(pt) FARJ, Uma entrevista com um militante do DAF sobre a solidariedade pelo processo social em Rojava por Bruno Lima Rocha (en, it)

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Quinta-Feira, 5 de Fevereiro de 2015 - 07:52:34 CET


Introdução: Desde que começou o cerco à Kobanê tenho dedicado várias horas por semana a 
entender e divulgar o máximo possível sobre essa revolução social iniciada numa combinação 
de Confederalismo Democrático e a Guerra Civil Síria. Enquanto militante, eu sempre estive 
envolvido com solidariedade internacional. Enquanto descendente árabe, eu sempre tentei 
procurar uma força de esquerda que combinasse ação direta e democracia interna. Enquanto 
acadêmico e professor de Geopolítica estudando a região por mais de 25 anos, Rojava é um 
sonho que se tornou realidade. Aqui eu começo a primeira de algumas entrevistas com 
organizações com real experiência nesse processo e na região. Nesta estou conversando com 
o Devrimci Anarşist Faaliyet (DAF, ou Ação Revolucionária Anarquista). Eles têm sido bem 
ativos nessa ação e entendem em detalhes todo o processo Curdo, tanto em Rojava quanto no 
interior das fronteiras do Estado Turco.

E&A- É possível entender o PKK (Partiya Karkerên Kurdistani, Partido Popular do Curdistão) 
como uma força político-militar remodelada pelo pensamento de seu líder histórico (e 
sentenciado a prisão perpétua) sendo transferida organicamente para toda a organização? 
Ainda, temos duas perguntas em sequência: Você pode imaginar a reprodução dessas ideias 
além de um culto à personalidade ao redor da imagem de Abdullah Ocalan (Apo)? E, seria 
possível universalizar as propostas do PKK-KCK (Koma Civakên Kurdistan, Grupo de 
Comunidades do Curdistão) além dos assuntos nacionais dos Curdos que ainda não foram 
resolvidos?

DAF- Nós temos de ver o assunto enquanto Movimento de Liberdade Curda. O PKK é uma 
organização do povo Curdo que vem lutando não apenas por 30 anos, mas centenas de anos. 
Especialmente após os anos 2000 o partido mudou sua ideologia, estratégia e 
característica. Assim, os críticos do movimento tem mesmo o mesmo vício de tomar o PKK 
como sendo o mesmo partido das décadas de 80 e 90. Apenas para lembrar, o PKK clamou pela 
liberdade não apenas para o povo Curdo, mas pela liberdade para todos os povos oprimidos 
no Oriente Médio. Pense sobre Rojava, PYD (Democratic Union Party, in Kurdish: Partiya 
Yekîtiya Demokrat), tem lutado não apenas pelos Curdos, mas pelos Ezidis, Turcomanos, 
Xiitas, Alauítas os quais o Daesh (ISIS, ISIL, EI, Estado Islâmico) quer destruir.

E&A- É observável um problema estratégico para a revolução de Rojava. Eu explico: a 
fronteira viva e aquela que é possível ser usada como santuário está com o KRG (Governo 
Regional Curdo no Iraque), mesmo o epicentro da guerra estando em Kobanê. É observável que 
se não houver reforços dos peshmerges (forças profissionais do KRG), provavelmente a 
coalizão anti-ISIS liderada pelos EUA não bombardeará a posição dos jihadistas. Logo, a 
aliança entre PKK-PYD e o KDP (Partido Democrático do Curdistão, Partîya Demokrata 
Kurdistanê, ou PDK) e sua coalizão com Massoud Barzani a frente do gabinete do KRG poderia 
implicar numa inevitável aproximação com o Ocidente? É possível sobreviver enquanto 
processo revolucionário dependendo militarmente e fisicamente do KRG e do Ocidente?

