifestações foram reprimidas pela polícia, milícia e bandidos contratados, 
muitos socialistas de todo o mundo começaram a se concentrar na ação direta (muitas vezes 
chamada de "propaganda pela ação") como um meio para inspirar as massas e trazer a 
revolução. Em 1882, Johann Most, conhecido agitador revolucionário e ex-parlamentar, falou 
em Chicago argumentando que os trabalhadores teriam de se armar e travar uma guerra contra 
seus governantes capitalistas. O movimento de Chicago, em particular, combinou união e 
trabalho de agitação com a defesa da autodefesa armada. Acreditando profundamente na 
necessidade de organização, Albert e outros militantes de Chicago se estabeleceram em 
Pittsburgh, em outubro de 1883, onde eles, Most e outros iriam fundar a International 
Working People’s Association (Associação Internacional das Pessoas Trabalhadoras).

A declaração de princípios da IWPA, ou o Manifesto Pittsburgh, é o trabalho mais 
importante surgido a partir da conferência de 1883. Ela também continua a ser uma 
excelente expressão da ideologia anarquista de Parsons. Informado pela oposição de Bakunin 
sobre a organização autoritária e teoria da mais-valia de Marx, o Manifesto Pittsburgh 
expressa a crença dos escritores na inutilidade da cédula, o seu apoio à insurreição 
armada, e o poder do sindicalismo revolucionário.27 O principal elemento anarquista do 
Manifesto era seu ponto de vista a respeito dos sindicatos, vistos tanto como "um 
instrumento de revolução social '' quanto como a fundação de uma ordem social baseada na 
organização cooperativa que surgiria com a destruição do capitalismo. A combinação do 
sindicalismo revolucionário e do anarquismo veio a ser conhecida como a “ideia Chicago”, e 
logo iria captar a atenção da classe trabalhadora da cidade.

O Manifesto Pittsburgh descreve o capitalismo como “injusto, insano e assassino.” Escolas, 
igrejas e imprensa estavam “na folha de pagamento e sobre direção das classes 
capitalistas” para manter os trabalhadores reprimidos. Com um sistema tão corrupto, os 
trabalhadores tinham de “organizar a revolta” e destruir o capitalismo por qualquer meio 
necessário. Depois de descrever a natureza exploradora do capitalismo, o Manifesto 
Pittsburgh conclui delineando seis metas para o IWPA:

Primeiro: Destruição da dominação de classe existente, por todos os meios, ou seja, por 
uma ação enérgica, implacável, revolucionária e instrumental.
Segundo: Estabelecimento de uma sociedade livre baseada na organização cooperativa de 
produção.
Terceiro: a livre troca de produtos equivalentes por e entre as organizações produtivas 
sem comércio e especulação financeira* (profit-mongery*: especulação financeira foi a 
melhor adaptação que escolhemos para dar sentido na tradução).
Quarta: Organização da educação em uma base secular, científica e igual para ambos os sexos.
Quinto: Direitos iguais para todos, sem distinção de sexo ou raça.
Seis: Regulamentação de todos os assuntos públicos por contratos livres entre as comunas e 
associações autônomas (independentes), fundamentada em uma base federalista.28

       Acreditava-se que esses objetivos poderiam ser alcançados através das federações de 
grupos autônomos das IWPAs. Um departamento de informações facilitaria a comunicação entre 
agrupamentos IWPA, mas não haveria nenhuma autoridade central ou comitê executivo; a 
existência de uma entidade que controlasse estaria em contradição com a visão que o 
movimento tinha de uma sociedade cooperativa.

       Os princípios do Manifesto Pittsburgh é o que melhor expressam a visão de mudança 
social radical ao longo da vida de Lucy Parsons. Anos mais tarde, escrevendo em um ensaio 
sobre o anarquismo, Parsons explicaria que “os sindicatos são padrões embrionários” das 
“comunidades cooperativas” vindouras.29 Parsons também voltou de novo e de novo à ideia de 
que o Estado era tão somente um agente da repressão e, por isso, tinha de ser destruído 
através da ação revolucionária. Além disso, os mecanismos específicos de transformação 
social nomeados no Manifesto eram as suas armas escolhidas. Para Parsons, a revolução só 
viria através da mobilização de massas, baseada na união de um movimento aberto ao poder 
da ação violenta. Esse protótipo do anarco-sindicalismo impulsionaria seu envolvimento com 
os Industrial Workers of the World (Trabalhadores Industriais do Mundo) em 1905, com a 
Syndicalist League of North America (Liga Sindicalista da América do Norte) em 1912, e com 
a Communist Party’s International Defense League (Liga Internacional de Defesa do Partido 
Comunista) em 1927. Assim, o Manifesto Pittsburgh pode ser visto como a primeira e mais 
concisa expressão da ideologia radical de Lucy Parsons. Após a convenção de Pittsburgh, 
Lucy e Albert Parsons rapidamente centraram suas atividades radicais no desenvolvimento da 
IWPA. Conforme numerosos agrupamentos iam se estabelecendo em todo o país, Albert assumiu 
a editoria do único jornal de língua Inglesa da associação, The Alarm. O jornal tornou-se, 
rapidamente, a base para os anarquistas de língua Inglesa no movimento operário de 
Chicago. Lucy Parsons, com Lizzie M. Swank, começou a ajudar Albert com a produção do 
jornal e, juntas, escreveram alguns de seus artigos mais contundentes. O mais conhecido 
artigo de Parsons no The Alarm foi “A Word to Tramps” (Uma palavra aos Desempregados). 
Aparecendo na primeira edição, “To Tramps” (Aos Desempregados) encorajou a “desempregados” 
e “deserdados” a “aprender o uso de explosivos” e, quando à beira do suicídio, fazer uma 
declaração revolucionária, tomando as “avenidas dos ricos” e dar fim às suas vidas 
enviando “à frente, o clarão vermelho da destruição” através do poder da dinamite.30 
Através de artigos como “To Tramps” e seus discursos inflamados, ela rapidamente se tornou 
“uma das mulheres anarquistas mais ativas no país.” 31

             Parsons também ficou ocupada trabalhando como costureira e cuidando de seus 
dois filhos pequenos. No meio da luta pela emancipação dos trabalhadores, Lucy e Albert 
tinham começado uma família com o nascimento de Albert Richard Parsons, em 14 de setembro 
de 1879, e Lulu Eda Parsons em 20 de abril de 1881. Essa nova posição como uma mãe 
trabalhadora explica, em parte, o seu envolvimento na organização de mulheres costureiras 
para os “Knights of Labor” (Cavaleiros do Trabalho***). De fato, quando uma outra greve 
pela jornada de oito horas de trabalho varreu Chicago em maio de 1886, Lucy Parsons 
poderia ser regularmente encontrada em reuniões para organizar as mulheres costureiras de 
Chicago.

             Em 1 de maio de 1886, uma grande greve pela jornada de oito horas de trabalho 
engoliu Chicago. As tensões entre os grevistas e a polícia rapidamente se intensificaram, 
e, em 3 de maio, a polícia disparou e matou vários grevistas fora da fábrica McCormick. No 
dia seguinte, alguns dos organizadores anarquistas da cidade responderam à violência 
policial com um comício na praça Haymarket, onde haviam cerca de 2.000 trabalhadores 
reunidos pacificamente em protesto. Lucy e Albert Parsons passaram a primeira parte da 
noite em uma reunião para a união das mulheres costureiras, mas conseguiram participar do 
comício de Haymarket depois, trazendo seus filhos junto. Albert falou por 45 minutos sobre 
a história do movimento operário, tendo um grande esforço para evitar a retórica 
inflamatória.32 Por volta das dez horas, uma repentina tempestade forçou Lucy, Albert e 
seus filhos a deixarem a reunião. Nesse momento, o Capitão James Bonifeld e 170 policiais 
marcharam até a praça Haymarket, ordenando que os restantes dos manifestantes, cerca de 
300, se dispersassem. Quando o último discursante contestou a ordem, citando a natureza 
pacífica da reunião, alguém jogou uma bomba na falange da polícia. Os oficiais responderam 
com uma cascata de balas, disparando em vários de seus próprios homens e deixando inúmeros 
trabalhadores mortos e feridos. Infelizmente, o número real de vítimas entre os 
manifestantes, juntamente com a identidade da pessoa que jogou a bomba, nunca foram 
definidos.33

             Na sequência do atentado, os líderes anarquistas de Chicago foram perseguidos 
por uma onda de repressão. Os dias seguintes foram marcados por prisões em massa. Em cinco 
de maio, sozinha, Lucy Parsons foi presa, pelo menos, três vezes sem justificativa, na 
tentativa de forçá-la a delatar o paradeiro do marido.34 Albert Parsons, antecipando a 
repressão, havia fugido da cidade na noite do atentado. No entanto, quando foi feita uma 
acusação de conspiração para cometer assassinato contra sete grandes anarquistas, Albert 
voltou para a cidade; e, no dia da abertura do julgamento, se entregou ao tribunal. Com 
pouca ou nenhuma evidência que pudesse relacionar os réus a pessoa que jogara a bomba e 
com poucas pistas reais sobre o mesmo, o chefe promotor Julius Grinnell alegou que os 
discursos e escritos dos réus nos jornais anarquistas, como no The Alarm, “tinham 
inspirado uma pessoa desconhecida a lançar a bomba, e que eram, portanto, responsáveis por 
conspiração.” As acusações de conspiração, embora com severa falta de provas, foram mais 
do que satisfatórias para o júri lotado e um juiz abertamente hostil; e, em agosto, 
condenaram um réu a 15 anos de prisão e os outros sete homens à morte.

