(pt) anarkismo.net: Análise de conjuntura em perspectiva - conspirando pela rendição total by BrunoL

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Sábado, 1 de Agosto de 2015 - 12:25:05 CEST


As frases são sempre as mesmas: "Populismo fiscal, suporte do Estado e fraude política a 
caminho"....assistimos a teleconferência apregoando o Manual do perfeito idiota daqueles 
que nos xingam de idiotas latino-americanos sendo aplicado. ---- Assistindo o programa 
Globonews Painel (deste sábado 25 de julho de 2015), cuja bancada era composta por dois 
economistas vinculados a consultorias privadas e um colega da ciência política igualmente 
vinculado a outra consultoria, me dei conta que há um tema de fundo nesta crise política. 
No primeiro mandato de Dilma, o ministro Guido Mantega de fato tentou uma inflexão 
desenvolvimentista, mas sem uma base social mobilizada e tampouco a predisposição do 
partido de governo para confrontar a sangria desatada de mais de 40% do orçamento da União 
para a especulação da agiotagem rentista. No segundo turno de 2014, houve uma eleição 
plebiscitária cuja chapa vitoriosa aceitou o brete do rentismo e chamara um ministro da 
Fazenda que apoiara Armínio Fraga para tomar conta do caixa da 8a economia do mundo.

O perfeito idiota latino-americano em sua versão brasileira mais explícita.

Agora, diante de uma crise política de primeira grandeza e sem a conhecida base social 
mobilizada, podemos ficar assistindo um processo de paralisia decisória rumo à uma 
catástrofe institucional sem o Poder Moderador das FFAA a ser convocado pela reação das 
vivandeiras. A solução vai ser civil e no andar de cima, isto se deixarmos. Logo, 
precisamos compreender que há a necessidade de um poder de veto de fato, vindo das bases 
da sociedade para não perder os ganhos materiais - pequenos, mas reais - advindos do pacto 
de classes lulistas.

A direita mais ideológica quer enterrar qualquer pretensão nacional e latino-americana, 
rumando o Brasil para o eixo do Pacífico. Esta guinada vem com direito a Tratado de Livre 
Comércio, TLC com a China, conforme assinado pelo Peru em 2011 e outras políticas de 
corredor de mercadorias e antessalas de desindustrialização. Aqui no Brasil, perdida e sem 
auto-referência, a centro-esquerda se contenta em entregar quase tudo para não deixar de 
perder o mínimo (que pelo visto se resume a ocupar o Poder Executivo até o final do 
mandato constitucional). Estão pregando abertamente que Dilma se mantenha no Poder 
Executivo abrindo mão de qualquer capacidade de governar por conta de sua campanha, 
entregando o pote de ouro (as receitas da União e a espinha dorsal da Constituição 
Brasileira, conjunto de direitos não totalmente assegurados onde está a dimensão 
substantiva da transição política) e assumindo totalmente o estelionato eleitoral.

Infelizmente, estamos diante da correta criminalização dos agentes econômicos clientes do 
Estado nacional, embora os mesmos órgãos de Estado não estejam com tanta ferocidade para 
com a também correta e necessária criminalização do agente financeiro (como, por exemplo, 
na Operação Zelotes e o Swissleaks). Por mais de duas décadas a centro-esquerda aplaudiu o 
Ministério Público e a Polícia Federal como se a investigação em alto nível pudesse 
superar o conflito de classes e de projeto de poder. Vale observar que o jacobinismo 
republicano é uma tentação mais fácil e exequível no curto prazo do que pensar em um lugar 
a ser construído de tipo utopia com socialismo e democracia. Quem se recorda do período em 
que o recém-nascido PSOL andava por todo o país carregando o delegado Protógenes Queiroz 
como herói nacional irá compreender a natureza desta crítica. Quando o delegado licenciado 
da PF resolveu concorrer a deputado federal pelo PC do B (base governista) e só entrou no 
Parlamento pela composição proporcional puxado pelos votos de Tiririca em São Paulo, o 
discurso jacobino reformista deu de cara com seus limites estruturais.

Se a lição da Grécia for de alguma valia, é necessário compreender que a parcela restante 
do partido de governo tentará se manter no governo a quase qualquer custo e não governar 
com o mínimo de fidelidade programática a si mesmo, ou o que dele restara. Escrevi há 
alguns anos o perfil de dirigentes criminalizados e os classifiquei como "grotescas 
caricaturas de si mesmos". Hoje esta caricatura é o próprio instrumento partidário, a 
julgar pelo comportamento de franco atirador e com instinto de sobrevivente do 
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Infeliz a sociedade que tem como liderança pública a uma mulher, ex-guerrilheira que caiu 
diante das masmorras de Fleury e não cantou e hoje vê esta mesma pessoa que fora heroica 
em sua juventude atuar como gerente de fim de ciclo, como chefe de almoxarifado da 
distopia do capitalismo tardio brasileiro. Precisamos urgentemente redescobrir ou 
reinventar a nós mesmos. Uma palavra de ordem poderia ser: "Mais Santo Dias e menos Luiz 
Inácio". O tema é recorrente e me proponho a aprofundar o debate.

http://www.anarkismo.net/article/28383


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