DAF- Temos que ver o papel dos peshmerges. Faz quase um mês e meio que eles não fazem nada 
por Rojava. Quando o YPG (Unidades de Proteção Popular, em Curdo: Yekîeyên Parastina Gel) 
e YPJ (Unidades de Proteção das Mulheres, em curdo: Yekîeyên Parastina Jinê), as 
organizações de auto-defesa do povo de Rojava tomou o controle de 60% de Kobanê, as forças 
de Barzani decidiram vir ajudar. É óbvio que essa foi uma ação estratégica de Barzani. 
Barzani declarou que como se não houvesse a Revolução de Rojava dois anos antes e temos 
que ver isso, EUA e outros países ocidentais não apoiam a resistência de Kobanê. Após a 
Revolução de Rojava não aceitaram a existência política do PYD ou dos cantões de Rojava. 
Assim, a melhor solução para eles é Barzani que não tem problemas com política 
capitalistas ou estatistas. Ainda, o KDP de Barzani é o partido irmão do AKP de Recep 
Erdogan (Partido do Desenvolvimento e Justiça, em turco: Adalet ve Kalkinma Partisi). 
Nestas circunstâncias, o povo em Rojava precisa de qualquer tipo de apoio. Isto não 
significa que ele pode receber ajuda de qualquer poder capitalista e estatista. Mas é como 
o YPG-YPJ lutando contra o EI, a Frente Al-Nusrat (uma afiliada do grupo Al-Qaeda)…, mas 
também lutando estrategicamente contra a Turquia, a Síria de Esad (Bashir Al Assad), o 
Curdistão de Barzani e todos os poderes capitalistas.

E&A- Ainda, em termos de estratégia, ao que tudo indica, o governo da Turquia tem 
favorecido as linhas de suprimentos deixando o EI se fortalecer dentro do território sob 
controle do exército turco. Aparentemente, isto é causado pelo cálculo realista de Ankara 
e o governo do AKP, considerando ser menos perigosa uma proposta de “califado” – ou o 
retorno do Ummah – comparado à ideia do separatismo Curdo, ou mesmo autonomia política de 
Rojava dentro do fracassado Estado da Síria? Pela posição turca, como avaliar a disputa 
entre os outros Estados operando através de sunitas jihadista, como Arábia Saudita e Qatar?

DAF- Na mídia hegemônica, é difícil achar notícias sobre o apoio Turco ao Estado islâmico. 
Não é apenas apoio por armamentos, ou sua posição neutra. Como você declarou, existe uma 
óbvia logística de apoio de países sunitas ao EI, mas o aquilo que nunca podemos esquecer 
são as relações escondidas entre o EI e poderes capitalistas ocidentais. A cena é clara de 
que um grupo terrorista islâmico tem fortalecido a mão dos EUA, especialmente no Oriente 
Médio.

E&A- Entrando no assunto da guerra civil Síria, o que pode ser visto hoje é uma guerra 
crescente entre Sunitas e Xiitas, e junto disto, entre o EI (e antes a Frente Al-Nusra) e 
a tentiva de conquista de Kobanê. Considerando essa realidade, qual seria o papel do 
Exército Livre da Síria hoje (FSA)? Esta força ainda possui algum poder de proteção – como 
o Qatar – ou caiu para uma condição de aliado secundário do YPG? Nós podemos considerar o 
Qatar o maior patrocinador do FSA? E, talvez esta seja a razão, ao passo que ambos o FSA e 
o YPG são contrários ao regime de Assad, Damascus e seus aliados (financiadores) 
preferiram liberar a área de Aleppo e Raqqa para operações do EI, permitindo que os 
sunitas jihadistas avançassem sobre Rojava?

DAF- Como declaramos antes, algumas das ações estratégicas contra o EI com o FSA não 
representam a real visão política do PYD. Então, este tipo de cooperação é o resultado das 
circunstâncias na Síria e em Rojava. A cooperação entre as organizações e grupos não 
deveria ser tomada como resultados das reais políticas das organizações e grupos. A guerra 
em Rojava, ainda mais continua na Síria, então é difícil para nós determinar os aliados. 
Esta longe da solidariedade dos revolucionários pela Resistência de Kobanê e pela 
Revolução de Rojava.