As sentenças foram seguidas por vários meses de apelos que falharam, incluindo a recusa da 
Suprema Corte dos Estados Unidos para julgar o caso. Dias antes da execução, o governador 
de Illinois comutou duas das sentenças dos homens condenados, que puderam sobreviver; um 
outro homem, Louis Lingg, cometeu suicídio em sua cela. Finalmente, quatro homens – August 
Spies, George Engel, Adolph Fischer e Albert Parsons – foram enforcados em 11 de novembro 
de 1887. A bomba em Haymarket e o assassinato judicial de dirigentes anarquistas em 
Chicago lançaram uma sombra que assombrou o movimento sindical norte-americano. Além 
disso, a tragédia pessoal caiu sobre Lucy Parsons, consolidando sua dedicação aos 
movimentos radicais da classe trabalhadora; tal fato incidiu sobre ela como um novo dever, 
o de compartilhar com o mundo a história da bomba de Haymarket e o julgamento dos anarquistas.

História de Lucy Parsons em Haymarket

Imediatamente após as sentenças de morte serem proferidas, Parsons deixou Chicago em uma 
turnê nacional para gerar apoio e arrecadar fundos para a defesa. Falando em grande parte 
aos “sindicalistas conservadores”, Parsons acreditava que ela iria “iluminar o povo 
americano” sobre a “operação de assassinato judicial em Chicago.”35 Em fevereiro de 1887, 
Parsons havia abordado mais de 200.000 pessoas em dezesseis estados. A turnê e o apoio 
gerado por ela desempenharam um papel significativo na conquista de uma suspensão de 
execução da Suprema Corte do Estado de Illinois. Além disso, a turnê de palestras de 
Parsons chamou a atenção nacional, tanto para as injustiças do julgamento quanto para as 
ideias dos anarquistas. No entanto, o sucesso da turnê foi limitado pela falta de apoio 
dos dirigentes sindicais conservadores. Terence Powderly, grande trabalhador mestre no 
Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho), recusou-se a apoiar a defesa e falou contra os 
condenados, agravando ainda mais a tensão já existente dentro do movimento operário. 
Contudo, a comissão de defesa criada por Parsons e o uso de uma turnê para angariar o 
apoio público e financeiro iriam servir como importantes modelos para os futuros radicais. 
Em um nível pessoal, a turnê iria introduzir uma das características mais persistentes da 
vida de Parsons. De 1886 até sua morte em 1942, Parsons gostaria de voltar novamente e de 
novo para o seu compromisso de compartilhar sua história em primeira mão de Haymarket em 
suas audiências.

Através de livros publicados, discursos e escritos, Parsons dedicou 50 anos de sua vida 
não só para limpar o nome de seu marido, mas também para a preservação, educação e 
inspiração de outras gerações com a história do caso de Haymarket. Parsons compartilhou 
essa história, em grande parte, através de materiais publicados. Menos de um mês após as 
execuções, Parsons estava rodando propagandas de um livro de discursos de Albert em The 
Alarm.36 Em 1889, Lucy Parsons estava vendendo Life of Albert Parsons (Vida de Albert 
Parsons), uma coletânea de ensaios sobre a história do movimento operário americano e os 
próprios escritos de Albert. Com o livro, Lucy se dispôs a criar uma obra que “não era 
apenas biográfica, mas histórica – um trabalho que pode ser invocado como uma autoridade” 
para o futuro.37 A dedicação de Parsons para garantir que essa história não seria 
esquecida se estendeu muito para o século XX. Em 1909, Parsons escreveu para Mother Earth 
(Mãe Terra), uma revista anarquista editada por Emma Goldman e Alexander Berkman, entre 
outros, pedindo, “quem iria perpetuar a memória de nossos companheiros mártires”, para 
ajudá-la a republicar seu outro texto, o Famous Speeches of our Martyrs (Discursos Famosos 
de nossos Mártires).38 Muitas vezes, quando falava no 1º de Maio ou 11 de Novembro, 
Parsons infundia a sua história com forte paixão, ao compartilhar a dor pessoal que sentiu 
quando ela e seus filhos foram presos e detidos durante a execução.39 Frente às audiências 
e publicações da IWW, ela contou as atrocidades de conspiradores capitalistas ao comparar 
o julgamento de Chicago com a acusação do líder do IWW, Bill Haywood, em 1907.40 Mais 
tarde, quando o socialista Eugene V. Debs e o sindicalista radical Tom Mooney foram 
presos, Parsons enviou para eles dois exemplares de Life of Albert Parsons (Vida de Albert 
Parsons).41

             Lucy também tinha plena consciência de outras obras sobre Haymarket. Quando a 
obra ficcional de Frank Harris foi publicada em 1908, Parsons tinha 10.000 folhetos 
impressos e distribuídos para refutar as “declarações contidas nesse livro mentiroso.”42 
Acreditando que a identidade do homem da bomba era “absolutamente desconhecida”, Parsons 
opôs-se a Harris nomear um bombista e também ao papel secundário de Albert desempenhado em 
The Bomb. Por outro lado, em 1937, Parsons elogiou o Labor Agitator: the Story of Albert 
R. Parsons de Alan Calmer (Agitador de Trabalho: a História de Albert R. Parsons, de Alan 
Calmer), chamando-o de “boa história do trabalho” que a atual “geração deve conhecer”.43

             Parsons se dedicou para compartilhar as radicais histórias de Haymarket, que 
estão profundamente disputadas. Um historiador precoce de Haymarket praticamente ignorou o 
papel de Parsons nos esforços de defesa e limitou sua vida para as notas finais.44 De 
acordo com Ashbaugh, na década de 1960, os editores da Radcliffe’s Notable American Women 
(Notáveis Mulheres Americanas de Radcliffe) não optaram por incluir Parsons, chamando-a de 
uma figura patética incapaz de escapar do passado e parar de chorar sobre injustiças.45 
Aparentemente, de acordo com essas caracterizações, a defesa que Parsons fez de seu marido 
e a dedicação aos mártires da história de Haymarket a fez historicamente insignificante. 
Na verdade, a luta de Mark Donahue contra o parque Lucy Parsons atesta o fato de que essa 
ideia ainda está viva hoje.

             Na década de 1970, os historiadores revisionistas contra-atacaram essa 
demissão. Em sua biografia, Ashbaugh denunciou “a impressão de que Lucy Parsons dedicou 
sua vida a limpar o nome de seu marido” como completamente errada, retratando Parsons, ao 
invés disso, como uma revolucionária comunista, não uma esposa devotada. Mais 
recentemente, Gale Ahrens escreveu que seus “escritos e discursos sobre os acontecimentos 
em 1886-87... são uma parte relativamente pequena do trabalho de sua vida”, e que ela só 
estava tentando demonstrar a continuidade histórica entre Haymarket e julgamentos 
políticos posteriores.46 Ambos estão corretos ao considerar Parsons uma revolucionária em 
seu próprio direito. Entretanto, a história dos mártires de Haymarket não era uma pequena 
parte da vida de Parsons, mas, em vez disso, foi uma característica central de sua vida.

             Quase imediatamente após a bomba, as histórias populares do evento entraram 
na esfera pública. Na maioria das vezes, essas histórias serviram apenas para apoiar 
processos sensacionalistas que apregoavam concepções de anarquistas como perigosos 
subversivos. “O mais notável destas histórias é o capitão da polícia Michael” de Schaack, 
1889, Anarchy and Anarchists, que retrata o julgamento de Haymarket como uma grande 
vitória para a lei e a ordem sobre terroristas anarquistas.47 Outra história inicial é a 
“Anarchy at an End: Lives, Trial, and Conviction of the Eight Chicago Anarchists” de 1886, 
que incide sobre os papéis heroicos do júri, acusação e juiz.48 Junto com outras histórias 
populares da época, esses livros disseminaram a interpretação do Estado capitalista a 
respeito dos eventos de Haymarket. Como contraponto à essas histórias conservadoras, Life 
of Albert Parsons segue um esquema semelhante ao texto de Schaack. Ambos começam com uma 
história do movimento operário muito antes da década de 1880 e, embora ambos sejam 
extremante subjetivos, eles tentam apresentar um quadro histórico para a compreensão dos 
acontecimentos de 1886.

