(pt) Coletivo Quebrando Muros - A Fagulha Ano 4 #8 - EBSERH -- SAÚDE NÃO É MERCADORIA!

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sábado, 25 de Outubro de 2014 - 13:11:51 CEST


O dia 28 de agosto de 2014 marcou a história da Universidade ---- Federal do Paraná com 
sangue, truculência policial e golpe da classe dominante. Neste dia aconteceu uma reunião 
do COUN (Conselho Universitário), na Reitoria da UFPR, cuja pauta principal era a 
privatização ou não do Hospital de Clínicas de Curitiba - a partir da EBSERH. Foi um dos 
dias mais violentos da história da Universidade Federal do Paraná: estavam presentes 
estudantes, servidores-técnicos, conselheiros e um enorme contingente da Policia Militar e 
Federal fortemente armado com intuito de garantir a entrada de todos conselheiros no 
prédio da reitoria e assim a aprovar a "venda" do maior hospital público do Paraná para os 
convênios privados. ---- A EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) é um 
projeto de privatização do Hospital das Clínicas. Ela cria uma empresa estatal de direito 
privado que desvincula o HC da UFPR, entregando a gestão do hospital a essa empresa.

Isso fere a autonomia universitária, mu-
dando o caráter do hospital. Hoje
o HC é um hospital-escola, com
foco no atendimento ao público
do SUS, atendendo às necessida-
des inclusive de cidades do inte-
rior, que não possuem a infraes-
trutura necessária para garantir o
acesso à saúde de alguns de seus
pacientes com quadros mais com-
plexos. Com a EBSERH, esse cará-
ter muda o estatuto do HC para o
de uma empresa privada, ou seja,
visando primariamente o lucro.
Isso piora as condições de ensino
e de trabalho, e passa a operar
como um hospital de porta dupla:
uma entrada para os usuários do
SUS, e outra pra os usuários que
pagam convênios, precarizando
ainda mais as condições da saúde
pública.

Desde 2012, a comunidade aca-
dêmica da UFPR e usuários do
SUS têm travado várias batalhas
contra o Governo Federal e a Rei-
toria da universidade para barrar
a entrada da Empresa Brasileira
de Serviços Hospitalares. A clas-
se oprimida conseguiu resistir
firmemente a inúmeros golpes e
ataques dos poderosos, e o nível
de violência policial só aumenta-
va. Porém, na última batalha vimos
mais uma vez do que o Estado é capaz.

Naquele dia 28 de agosto, cente-
nas de estudantes, servidores e a
usuários do SUS manifestavam-se
contra a privatização e bloqueavam
as entradas do prédio com o in-
tuito de impedir a realização do
COUN nesses moldes anti-
democráticos. A exigência era
que se fosse feito um plebiscito
com toda a comunidade acadêmi-
ca e a população usuária do Hos-
pital de Clinicas, pois somente os
usuários e trabalhadores, que são
diretamente afetados pela entra-
da ou não da EBSERH, deveriam
decidir os rumos da gestão do hos-
pital.

Apesar de nos manifestarmos
pacificamente, a policia, a man-
do do reitor, utilizou muito spray
de pimenta para liberar uma das
portas que estava sendo bloquea-
da por manifestantes e no tumul-
to um dos manifestantes, Nicolas
Pacheco, militante do PSTU, foi
arrastado para dentro do prédio
da Reitoria por policiais federais
de forma arbitrária e ilegal. Nico-
las ficou lá mantido durante horas
sem acesso à comunicação e as-
sistência jurídica, configurando
um estado de cárcere privado


"[EBSERH] piora as
condições de ensino e de
trabalho, e passa a ope-
rar como um hospital de
porta dupla

Alguns conselheiros entraram no
prédio e o restante necessário para
a aprovação se encaminhou para
o Hospital de Clinicas, escoltados
pela polícia. Com todos os burocra-
tas a postos, começaram a reunião
que definiria o futuro de milhares
de usuários e trabalhadores por
vídeo conferência, sendo que nen-
hum dos conselheiros usa o SUS.
Porém, a luz do prédio acabou, fi-
cando inviável a continuação do
conselho. Apesar disso, o reitor
Zaki Akel, descaradamente deu
continuidade por viva voz do celu-
lar, encaminhando a aprovação da
EBSERH. Prevendo o "canetaço",
forçamos os bloqueios e a policia
respondeu com ataques de bom-
ba de gás lacrimogêneo e balas de
borracha, ferindo vários manifes-
tantes, incluindo uma professora
aposentada que levou quarto tiros
e acabou no hospital.

A aprovação por viva voz de
celular é absurda e ilegítima ju-
dicialmente, sendo assim, o Sin-
ditest (sindicato dos servidores
da UFPR) entrou com uma ação
judicial contra a legitimidade do
Conselho, e o reitor acabou ad-
mitindo que a Sessão não tinha
sido encerrada, ou seja, a EBSERH
ainda não tinha sido aprovada no
Paraná. Isso está ocorrendo em
outras universidades federais,
como na Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC), que con-
ta com um dos poucos Hospitais
Universitários que não aderiramà
empresa.

Outro COUN foi chamado no dia
06 de outubro para ser realizado
dois dias depois (08/10), para en-
cerrar a sessão. Após a violenta re-
pressão policial, as demissões no
Hospital de Clínicas, os vários atos
de rua e as muitas pessoas gritan-
do juntas que não queriam a EB-
SERH, a votação por viva-voz foi
validada pela Poder Judiciário e a
sessão do conselho foi encerrada
com a adesão da UFPR à Empresa
Brasileira de Serviços Hospitala-
res.

Fica claro o objetivo do governo
federal de entregar à iniciativa
privada todos os hospitais univer-
sitários, criando portas duplas e
precarizando a saúde e a educação
públicas. Como os governantes
são financiados pelos convênios
privados de saúde, é óbvio que
esses vão defender os interesses
da iniciativa privada ao custo do
sangue da população! Continuare-
mos resistindo à qualquer forma
de privatização dos serviços pú-
blicos, em todo o país, nos orga-
nizando e lutando em prol de uma
saúde gratuita e de qualidade para
todos e todas!


More information about the A-infos-pt mailing list