E&A- Eu entendo, mesmo de um relance à distância, que para os Estados da Turquia, Síria (o 
que restou dela) e do Irã, um Curdistão a oeste com autonomia política e uma sociedade 
trabalhando sobre bases igualitária e secular implica num problema insolúvel. Não seria a 
proposta do PYD não separar-se formalmente da Síria, mas obter o status de uma Federação 
política autônoma na Síria, assim como um futuro reajuste com o Iraque e com o governo de 
Irbil (Capital do KRG)? A Turquia toleraria tal estatuto, mesmo possuindo o segundo maior 
exército da OTAN e o de maior contingente num Estado de grande população islâmica? Se o 
Curdistão Turco recebe tal status, o que preveniria uma Confederação com o Curdistão 
Sírio? E, dessa forma, qual seria a reação do KRG e da coalizão de direita e partidos 
Curdos pró-Ocidente, como o KDP?

DAF- Estes cenários estão sendo discutindo ao passo que a guerra na Síria acabou. É 
difícil estimar como essas guerras irão modelar o Oriente Médio. Rojava declarou a 
liberdade de seus três cantões há 2 anos e meio atrás sem se importar com qual seriam as 
reações de Esad (Bashir al Assad), Erdogan ou Barzani. Todos os três declararam que não 
reconheciam o auto-governo dos cantões de Rojava. Ainda, eles insistem em não falar sobre 
a existência política de Rojava. Camarada, nós precisamos ver que durante estes dois anos 
os Estados em torno de Rojava mudaram suas políticas em suas regiões com a decisiva luta 
do povo livre de Rojava. Eles tentam encontrar meios de controlar a liberdade de Rojava. O 
cenário principal é de que Rojava será uma federação parte da Síria de Esad. Mas de qual 
Síria estamos falando, qual será o poder de Esad na Síria ou se haverá um Esad para 
liderar a Síria? O segundo cenário é de que Rojava fará parte do Curdistão de Barzani. O 
que seria o objetivo de Barzani, mas os princípios que sustentam Kobanê contra o EI não só 
assustam o EI como também Barzani. Porque a Revolução de Rojava se autodeclarou uma 
revolução centrada no anticapitalismo, no antiestatismo, nas mulheres e no meio ambiente.

E&A- Seria interessante para o KRG que Washington deixasse de considerar o PKK-HPG (Força 
de Defesa Popular, em curdo: Hezen Parastina Gel) como uma força terrorista? Isto 
permitiria uma requisição da liberdade de Ocalan, reforçando a liderança dessa força 
política?

DAF- Este é um assunto político constante na Turquia. A Resistência de Kobanê e a 
Revolução de Rojava não fortaleceu apenas a posição dos Curdos que vivem em Rojava, mas 
também na Turquia, Irã e Iraque. Então, esta ocasião tem alguns resultados políticos, 
sociais e econômicos. Mas temos de ter em mente o poder do AKP de Erdogan que não hesita 
em expressar suas ideias sobre a política internacional.

E&A- Como vocês projetam a existência de uma soberania e status de autonomia política 
legais para Rojava considerando alguns temas fundamentais como: moeda corrente (como 
seria? Existiria um banco central?); relações comerciais com outros territórios (por 
exemplo, na comercialização do petróleo); pertencer a uma federação territorial (como numa 
Síria reorganizada ou federada à KRG); e quais medidas concretas seriam instituídas 
através da Confederalismo Democrático com total unidade territorial e existência dos três 
cantões?

DAF- 2 anos e meio atrás, após a declaração de liberdade dos cantões de Rojava, o povo de 
Rojava começou a organizar a economia instituindo as terras coletivas do povo; abriu o 
Mala Gel (Casa do Povo) e Mala Jins (Casa das Mulheres) para organizar a sociedade numa 
forma de democracia direta. Estas casas são os reais centros políticos onde pessoas de 
dessas regiões discutem questões sociais e políticas e decidem o que fazer. Elas organizam 
o processo jurídico entre si sem nenhuma corte, advogado ou juiz. Justiça social não é 
providenciada sem qualquer tipo de poder central como um Estado. Sem escolas, mas com 
compartilhamento de conhecimento gratuito aos moldes das Universidades Zapatistas.