Contudo, com o decorrer do tempo, Albert Parsons passou a ser o centro da história do caso 
Haymarket, crescendo no trabalho de Parsons. De fato, Parsons tomou um interesse 
particular na mitificação e criou um herói fora do legado de seu marido. Isso pode ser 
visto pela comparação das respostas que deu a Harris em The Bomb e as que deu a Calmer em 
Labor Agitator. Parsons, apaixonadamente, denunciou o The Bomb, porque ela acreditava que 
Harris tinha identificado erroneamente a pessoa da bomba, e porque o The Bomb apresentou 
Albert Parsons como uma figura secundária.49 Por outro lado, Parsons elogiou o livro de 
Calmer, o que está diretamente ligado ao fato de que Albert toma o lugar central em Labor 
Agitator. Claramente, Parsons apoiou a narrativa que colocou seu marido na vanguarda dos 
acontecimentos, apesar de que sua importância no movimento operário era, em grande parte, 
devido ao fato de ser ele um dos seus poucos agitadores de língua Inglesa. Assim, Parsons 
era culpada de participar na transformação de si mesma em herói. No entanto, um 
reconhecimento dessa subjetividade não só reforça a centralidade do caso Haymarket em sua 
vida, mas também mostra que ela não era infalível. Parsons permitiu, por vezes, que suas 
lealdades pessoais moldassem sua interpretação no caso de Haymarket, ainda que não fosse 
patológica ou de grau obsessivo.

             Ainda assim, há uma justificativa para o calendário e a forma de apresentação 
encontrada na narrativa histórica de Parsons. Na maior parte das vezes, Parsons 
compartilha essa história quando participa de eventos apropriados – especialmente nos 
aniversários do dia da bomba ou da execução. Em seu jornal The Liberator (O Libertador) no 
IWW, impresso de 1905 a 1906, demonstra claramente isso. Em The Liberator, Parsons dedica 
amplo espaço para as questões da época, como o sindicalismo, a Guerra Russo-Japonesa e 
próximas eleições, economizando uma discussão detalhada sobre a questão de Haymarket para 
o dia 11 de novembro de 1905. Na memória do assunto, Parsons ofereceu sua narrativa de 
assassinato judicial, apoiando seu argumento com registros do tribunal do Condado de 
Cook.50 Além da edição de aniversário, quase todos os artigos sobre Haymarket em The 
Liberator foram acoplados a um artigo sobre a história internacional dos trabalhadores, 
refletindo sua consciência do lugar mais amplo de Haymarket na história.51

Da mesma forma, quando falava em eventos que não estavam diretamente relacionados com a 
Haymarket, Parsons geralmente reservaria sua discussão sobre Haymarket para o final, como 
uma pedra angular inspiradora. Seu discurso na convenção fundadora do IWW começou com uma 
exposição da opressão das mulheres trabalhadoras, em seguida, discutiu a solidariedade de 
classe e terminou com um histórico do caso de Haymarket. No entanto, na celebração do May 
Day (Dia do Trabalhador) em 1930, Parsons dedicou a totalidade do seu discurso a 
Haymarket, começando com "a grande greve" para "a jornada de oito horas" e terminando com 
as últimas palavras do mártir no tribunal.52 As diferenças entre os dois discursos destaca 
a racionalidade por trás das decisões de Parsons quando fala sobre a história de Haymarket.

Ao contar a história Haymarket para o público de trabalhadores, Parsons advertiu contra 
visões ingênuas da democracia americana. Juntamente com as lições da greve em 1877, o 
susto vermelho que se seguiu ao atentado ensinou Parsons, da forma mais pessoal, que o 
estado norte-americano poderia derramar um “reinado de terror” em cima do radicalismo, 
igual ao “cão de caça russo mais zeloso.”53 A história do caso Haymarket mostrou que o 
governo podia se mover rapidamente para esmagar indivíduos e movimentos. A incapacidade do 
comitê de defesa para impedir os assassinatos judiciais incutiu em Parsons a importância 
central de angariar apoio em massa para desafiar o poder do capitalismo sobre o Estado. 
Assim, o objetivo subjacente de compartilhar a história de Haymarket se estendeu para além 
de limpar o nome de seu marido, pois almeja, no fim das contas, usar as lições do caso 
para educar futuros radicais trabalhistas. As lições embutidas na história de Parsons 
foram evidentes aos militantes posteriores. Organizadora do IWW, Elizabeth Gurley Flynn 
explicou que Parsons “viajou de cidade em cidade, batendo nas portas de sindicatos locais 
e contando a história do julgamento de Haymarket” a fim de alertar os jovens sobre a 
“gravidade da luta adiante” e a possibilidade de que a “prisão e a morte” podem vir “antes 
da vitória.”54 A natureza perigosa do radicalismo do trabalho foi ilustrada pela 
explicação de Parsons em um discurso de que "a imprensa capitalista", o "púlpito", a 
polícia, um júri lotado, e "juízes preconceituosos" agiram conjuntamente para executar 
líderes anarquistas de Chicago.55 Assim, Parsons advertiu jovens radicais, usando a 
história do caso de Haymarket para mapear as estruturas de poder em um estado capitalista.

             Historiadores revisionistas que rejeitaram ou ignoraram a dedicação de 
Parsons à história de Haymarket também têm mascarado o fato de que Parsons havia fixado um 
significado alternativo para o caso Haymarket, que desafiou o significado criado por 
poderes institucionalizados. Através de interpretações históricas de tais historiadores, 
“comentaristas da grande mídia, porta-vozes do capital, e oficiais estaduais fundamentados 
na legitimação das instituições” transmitiram a “ideia dominante de que a violência do 
governo efetivamente protegeu” a América contra a “violência conspiratória e niilista de 
terroristas da classe trabalhadora”, como Albert Parsons.56 Em outras palavras, histórias 
como a de Schaack, que classificou os anarquistas como terroristas e subversivos 
estrangeiros, deram aos acontecimentos de Haymarket um significado simbólico que mais 
tarde justificou a criação de aparatos estatais repressivos, incluindo “esquadrões 
vermelhos” (red squads, unidades de inteligência policial especializadas em se infiltrar), 
legislação nativista, e agências de inteligência. Em oposição a essa caracterização 
dominante, Parsons retratou os anarquistas como mártires, em vez de terroristas, exibindo 
uma forte consciência desta luta pelo sentido. Praticamente, em todos os tempos, “a 
reunião Haymarket” foi referida historicamente como o “motim de Haymarket”; e Parsons 
teria, apaixonadamente, citado a natureza da reunião como “pacífica e tranquila”.57 
Parsons sabia que ela tinha que “cavar os fatos” de uma história de mentiras que haviam 
sido amontoadas sobre os mártires por aqueles que tentaram “encobrir [o] crime de enviar 
cinco líderes de trabalhadores para a forca.”58 Além disso, o significado histórico 
alternativo que Parsons atribuiu também construiu as bases simbólicas de comemorações 
institucionais, como o May Day. Quando a dedicação de Parsons à interpretação histórica 
radical do caso Haymarket é jogada abaixo, obscurece-se o papel influente que ela 
desempenhou na fixação de um significado alternativo para o episódio da bomba na Haymarket.

             Ao reconhecer que Parsons passou grande parte de seu tempo compartilhando a 
história dos acontecimentos de Haymarket, é possível explorar a influência da narrativa 
pessoal sobre o radicalismo. Embora bem versado no pensamento radical, a capacidade de 
Parsons para moldar o significado dos eventos de 1886 não deriva de sua experiência 
intelectual. Em vez disso, a influência de Parsons está enraizada no uso de uma narrativa 
pessoal e sua posição como uma viúva do acusado e executado. Parsons explicou que ela 
tinha um “direito como mãe e como esposa de um dos [a] os homens sacrificados, para dizer 
o que quer”, que ela poderia “trazer a luz a incidir sobre” a judiciária "conspiração".59 
Apesar de sua falta de poder institucionalizado, ela poderia usar seu poder simbólico como 
uma viúva para impulsionar seu significado alternativo para a esfera pública por meio de 
palestras e livros, e, assim, combater as ideias sensacionalistas divulgadas pela imprensa 
mainstream (termo inglês que designa o pensamento ou gosto corrente da maioria da 
população). Assim como as histórias institucionais do episódio da bomba em Haymarket 
produziram poderosos sentimentos de medo no seio da sociedade, a narrativa de Parsons 
havia criado sentimentos apaixonados de raiva e revolta entre os radicais. Quando os 
historiadores ignoram que Parsons teria um compromisso de dizer a sua história alternativa 
do caso Haymarket, destroem também a oportunidade de ver o poder que a experiência pessoal 
pode ter na promoção de radicalismo na América, e em preencher as lacunas no registro 
histórico.