Nós temos que aceitar que a Revolução de Rojava não é uma revolução anarquista. Mas não há 
dúvidas sobre seu caráter de revolução social. A existência política de Rojava não faz 
parte da Síria de Esadou parte do Curdistão Iraquiano. Nós estamos falando de uma 
federação que se autodeclarou anticapitalista. Agora é inútil se preocupar com o futuro de 
Rojava se esta comercializa com capitalistas ou coopera com Estados… Façamos aumentar a 
solidariedade revolucionária e façamos parte dessa revolução social, para que não tenhamos 
tanta coisa para nos preocupar. Enquanto DAF, nós também mencionamos nossa posição num 
texto sobre a Resistência de Kobanê; nós não somos cartomantes que, então não adivinhamos 
a posição política de Rojava daqui 10 ou 50 anos. Mas somos anarquistas revolucionários, 
nós temos que tomar parte nos movimentos sociais e moldar esses movimentos.

E&A- O que seria um resultado concreto das políticas de massa através dos organizadores do 
KCK e das propostas de democratização da política municipal de autonomia do Curdistão Turco?

DAF- O verdadeiro mal-entendido da oposição social internacional é diferenciar as 
políticas do Movimento Curdo (HDP – Partido Popular Democrático, em turco: Halklarin 
Demokratik Partisi) ou outras instituições que são aceitas pelo Estado Turco; e o PKK (que 
é mencionado como organização terrorista pelo Estado). As chances de realização de 
instituições políticas democráticas dependem da luta do povo Curdo que é referida como 
terrorismo. Então, temos que entender a questão da “luta contra a política 
assimilacionista do Estado Turco”como um todo. Não há movimento, política ou instituição 
que se expresse por si como distante da luta do PKK e se declarou parte desta luta.(?) 
Então, o resultado de quaisquer políticas depende do sucesso da luta do povo Curdo 
organizado, o PKK. Esta situação pode ser parte de outro tipo de cultura política situado 
no Oriente Médio, distante das Europeias.

E&A- O DAF, enquanto uma força anarquista toma parte de alguma coordenação de alianças com 
o KCK ou com o DTK (Congresso da Sociedade Democrática, em turco: Demokratik Toplum 
Kongresi)? Enquanto anarquistas, como avaliar essas atividades com outras forças sociais? 
E, neste sentido, como avaliar a participação eleitoral da Aliança BDP (Partido da Paz e 
Democracia, em turco: Baris ve Demokrasi Partisi, em curdo: Partiya Astî û Demokrasiyê), 
BDP/HDP?

DAF- Relacionado com a resposta da questão acima, o DAF toma o PKK como o verdadeiro 
assunto da questão. Especialmente depois da mudança do paradigma dos anos 2000, após 
Ocalan não declarar mais o PKK como um movimento marxista-leninista e referenciá-lo a 
Bookchin, Bakunin e Kropotkin, é impossível para o DAF não se interessar por essa mudança 
teórica. Nós tivemos experiência com as mudanças dia após dia. A democracia direta tomou 
um importante lugar para essa realização política. Mesmo assim, existem críticas de 
anarquistas europeus já que são parte da ideologia marxista, nós estamos testemunhando a 
mudança não apenas na partilha da mesma cena política (a luta contra o Estado), mas 
estamos testemunhando a harmonia da teoria e da prática na Revolução de Rojava. As 
instituições como KCK, DTK, DBP/HDP poderiam estar numa manobra de estratégia no 
parlamento, sistema jurídico… Nós podemos criticar estas estratégias, mas não tomamos 
estas instituições como se fossem organizações as quais objetivam outras políticas. Assim 
como não votamos pelo HDP do BDP, pois não temos outro tipo de estratégia na democracia 
parlamentar, isto não nos faz repudiar estas instituições com o PKK.

E&A- Ao passo que o Confederalismo Democrático é inspirado no anarquismo, nós assumimos 
que existe uma aproximação e simpatia entre as ideias anarquistas e o atual pensamento da 
esquerda Curda. Esta avaliação é correta? Poderia especificar em qual sentido?

DAF- Como foi dito acima, especialmente após a aparição do novo paradigma dos anos 2000 no 
movimento Curdo refereciando principalmente Bookchin, Kropotkin e Bakunin (talvez Michael 
Albert em economia). Então, este é um bom passo para um movimento popular. O povo Curdo 
não está lutando há apenas 30 anos, ele está lutando há décadas. Para anarquistas 
revolucionários, é um bom momento para nós, esta organização desta luta de libertação 
chamada anarquista. É um bom momento para nós socializarmos o anarquismo nas terras onde 
pessoas vivem se Estado há décadas. Uma revolução social pode ser preparada como se fosse 
socializada. Nós, enquanto DAF, não somos anarquistas apenas para escrever alguns textos e 
viver o anarquismo em grupos fechados como os camaradas da Europa fazem. Nós objetivamos a 
revolução social, nós estamos lutando em todos os sentidos, então este é um bom momento 
para socializar o anarquismo.

E&A- Baseado no que lemos, o DAF opera lado a lado com o fronte dos movimentos pró-Rojava 
e como apoiadores da revolução social na região. Isto tem gerado uma aproximação da 
esquerda Turca como um todo, pode estar marcando um fortalecimento de posição entre o 
guarda-chuva político e social pró-Curdos (DTK-KCK e forças políticas legais DBP/HDP), 
levando a população a ter uma opção à rivalidade entre o AKP e o Kemalistas-Nacionalistas?

DAF- O DAF é solidário à Revolução de Rojava e a Resistência de Kobanê desde o princípio. 
Pois, em 19 de julho, os cantões de Rojava declararam independência contra a Síria de 
Esad, contra o EI, contra Barzani e contra os poderes econômicos e políticos 
internacionais que têm interesses na região. A solidariedade do DAF com o povo de Rojava 
que são Curdos, Ezidis, Xiitas ou Alauítas… pois Rojava é a esperança para o povo oprimido 
que vive no Oriente Médio e outras partes do mundo. Rojava mostra o que pretendemos ganhar 
contra os Estados, contra os capitalistas.

Na verdade, a Revolução de Rojava tem um papel decisivo para a esquerda Turca. Pois, 
algumas organizações e partidos não solidarizam com a revolução por conta de suas visões 
nacionalistas. A questão Curda para oposição social na esquerda Turca é uma importante 
questão para se observar os efeitos da política estatal no socialismo. Ainda, depois da 
mudança de paradigma do PKK, esta situação faz com que alguns partidos socialistas 
distanciarem-se do movimento Curdo. A posição dos anarquistas neste assunto também é 
importante. Nós, como revolucionários anarquistas vindos de uma tradição, onde socialistas 
nem davam importância para movimentos de libertação popular em países do terceiro mundo, 
mas camaradas anarquistas constituíram os primeiros movimentos na Bulgária, Grécia, 
Macedônia, Armênia, em 1850, nós estamos vindo de uma tradição onde os camaradas 
anarquistas empreenderam as primeiras lutas libertárias na América do Sul, na Indonésia, 
nas Filipinas… Isto não é para criar um novo fronte contra Nacionalistas e AKP. O DAF não 
se considera na agenda política parlamentar Turca. Este é um novo front que está contra 
soluções parlamentares para problemas sociais, econômicos e políticos.