Raça e a Criação da Consciência de Classe

             A postura de Parsons sobre a opressão racial também é contestada bruscamente. 
Relacionado à sua celebração como uma ativista dos direitos civis, muitas vezes, é 
afirmado que Parsons foi uma forte porta-voz contra o racismo. A página inicial do site 
comemorativo LucyParsonsProject.org afirma que Parsons desafiou a discriminação racial. Na 
mesma linha, os funcionários dos parques de Chicago acreditavam que o parque proposto não 
reconhece apenas o ativismo operário de Parsons, mas também os seus esforços em nome dos 
afro-americanos.60 No entanto, essa celebração da militante como uma voz ativa contra a 
opressão racial não tem sido afirmada por acadêmicos. O historiador Robin D. G. Kelly 
argumenta que Parsons eloquentemente lutou contra a opressão da classe trabalhadora, mas 
"ignorou a raça"; argumenta, ainda, que, embora ela escrevesse sobre linchamentos de 
negros, Parsons visualizava a tamanha violência racial, principalmente, como uma extensão 
da opressão de classe. Kelly baseou seu argumento, em grande parte, em um artigo de 1886 
no The Alarm, em que ela escreveu que a opressão não foi “lançada sobre o negro porque ele 
é negro”, mas porque “ele é pobre.”60 Kelly argumentou que Parsons praticou reducionismo 
de classe, e acredita que esse reducionismo é explicado pela sua incapacidade de operar 
fora “dos limites do pensamento ocidental socialista do século XIX.”62 Ashbaugh concorda, 
argumentando que Parsons “acreditava que a abolição do capitalismo produziria 
automaticamente igualdade racial.” Ashbaugh explica que a postura de Parsons (ou falta 
dela) sobre a opressão racial refletiu sua profunda internalização do racismo branco, o 
que tornou impossível para “ela analisar sua posição social em relação a tudo menos seu 
status de classe.”63 Essa análise contradiz claramente a imagem mitologizada de Parsons 
como “uma defensora ferrenha” para “os direitos dos afro-americanos.”64 Essa contradição é 
explicada, em parte, pelos questionamentos às visões que Kelly e Ashbaugh tinham de 
Parsons como uma reducionista de classe.

A historiadora feminista Roxanne Dunbar-Ortiz argumentou recentemente que Parsons, de 
fato, reconhece o racismo como uma força fora dos limites da opressão de classe, 
baseando-se em um artigo de 1892, em que Parsons protesta contra a violência racial, 
“sendo perpetuada no Sul contra os cidadãos pacíficos, simplesmente porque eles são 
negros.” Em resposta a esse racismo brutal, Parsons sugeriu que os afro-americanos 
tirassem o espírito de John Brown e “ajudassem a si mesmos” pelo aumento da autodefesa.65 
Dunbar-Ortiz argumenta que a postura de Parsons sobre o racismo se estende além do 
“economicismo reducionista” e que sua “linguagem de autoconfiança e autodeterminação” foi 
um precursor para o radicalismo de “Malcolm X e os Panteras Negras”.66 A conexão feita 
aqui é bastante tênue. No entanto, ligando escritos de Parsons com as ideias do “movimento 
dos direitos civis durante a década de 1960”, Dunbar-Ortiz plantou as sementes para 
comemoração de Parsons como uma defensora dos direitos negros.

             Parsons, em 1930, trabalhou para a defesa dos Scottsboro Boys, através da 
International Labor Defense (ILD, Defesa Internacional do Trabalho), o que também é citado 
como evidência de seu ativismo negro. Argumenta-se que o seu trabalho em defesa dos oito 
homens negros, conhecidos como os “Scottsboro Boys”, em julgamento pelo suposto estupro de 
uma mulher branca, mostra “dedicação... para as lutas dos afro-americanos.” 
(www.lucyparsonsprojet.org/about_lucyparsons.html.) No entanto, na década de 1930, Parsons 
também estava trabalhando com o ILD para obter a liberdade do líder trabalhista Tom Mooney 
da prisão. Seus esforços em nome dos Scottsboro Boys parece refletir seu trabalho de longa 
data contra o assassinato judicial, mais do que uma dedicação específica para os 
afro-americanos.67 Na mesma linha, seu ensaio “Southern Lynchings” (Linchamentos no Sul) 
não fornece provas suficientes para demonstrar que a opressão dos afro-americanos era um 
foco central em sua obra. No entanto, o artigo demonstra que Parsons estava ciente do 
racismo, e não ignora a questão. De fato, “Southern Lynchings” sugere que, antes que 
Parsons passe a ser definitivamente marcada como uma reducionista de classe ou uma 
ativista pelos direitos dos Negros, é necessária mais investigação.

Uma exploração mais profunda em sua postura sobre o racismo pode começar com uma análise 
das alegações de Kelly e Ashbaugh a respeito do reducionismo em relação à dedicação de 
Parsons para forjar a consciência de classe. Para reiterar, Kelly explicou a postura de 
Parsons sobre o racismo como um reflexo de seu confinamento ao pensamento socialista 
ocidental. Ao fazer isso, Kelly deu a entender que o trabalho de Parsons dentro do 
movimento operário apenas a distanciava da opressão racial, que ela era incapaz de ver o 
poder opressivo do racismo. Ashbaugh acreditava que o reducionismo de Parsons deveu-se ao 
fato de que ela internalizou o racismo, a tal ponto que ela “negou a sua própria 
ancestralidade negra” e, assim, ficou incapaz de ver tanto a sua própria “opressão como 
uma mulher negra” quanto o papel do racismo na sociedade em geral.68 Essas explicações 
são, em grande parte, especulativas e, paradoxalmente, apesar de Kelly e Ashbaugh chegarem 
a mesma conclusão, um raciocínio contradiz o outro. É difícil imaginar que uma mulher de 
cor viva, no início do século XX, não podia ver ou sentir o racismo. Além disso, 
juntamente com o “Southern Lynchings”, uma exploração de dedicação de Parsons para forjar 
uma consciência de classe racialmente inclusiva demonstra que Parsons estava ciente do 
poder do racismo na sociedade em geral.

Ao longo da vida, Parsons se esforçou ativamente para construir uma identidade de classe 
comum entre todos os trabalhadores norte-americanos.69 Muito antes do episódio da bomba de 
Haymarket, Parsons pediu às “massas para aprender que” os seus interesses estariam sempre 
em oposição à classe dominante.70 Parecia que a falta de apoio para a defesa dos líderes 
dos Knights of Labor, junto com divisões pré-existentes dentro do movimento operário e um 
medo geral de represálias, impediu o apoio unificado dos trabalhadores aos réus de 
Haymarket. Parsons se afastou das execuções, acreditando que só um movimento massivo 
baseado no interesse comum dos trabalhadores poderia desafiar com êxito o capitalismo. 
Assim, no sentido de incitar a formação de uma classe operária auto identificada na 
América, Parsons estava tentando fortalecer a única arma que ela acreditava realmente que 
poderia derrubar o capitalismo. Em 1907, depois que o líder da IWW, Bill Haywood, foi 
absolvido das acusações de conspiração para cometer assassinato, Parsons explicou que o 
sucesso da defesa foi porque “a classe operária era unida e ficou ombro a ombro”; e 
tornou-se consciência de classe ao reconhecer que a própria IWW, não só Haywood, era, na 
verdade, levada a julgamento.71

             Além disso, a sua visão de classe incluiu pessoas de todas as raças e etnias. 
Parsons abraçou organizações que se recusaram a participar de bode expiatório racial e 
rejeitavam políticas racialmente exclusivas. Em 1885, o IWPA declarou que não faria como 
outras organizações de trabalhadores tinham feito e “declarou o Chinês responsável pelas 
condições opressivas dos trabalhadores", como o “IWPA nunca iria sentir que suas fileiras 
estavam completas se excluíssem trabalhadores de qualquer nacionalidade.”72 Parsons 
continuaria a defender um movimento trabalhista racial, inclusive, muito depois do 
desaparecimento das IWPAs. Falando antes do IWW, Parsons ressaltou a importância de formar 
uma solidariedade inclusiva entre os trabalhadores, lembrando o IWW que:

O fluxo vermelho que corre nas veias de toda a humanidade é idêntico... Não importa onde, 
seja nas planícies ensolaradas da China, ou no sol batendo nas colinas da África, ou nas 
margens distantes cobertas de neve do norte, ou na Rússia ou na América... todos eles 
pertencem à família humana e têm uma identidade de interesses.73

             Claramente, Parsons estava ciente que questões de raça dentro do movimento 
trabalhista americano poderiam ser poderosamente divisionistas. Na verdade, dialogando 
diretamente com problemas de racismo que assolaram o movimento operário, Parsons 
incentivou claramente o IWW a abraçar uma forma inclusiva da consciência de classe, não 
permitindo que a união fosse dividida em linhas raciais ou nacionais; assim como muitos 
outros sindicatos da época. Longe de ignorar raça, Parsons rejeitou a criação de 
organizações de trabalhadores exclusivamente raciais ou estratificados.