E&A- Pelo que vocês podem observar em Rojava de acordo com a grande proximidade, quais 
seriam as maiores virtudes do sistema social em desenvolvimento na região? E, no mesmo 
sentido, qual seria a maior fraqueza em termos do PYD-TEV DEM (Movimento pela Sociedade 
Democrática, em Curdo: Tevgera Civaka Demokratîk) estar estabelecendo um novo Estado na 
região? O que eles poderiam estar reproduzindo que poderia culminar em outro Estado?

DAF- Camaradas, nós precisamos fortalecer a posição da Revolução de Rojava em todos os 
sentidos. As pessoas que estão lutando aqui, pessoas que estão lutando aqui para não 
construir outro Estado opressor. Esta é a luta por revolução social sem Estado, sem 
capitalismo, sem patriarcado… Nós conhecemos os cenários sobre estarmos unidos ao 
Curdistão de Barzani ou numa confederação com a Síria de Esad. Nosso papel tem de ser em 
participar e manter a revolução social longe destes cenários. Se a solidariedade das 
pessoas revolucionárias for o suficiente para criar esta solução sem Estado, é inútil 
sentir medo destes cenários. Esta não é apenas nossa posição em Rojava, esta é a posição 
do Movimento de Libertação Curda.

E&A- Nós entendemos que o tema da emancipação e empoderamento das mulheres é tão 
importante, que implicaria numa entrevista inteira, mas podemos perceber que isto é uma 
característica e um resultado acordado pelo processo social da maioria Curda (e não algo 
sectário, isto está claro). Em quais aspectos a presença das mulheres combatentes no YPJ 
está transformando as relações sociais no Curdistão como um todo? Isto tem uma relação 
direta com o PKK e o pensamento orgânico sobre a participação das mulheres no HPG?

DAF- Surgiram os Mala Jins (algo como Conselho das Mulheres) desde o princípio da 
revolução em Rojava. Nos Mala Jins, se socializa a consciência no papel das mulheres na 
sociedade, socializa luta contra a cultura patriarcal, socializa a importância da mulher 
na sociedade. Este esforço é muito importante, pois o EI e outros islamitas radicais 
tentam moldar toda a região de acordo com os valores de suas culturas. A revolução social 
não é apenas mudança política. Nós temos que ver outras mudanças como nas questões das 
mulheres para entender a importância da Revolução de Rojava.

E&A- Para concluir, existe uma preocupação, pois os fatos provam que as sociedades 
ocidentais observam o processo social de Rojava com simpatia e, em termos e comportamento 
e regras de coexistência, o Curdistão parece ser o mais próximo que existe de uma forma de 
sociedade democrática, secular e liberal. Na visão do DAF, existe um verdadeiro risco da 
esquerda Curda acabar se aproximando do Ocidente de uma maneira inevitável (dependendo do 
apoio do Ocidente) que ela acabe como uma sociedade secular protoestatal com igualdade de 
gênero (com é uma conquista para região) ao invés de uma revolução social com chances de 
realmente construir outra sociedade?

DAF- Como escrevemos “Não somos videntes, nós não podemos prever o que acontecerá em 
Rojava daqui um mês ou daqui um ano. Nós não podemos saber se esta transformação social, 
que não só nos traz esperança enquanto revolucionários que lutam numa região 
geograficamente próxima, mas também alimenta nossa luta nas regiões nas quais lutamos, 
seguirá num futuro positivo ou negativo. Mas nós somos anarquistas revolucionários. Nós 
não podemos apenas sentar de fora, ver o que está acontecendo e comentar; nós tomamos 
parte em lutas sociais e tomamos ações para uma revolução anarquista.”

Vida longa à Revolução de Rojava! Vida longa à Resistência de Kobanê! Vida longa ao 
Anarquismo Revolucionário!

Original em inglês por Bruno Lima Rocha: possui PhD em Ciência Política e é Professor de 
Estudos Internacionais e Geopolítica lecionando em três faculdades regionais e 
universidade no Sul do Brasil.

Tradução: Mariana Miotto

Fonte: http://www.anarkismo.net/article/27779


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