             Além disso, sua dedicação para forjar um movimento trabalhista racialmente 
inclusivo desafia a ideia de que ela havia internalizado o racismo. Em vez disso, ela 
reconheceu o poder de divisão do racismo e, junto com os outros fundadores do IWW, abraçou 
e incentivou a formação de uma consciência de classe racialmente inclusiva, que poderia 
atuar como um poderoso mecanismo contra o capitalismo.

             Explorar essa dedicação de Parsons para forjar uma consciência de classe 
racialmente inclusiva na América pode servir como um ponto de partida para uma análise da 
sua postura de raça. Na verdade, em termos comemorativos, incluir nomes e as celebrações 
do parque que leva o nome Parsons pode de fato estimular o movimento operário americano a 
adotar mais práticas e políticas raciais inclusivas. Ainda assim, deve-se ressaltar que a 
dedicação de Parsons para forjar uma classe trabalhadora racialmente unificada, 
autoconsciente, estava enraizada em seu desejo de fortalecer a escolha das armas contra o 
capitalismo - um movimento de trabalhadores em massa. Na realidade, implícita dentro de 
sua postura de oposição, incluindo a sua crítica ao poder de divisão do racismo, Parsons 
tinha o desafio de ter sua própria concepção para América como uma sociedade sem classes.74

Criando a Heroína Mítica

             Grande parte da controvérsia sobre a vida de Parsons tem resultado da 
remodelação inadequada e da criação de um ícone histórico. A história de Parsons foi 
influenciada pelas afiliações políticas e objetivos daqueles que a gravaram, e por aqueles 
que foram empenhados em criar um herói em sincronia com suas inclinações políticas 
específicas ou suas necessidades. No entanto, são possíveis várias formas de comemoração 
ou homenagem para Parsons sem alterar ou ignorar suas próprias palavras. Parsons pode ser 
facilmente celebrada como uma figura fundamental na criação e preservação de uma história 
alternativa de Haymarket. Ela pode ser vista como um herói trabalhador que rompeu com a 
tradição e defendeu racialmente (e gênero) a unidade da classe trabalhadora dos Estados 
Unidos - uma posição geralmente radical para esse período. No entanto, não é dada atenção 
suficiente a como e por que essa manipulação é tão prevalecente na historiografia de 
Parsons. Uma série de fatores influenciam a reformulação do seu legado. Ao explorar como e 
por que Parsons tem sido rotulada como uma ativista negra, feminista e comunista, as 
raízes dessa manipulação podem ser resolvidas na íntegra.

Muitos dos problemas associados com a rotulação de Parsons como Africano-Americana já 
foram discutidos, mas a atratividade desse rótulo garante mais discussão. Em sua rotulação 
como negra, torna-se possível se envolver com ela em um nível mais familiar. A 
incapacidade dos Estados Unidos de reconhecer suas divisões de classe fez das identidades 
raciais e étnicas uma área mais familiar no discurso. É mais fácil rotular Parsons em 
questões afro-americanas e, em seguida, discutir questões que confrontam figuras negras na 
história americana. Por exemplo, quando se compara Parsons com uma famosa anarquista 
branca, Emma Goldman, Ashbaugh argumenta que “Goldman pudesse estudar na Europa e viajar 
em meios educados”, mas a “pele escura” de Parsons impediram-na de tais oportunidades.75 
Contudo, o registro histórico refuta tal argumento. Parsons foi calorosamente recebida ao 
falar em Londres, em 1888, pelo menos, nos meios radicais; e sua visita à Inglaterra é 
considerada um fator chave para levar muitos socialistas ingleses a abraçar completamente 
o anarquismo.76 Sua popularidade na Europa durou décadas. Enquanto escrevia The Liberator, 
um camarada de Paris lembrou Parsons de que ela ainda estava "bem conhecida na Europa" e 
que qualquer conselho que pudesse oferecer sobre os perigos do sindicalismo iria "fazer 
uma boa impressão” nas alas radicais parisienses.77 Claramente, Parsons poderia viajar 
pela Europa. Assim, nem todas as restrições típicas das mulheres negras afetaram Parsons. 
Em vez disso, uma comparação de classe e culturas constituintes serviria como melhores 
mecanismos para a compreensão de diferentes experiências de Parsons e Emma Goldman na 
Europa. Além disso, essa comparação exigiria que a comunidade acadêmica participasse mais 
plenamente com Parsons em um nível de classe.

             O legado de Parsons também foi transformado em história de uma heroína 
feminista. Especialmente nas arenas de memória pública, Parsons é rotineiramente chamada 
de feminista.78 Ao longo de sua vida, ela abordou muitas questões que as mulheres 
enfrentam. Ela se enfureceu contra as práticas corrosivas que pressionavam as mulheres 
para absorver empregos domésticos e incentivou as mulheres a abraçar o controle da 
natalidade.79 Como uma mãe trabalhadora, Parsons acreditava que falava em nome de todas as 
mulheres que trabalhavam quando participou da fundação do IWW.80 No entanto, seus esforços 
em nome das mulheres sempre fizeram parte de sua dedicação à luta de classes.81 Seu 
interesse pela libertação feminina manteve-se focado em questões que lhe foram mais 
diretamente ligadas ao trabalho e ao capitalismo. Parsons respondeu às anarquistas que 
defendiam maior liberdade sexual das mulheres, salientando que a rejeição das relações 
sexuais e familiares tradicionais poderia aumentar a opressão das mulheres que trabalhavam 
por removê-los da rede de segurança econômica da família.82 No entanto, com os escritos 
dispersos de Parsons sobre questões femininas, como prova, os historiadores revisionistas 
têm usado com sucesso o rótulo feminista para combater a visão de Parsons como uma viúva 
apaixonada. Contudo, o rótulo feminista também é problemático. Pode ainda prejudicar a 
exploração de sua dedicação à história de Haymarket, tornando difícil esquadrinhar as 
maneiras pelas quais o poder de Parsons foi positivamente derivado de sua posição como 
mulher e viúva. Além disso, tal como os termos dos direitos civis, o rótulo feminista 
tende a ser usado de maneiras que fundem ideias de Parsons com as ideias e objetivos do 
movimento das mulheres de 1960. Ao invés de usar o termo feminista, pode ser mais simples 
afirmar que Parsons foi uma heroína para todos os trabalhadores.

             A ideia de que Parsons foi membro do Partido Comunista é a identidade mais 
contestada e sem fundamento já colocada a seu respeito. A imagem de Parsons como uma 
comunista é apenas a criação de Ashbaugh. Escrevendo em 1976, no final de uma era de 
intelectualismo marxista, Ashbaugh afirmou que Parsons perdeu a fé no anarquismo no início 
de 1930; e, como o Communist Party USA (Partido Comunista dos EUA) cresceu em 
proeminência, ela tornou-se ativa na International Labor Defense, um grupo da frente 
comunista. Em 1927, Parsons foi eleita para o Comitê Nacional do ILD e, de fato, trabalhou 
em uma série de casos, incluindo o caso Scottsboro.83 No entanto, Ashbaugh, dando, então, 
um salto de fé, alega que, em 1939, Parsons entrou oficialmente para o Partido Comunista, 
mas não forneceu qualquer evidência sólida para essa afirmação. O Partido não registra a 
adesão de Parsons, seja na literatura promocional ou em seus registros. Em vez disso, 
Ashbaugh usou um trabalho de Parsons com o ILD e seus discursos antes das audiências 
comunistas como prova de filiação. Já se observou que o trabalho de Parsons com o ILD foi, 
antes de tudo, uma continuidade de seus esforços na defesa dos líderes trabalhistas 
vítimas da repressão. Os discursos de Parsons antes das audiências comunistas não indicam 
necessariamente que era um membro do partido, mas que ela estendeu a mão para uma 
organização que considerava eficaz no tratamento das questões trabalhistas.

             A presença de Parsons na história do comunismo americano expõe uma das 
principais formas de manipulação da sua história. Na década de 1920, o movimento 
anarquista americano foi praticamente dizimado por políticas governamentais anti-radicais. 
Na década de 1930, o Partido Comunista dos EUA foi a organização mais proeminente com foco 
em questões trabalhistas. Desde o caso Haymarket, Parsons professava uma ideologia radical 
simples: apenas uma sólida organização baseada em classes e que tivesse a atenção das 
massas e aceitado a natureza violenta da luta de classes poderia trazer o ideal 
revolucionário de uma sociedade livre.84 Parsons passou a vida se movendo de organização 
para organização, a fim de apoiar a associação com o forte poder revolucionário. Ela 
explicou, em 1930, que tinha “visto muitos movimentos de vir e ir” e havia “pertencido a 
todos aqueles movimentos”, mas que sempre fora “uma anarquista, porque o anarquismo 
[transporta] o próprio germe da liberdade em seu ventre.”85 Uma pequena lista de 
organizações em que Parsons trabalhou inclui o Socialistic Labor Party (Partido Socialista 
Trabalho), o IWPA, o Socialist Party (Partido Socialista), o IWW, o Syndicalist League of 
North America (Liga dos Sindicalistas da América do Norte) e o ILD. Parsons, em um fluido 
movimento de organização para organização, enfraquece a afirmação de Ashbaugh.86

             Em vez de reconhecer a vontade de Parsons para trabalhar com uma ampla gama 
de organizações da classe trabalhadora, Ashbaugh introduziu algo semelhante a uma 
competição sobre quem poderia reivindicar Parsons. Por exemplo, a história documental de 
Gale Ahrens foi uma tentativa de resgatar Parsons “para o movimento anarquista.”87 Ao 
fazê-lo, Ahrens fornece ao anarquismo outro herói, mas faz pouco para desmistificar o 
legado de Parsons. Ao enfatizar suas próprias afiliações políticas e não reconhecer a 
dedicação de Parsons à criação de uma sociedade livre, superando suas lealdades 
institucionais, historiadores abriram a porta para o legado de Parsons ser destorcido para 
a história de um mero reformador social.

Por fim, deve-se salientar que essa mitologização de Parsons resultou na desvalorização e 
expurgação de seu compromisso revolucionário. A adesão de Parsons à ideia de “propaganda 
pela ação” praticamente desapareceu do registro histórico.88 Lidar com a história de 
Parsons e o anarquismo de promoção da ação direta, às vezes violenta, tem sido uma tarefa 
difícil para a esquerda norte-americana. Além disso, em um mundo pós-11 de Setembro, o 
discurso em torno do surgimento e méritos da violência revolucionária tem sido quase que 
totalmente limitado a sua repulsa. Tornou-se difícil para comemorar publicamente Parsons, 
embora reconhecendo sua dedicação à “propaganda pela ação”. No entanto, sua vida pode 
servir como um caso de estudo para a compreensão da relação entre as experiências de 
repressão e de crença na necessidade ou inevitabilidade da violência como um mecanismo 
para a mudança. Tal exploração nos permitirá visualizar as crenças de Parsons não como uma 
anomalia a ser esquecida em uma outra vida louvável, mas como um elemento central de uma 
ideologia radical profundamente influenciada pela experiência pessoal da repressão.

O Parque Lucy Elk Gonzales Parsons

             Em 07 de março de 1942, Lucy Parsons morreu quando sua casa pegou fogo, pondo 
fim há mais de 70 anos de trabalho incansável em nome da classe trabalhadora da América. 
Parsons deixou para trás um longo histórico de contribuições influentes para o radicalismo 
americano, mas o fogo e a remoção e supressão de seus registros pessoais pelas autoridades 
estaduais contribuíram para ocultar o seu legado.89

             Historiadores e funcionários públicos ainda sepultaram a influência de 
Parsons, moldando sua vida para caber nos interesses políticos e culturais atuais. Essa 
reformulação histórica está na raiz da criação de uma imagem heroica de Parsons que 
contradiz muitas de suas próprias crenças. Através do esforço para ver a vida de Parsons 
dentro do contexto de seu próprio tempo e retornando para muitos dos registros históricos 
disponíveis, é possível lidar com essas contradições e deixar brilhar uma nova luz sobre 
suas contribuições para o radicalismo americano. Parsons foi claramente a figura mais 
formativa no sentido de garantir que a história do caso de Haymarket seria lembrado e não 
fosse distorcida por aqueles no poder. Parsons usou essa história para educar líderes 
trabalhistas jovens da América a respeito do poder repressivo do Estado, bem com infundir 
no movimento operário uma indignação apaixonada. Além disso, Parsons acrescentou ao ideal 
americano de justiça, promovendo políticas de trabalho racialmente inclusivas que ajudaram 
a fortalecer a compreensão tradicionalmente fraca de classe na América.

Em maio de 2004, o conselho do Chicago Park District’s aprovou a proposta do Parque Lucy 
Elis Gonzales Parsons. As contribuições de Parsons para o radicalismo americano certamente 
merecem ser comemoradas, e o Parque Lucy Elis Gonzales Parsons pode servir como um 
poderoso local para tal comemoração, apesar de os pressupostos historicamente imprecisos 
que levaram a sua criação. Rodeado por um número de fábricas, em um bairro operário 
intocado pela especulação imobiliária, o cenário do parque Parsons é bastante 
apropriado.90 O parque poderia facilmente servir como um ponto de encontro de diversos 
grupos para se unirem em torno de suas causas comuns. O parque também oferece uma 
oportunidade para Chicago e América começarem a abraçar plenamente a sua história radical. 
O passado da América está cheio de lutas pela liberdade econômica, e nossa sociedade não é 
nutrida através da limitação de nossa celebração histórica para o movimento dos direitos 
civis e de outras lutas que têm sido, muitas vezes, domadas em sua releitura.

Naturalmente, a verdadeira questão não é quem foi a heroica Lucy Parsons, mas como podemos 
aprender com sua luta e como sua história pode proporcionar uma melhor compreensão do 
radicalismo americano. Mais importante ainda, o Parque Parsons deve servir como um 
lembrete de que a história que encontramos em uma placa ou espremido em listas de heróis 
foi certamente influenciada pelo presente. A formação do legado de Parsons para atender às 
necessidades de um governo da cidade, relutante ou incapaz de celebrar diretamente sua 
história anarquista, nos ensina que histórias de banco de parque nunca devem ser vistos 
como a história completa, mas deve servir como ponto de partida para um estudo mais profundo.

A pesquisa sobre a vida de Parsons está apenas começando. Com uma compreensão de como e 
por que sua história tem sido deformada, existe uma oportunidade inestimável para cavar 
ainda mais os registros, em uma tentativa de desmistificar sua vida. Existem áreas 
inteiras de sua vida, especialmente na era da Primeira Guerra Mundial e na década de 1920, 
que estão em falta, a partir do registro histórico, e devem ser exploradas.

A história Lucy Parsons é mais ampla e mais complexa do que sua condensação em uma 
biografia ou do que um pequeno livro de fontes documentais pode capturar. Estudos sobre 
Parsons e o radicalismo em geral, não podem ser considerados finais - como ela mesma 
salientou:

“Nada é considerado tão verdadeiro ou tão certo, que as descobertas futuras não possam 
prová-lo falso.”91


1 Sou grato a S. Kashdan que corrigiu e comunicou este artigo.

2 PARSONS, Lucy. “The Moving Inspiration of our Age,” The Agitator, 15 de Novembro de 
1911, em Ahrens, ed. ____: Freedom, Equality and Solidarity (FES).p. 136.

3 Albert Parsons foi formalmente acusado e cúmplice por cometer assassinato. AVRICH, Paul. 
The Haymarket Tragedy. p. 272.

4 “`Plan to Name Park after Anarchist Draws Fire,” Chicago Sun-Times, 22 de Março 2004, 7; 
“Daley Backs Plan to Name Park after Anarchist,” Chicago Sun-Times, 24 de Março 2004, 17. 
Tem sido muito aceito que Lucy e Albert Parsons não tiveram nenhum papel direto nos 
atentados de 1886. Para uma sinopse sobre a natureza injusta do julgamento veja, o perdão 
de Neebe, Fielden e Schwab do governador Altgeld; vindicação dos mártires de Chicago de 1887.

5 A melhor consideração do atentado é de Avrich, The Haymarket Tragedy.

6 “Park Plan Upsets Chicago Cops”, Chicago Tribune, 22 de Março 2004

7 De acordo com Ashbaugh, “Parsons afirmou ser uma ‘anarquista’, quando o título foi 
fixado nela pela imprensa burguesa”. PARSONS, Lucy. American Revolutionary. p. 201. Alguns 
historiadores têm o mesmo modo, buscou reformar visualizações dos Mártires para atender 
suas próprias predileções.

8 AHRENS, “Lucy Parsons: Mystery Revolutionist More Dangerous than a Thousand Rioters,”. 
p. 19-20.

Em: MCKEAN, Jacob. A Fury for Justice Lucy Parsons and the Revolutionary Anarchist 
Movement in Chicago. Tese sênior, 2006.

9 Albert Parsons, “Auto-Biography” em The Life of Albert Parsons, Lucy E. Parsons, ed., 9.

10 ASHBAUGH. Lucy Parsons. p. 268.

11 AVRICH. The Haymarket Tragedy. p. 9-10.

12 ASHBAUGH, Lucy Parsons. p. 267.

13 “The Mayor Testifies”, Chicago Tribune, 3 de Agosto 1886, p.1.

14 “Parsons Dusky Bride”, Chicago Herald, 18 de Setembro 1886, p. 1.

15 “Mrs. Lucy E. Parsons Her Fisrt Address in London at A Welcome Extended Her on 
Arrival”, The Alarm, 9 de Dezembro 1888, p. 1.

16 “Invoking the Law”, Chicago Times, 9 de Maio 1886, p. 2; “Lucy Parsons Talks”. New York 
Times, 16 de Outubro 1886, p. 5; “Their Last Night”, Los Angeles Times, 11 de Novembro 
1887, p; 5; “Philadelphia Anarchists Mrs. Parsons Appealing for the Chicago Anarchists”, 
New York Times, 1 de Novembro 1886, p. 1; “Biographical Parsons”, Chicago Times, 7 de Maio 
1886, p. 3. Deve ser notado que as descrições raciais de Parsons encontrados em jornais 
são quase sempre ligados a uma maior tentativa de demonizar ela. Por exemplo, o Chicago 
Times de 9 de maio de 1886 descreve o bronzeado mulato de Parsons é acompanhada pela 
acusação de que seus “lábios grossos, pequena, olhos brilhantes e expressão sinistra” eram 
prova de sua vontade de beber o sangue de crianças dos ricos.

17 “The Mayor Testifies”, Tribune, 3 de Agosto 1886.

18 De fato, “Lucy Parsons was Black” são as primeiras quatro palavras da biografia de 
Ashbaugh.

19 Roxanne Dunbar-Ortiz, “One Infallible, Unchageable Motto: Freedom’ Reflections on the 
Anarchism of Lucy Parsons,” em FES, p. 169. Dunbar-Ortiz tenta preencher a lacuna, 
alegando que Parsons era de misto negro, do México, e ascendência indígena. Marion 
Tinling, Women Remembered: A guide to Landmarks of Women’s History in the United States 
(Greenwood Press, 1986, 479), refere-se a Parsons como “um negro de pele clara.” De acordo 
com ROBIN, D.G. Kelly. Freedom Dreams: the Black Radical Imagination. Beacon Press, 2002. 
p. 41. Parsons era “a mulher negra mais proeminente radical do final do século XIX”.

20 Ver, por exemplo, o site da African American Registry.

21 GREEN, James. Death in the Haymarket.

22 AVRICH. Haymarket Tragedy, p. 21-25.

23 GREEN, p. 85.

24 GREEN, p. 77.

25 PARSONS, Lucy. “The Principles of Anarchism”, 1905, p. 29.

26 PARSONS, Lucy. “On the ’Harmony’ Between Capital and Labor or the Robber and the 
Robbed”. The Socialist, 7 de Setembro de 1878, p. 40.

27 AVRICH. The Haymarket Tragedy, p. 131.

28 “To the Workingmen of America”, The Alarm, 4 de Outubro de 1884, p. 3.

29 PARSONS, Lucy. “The Principles of Anarchism”, 1905, p. 32.

30 PARSONS, Lucy. “A Word to Tramps”. The Alarm, 4 de Outubro de 1884, p. 1.

31 AVRICH. The Haymarket Tragedy, p. 105.

32 De acordo com AVRICH (202), o discurso de Albert Parsons foi “surpreendentemente 
temperado” em comparação com seus discursos anteriores.

33 AVRICH. The Haymarket Tragedy, xi. **Jeffory A. **Clymer, America’s Culture of 
Terrorism, p. 33.

34 PARSONS, Lucy. “The Haymarket Meeting: A Graphic Description of the Attack on that 
Peaceable Assembly”. 10 de Maio 1886, p. 53.

35 PARSONS, Lucy. “Challenging the Lying Monopolistic Press”, 11 de Outubro 1886, p. 56.

36 The Alarm, 17 de Dezembro 1887, p. 4.

37 PARSONS, Lucy. “Author’s Note”. In: The Life of Albert Parsons, p. xxx.

38 PARSONS. “To Lovers of Liberty”, Mãe Terra 4, n. 9 (Novembro 1909): 303; Lucy Parsons, 
ed., The Famous Speeches of Our Martyrs.

39 PARSONS. “November 11: Fifty Years Ago”. One Big Union Monthly, Novembro 1937, p. 165.

40 PARSONS, “Speeches at the Founding Convention of the Industrial Workers of the World”, 
28 de Junho 1905, p. 85; “The Proposed Slaughter”, The Liberator, 4 de Março 1905, 1; “The 
Haywood Trial and the Anarchist Trial”. The Demonstrator, 4 de Setembro 1907, p. 130.

41 PARSONS. “Letter to Tom Mooney”, 11 de Junho 1936, p. 162; Parsons para Eugene V. Debs, 
12 de Março 1926, em: CONSTANTINE. J. Robert. Letters of Eugene. University of Illinois 
Press, 1990. p. 557-558.

42 PARSONS. “Letters to the Editor”. Freedom, Dezembro 1933, p. 6.

43 PARSONS. “Forward”. Em: CALMERS. Labor Agitator. International Publishers, 1937, p. 5

44 DAVID. The History of the Haymarket Affair, p. 476.

45 ASHBAUGH, p. 6.

46 AHRENS, “Lucy Parsons: Mystery Revolutionist, More Dangerous Than a Thousand Rioters,” 
p. 12.

47 SCHAACK. Anarchy and Anarchists.

48 Anarchy at an End

49 AVRICH. The Haymarket Tragedy, p. 440.

50 PARSONS, Lucy. “The Great Conspiracy all Capitalist Lies”. The Liberator, 11 de 
Novembro de 1905, p. 1.

51 Por exemplo, em outubro 1905 Parsons escreveu vários artigos sobre "Mulheres Famosas na 
História", que incluiu um longo artigo sobre revolucionária francesa. MICHEL, Louise. The 
Liberator, 29 de outubro de 1905, p. 1. The Liberator também demonstra que o interesse 
Parsons não se limitaram a história radical. Por exemplo, um recurso de longa duração foi 
"The Wonders of Science" da série, que se concentrou em questões científicas que variam de 
exploração da Antártica para Crater Lake de Oregon. The Liberator, 8 de outubro de 1905, 
3; 10 de dezembro de 1906, 3.

52 PARSONS, Lucy. “Speeches at the Founding Convention of the Industrial Workers of the 
World”, 28 de Junho de 1905, p 85; “I’ll be Damned if I Go back to Work under Those 
Conditions! A May Day Speech,” p. 155.

53 PARSONS, Lucy. “The Haymarket Meeting: A Graphic Description of the Attack on that 
Peaceable Assembly”, p. 53.

54 FLYNN. I Speak My Own Piece, p. 70.

55 “The Haywood Trial and the Anarchist Trial”. The Demonstrator, 4 de Setembro de 1907, 
p. 129.

56 CLYMER. America’s Culture of Terrorism, p. 6. Para uma discussão mais ampla sobre como 
o significado do lance da bomba de Haymarket foi criado e utilizado pelo Estado, ver 
CLYMER, p. 33-68.

57 PARSONS, Lucy. “The Eleventh of November, 1887”, 1912, p. 141-142.

58 “November 11: Fifty Years Ago,”One Big Union Monthly, p. 163-164.

59 “Speeches at the Founding Convention of the Industrial Workers of the World”, 28 de 
Junho 1905, p 85.

60 “Plan to Name Park after Anarchist Draws Fire,” Chicago Sun-Times, 22 de Março 2004, 7.

61 “The Negro: Let Him Leave Politics to the Politician and Prayers to the Preacher”. The 
Alarm, 3 de Abril 1886, 2.

62 KELLY. Freedom Dreams, p. 42.

63 ASHBAUGH. Lucy Parsons, p. 66.

64 LOWNDES, Joe Lowndes. “Lucy Parsons (1853-1942): The Life of an Anarchist Labor 
Organizer”. Free Society 2:4, 1995, Internet.

65 “Southern Lynchings”. Freedom, 1892, p. 70.

66 “One Infallible, Unchangeable Motto: Freedom’ Reflections on the Anarchism of Lucy 
Parsons”, p 181.

67 Em 1934, Parsons explicou que ela "passou a trabalhar para a International Labor 
Defense, porque" ela "queria fazer algo para ajudar a defender as vítimas do capitalismo", 
não fazendo qualquer referência ao racismo. Lucy Parsons para Carl Nold, 27 de Fevereiro 
1934, p 161.

68 ASHBAUGH. Lucy Parsons, p 66.

69 Os artigos a seguir demonstram longa dedicação de Parsons para forjar a consciência de 
classe através da educação dos trabalhadores em seus interesses comuns como produtções: 
“On the ’Harmony’ between Capital and Labor Or, the Robber and the Robbed”. The Socialist, 
7 de Dezembro 1878, p 39-40. “The ’Scab’ a Result of Conditions.” Freedom, Agosto 1892, p 
73; “Are Class interests Identical? A Synopsis of the Aims and Objects of the Industrial 
Workers of the World.” The Liberator, 3 de Setembro 1905, p 1; “Workers and the War.” The 
Agitator, 12 de Fevereiro, 1917, p 151.

70 “On the ’Harmony’ Between Capital and Labor,” p. 40

71 PARSONS, Lucy. “The Haywood Trial and the Anarchist Trial." The Demonstrator, 4 de 
Setembro 1907, p 129-130.

72 GRIFFIN. “Union of ’Black’ and ’Red.” The Alarm, 26 de Dezembro 1885, p 4.

73 “Speeches at the Founding Convention of the Industrial Workers of the World,” 28 de 
Junho 1905, p 83

74 Parsons acreditava que um dos maiores problemas enfrentados pelos trabalhadores 
americanos era a crença generalizada de que "não havia classes" na América. Assim, ela se 
esforçou para educar os trabalhadores sobre seus interesses de classe, a fim de 
desmascarar concepções míticas da liberdade americana. Parsons, “Are Class interests 
Identical? A Synopsis of the Aims and Objects of the Industrial Workers of the World.” The 
Liberator, 3 de Setembro 1905, p. 1.

75 ASHBAUGH, p. 200.

76 QUAIL, John. The Slow Burning Fuse: The Lost History of the British Anarchists. 
Paladin, 1978, p 82. Para uma quente introdução ver “Mrs. Parsons in London.” The Alarm, 1 
de Dezembro 1888, p. 2.

77 CUSAS, Lawrence. “Correspondence.” The Liberator, 10 September 1905, p 3.

78 Veja a LucyParsonsProject.org’s “About Lucy Parsons”, onde ela é chamada de “feminista 
proeminente” e “pioneira dos direitos civis.” Aparentemente Julia Bachrach, historiadora 
da Chicago Parks Division, considera Parsons uma sufragista, uma afirmação completamente 
anulada pela rejeição de longa data de Parson da política eleitoral. ROSENFELD, KATHRYN. 
“Looking for Lucy (in all the Wrong Places)”. Social Anarchism , 28 de Junho 2006, 
WorldWide Web

79 “Working Women.” The Socialist, 1 February 1879, p. 42-43; “The Women Question Again.” 
The Liberator, 3 de Outubro 1905, p 1.

80 “Speeches at the Founding Convention of the IWW,” 28 de Junho 1905, p. 79.

81 Por exemplo, Parsons estava disposto a defender a entrada das mulheres no mercado de 
trabalho apenas se as mulheres se recusassem a aceitar “salários mais baixos do que os 
humilhados pelos homens.” Se as mulheres aceitassem salários tão baixos ela acreditava que 
o trabalho das mulheres só seria um “prejuízo... [para] as suas colegas de trabalho.” 
“Woman: her Evolutionary Development.” The Liberator, 10 de Setembro 1905, p 2

82 Parsons destacou ainda que a discussão sobre a liberdade sexual feminina, referido na 
época como “variedade” sexual, foi dominada por homens. “Comrade Lucy Parsons Writes.” The 
Firebrand, 14 de Fevereiro 1897, p. 6. Dunbar-Ortiz situa Parsons dentro da história do 
feminismo americano, mas com cuidado articula a natureza baseada em classes de trabalho de 
Parsons para as mulheres. “One Infallible, Unchangeable Motto: Freedom’ Reflections on the 
Anarchism of Lucy Parsons,”, p. 171-174.

83 ASHBAUGH. Lucy Parsons, p 251

84 Parsons refere-se a isso como “anarquismo de velha escola.” Em 1907, Parsons acreditava 
anarquistas tinham abandonado a ideia de uma "organização" construída de "membros" 
responsáveis por "pagar dívidas mensais e recolher fundos para propaganda", destinada a 
grande ideal de uma sociedade livre. Ver “A Wise Move: on Anarchist Organization.” The 
Demonstrator, 6 de Novembro 1907, p. 131.

85 “I’ll be Damned if I Go back to Work under Those Conditions! A May Day Speech,” p. 156-157.

86 Paradoxalmente, Ashbaugh reconhece que Parsons não se importava, “sob cujos auspícios 
ela trabalhava”, enquanto ela trabalhava para a "classe trabalhadora". No entanto Ashbaugh 
ainda indefensável declara-lhe um membro do Partido Comunista. PARSONS, Lucy, p. 256.

87 FLOOD, Andrew. “Review of Lucy Parsons: Freedom, Equality and Solidarity.” 5 de Maio 2005.

88 Por exemplo, em sua introdução biográfica, Ahrens dedica um único parágrafo para a 
crença de Parsons na violência revolucionária, dando amplo espaço para a participação de 
Parsons no Fórum da Sociedade de Antropologia de Chicago. “Lucy Parsons: Mystery 
Revolutionist”, p. 13, 17-19.

89 Quando os amigos foram para recuperar a extensa biblioteca de Parsons do entulho foi 
dito pela polícia de Chicago que tinha sido tomada por um agente do FBI. No entanto, 
nenhuma agência já admitiu ter recebido a biblioteca de Parsons e seus papéis nunca foram 
encontrados. ASHBAUGH, p. 266.

90 ROSENFELD. “Looking for Lucy...,” Social Anarchism. p. 37.

91 “The Principles of Anarchism,” 1905, p. 30.

Trabalhos Citados

AHRENS, Gale. Lucy Parsons: Freedom, Equality and Solidarity: Writings and Speeches, 
1878-1937. Charles H. Kerr, 2004.

Anarchy at an End. Lives, Trial and Conviction of the Eight Chicago Anarchists: How they 
Killed and What They Killed with: a History of the Most Deliberate Planned and Murderous 
Bomb Throwing of Ancient or Modern Times: the Eloquent and Stirring Speeches of the 
Attorneys for the Defense and Prosecution, with the Able Charge of Judge Gary to the Jury: 
Seven Dangling Nooses for the Dynamite Fiends. Hastings Library, California; Chicago: G.S. 
Baldwin, 1886. text-fiche.

ASHBAUGH, Carolyn. Lucy Parsons: American Revolutionary. Charles H. Kerr, 1976.

AVRICH, Paul. The Haymarket Tragedy. Princeton University Press, 1984.

CLYMER, Jeffory. A. America’s Culture of Terrorism: Violence, Capitalism, and the Written 
Word. University of North Carolina Press, 2003.

DAVID, Henry. The History of the Haymarket Affair: A Study of the American 
Social-Revolutionary and Labor Movements. Russell and Russell, 1936.

GREEN, James. Death in the Haymarket: a Story of Chicago, the First Labor Movement and the 
Bombing That Divided Gilded Age America. Pantheon, 2006.

Governor Altgeld’s Pardon of Neebe, Fielden and Schwab; Vindication of the Chicago Martyrs 
of 1887: Parsons, Spies, Fisher; Engel and Ling. New York Labor News Co, 1906.

FLYNN, Elizabeth Gurley. I Speak My Own Piece: Autobiography of “the Rebel Girl." Masses 
and Mainstream, 1955.

MCKEAN, Jacob. “A Fury for Justice: Lucy Parsons and the Revolutionary Anarchist Movement 
in Chicago.” Senior thesis, 2006.

PARSONS, Lucy. Life of Albert Parsons with Brief History of the labor Movement in America. 
Chicago: by the author, 1889.

_____. Twenty-fifth anniversary, eleventh of November, memorial edition. Souvenir ed. of 
the famous speeches of our martyrs delivered in court when asked if they had anything to 
say why sentence of death should not be passed upon them, Oct. 7, 8, and 9, 1886. Nov 11, 
1887-1912. Chicago: by the author, 1912.

ROEDIGER, Dave and Franklin Rosemont (eds.). Haymarket Scrapbook. Charles H. Kerr, 1986.

SCHAACK, Michael J. Anarchy and Anarchists. A History of the Red Terror and the Social 
Revolution in America and Europe. Communism, Socialism, and Nihilism in Doctrine and in 
Deed. The Chicago Hay-market Conspiracy, and the Detection and Trial of the Conspirators. 
F.J. Schulte, 1889.

QUAIL, John. The Slow Burning Fuse: The Lost History of the British Anarchists. Paladin, 1978

Newspapers: The Alarm, 1885-88; Chicago Herald, 1886; Chicago Times, 1886; Chicago 
Tribune, 1886; The Liberator, 1905-06.


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