(pt) Anarchist Federation of Rio de Janeiro FARJ - Libera # 160

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Terça-Feira, 21 de Janeiro de 2014 - 13:30:05 CET


O Libera referente aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2013 foi lançado. Este 
número do Libera, #160, é uma edição especial com 8 páginas, comemorando os 10 anos da 
Federação Anarquista do Rio de Janeiro, completados em 2013. O Libera #160 traz como 
editorial alguns excertos de textos lidos no Ato Público, ocorrido no SINDIPETRO-RJ, que 
finalizou os trabalhos do II ConFARJ (II Congresso da Federação Anarquista do Rio de 
Janeiro), como as saudações de outras organizações enviadas a nós e a Nota Pública da FARJ 
para a ocasião. ---- Além deste editorial, o Libera traz também um texto sobre o I 
Encontro de Economias Coletivas, que aconteceu na Maré; um texto nosso sobre ética e 
estilo militantes; um texto sobre a demarcação de terras indígenas no Governo Dilma, 
escrito por um companheiro nosso; além das notícias libertárias.

O Libera #159 pode ser encontrado fisicamente na Biblioteca Social Fábio Luz ou com nossos 
militantes. Caso queira receber alguns exemplares para distribuição, basta entrar em contato.
Ler ou baixar em pdf: Libera #160 
http://anarquismorj.files.wordpress.com/2014/01/libera_160_web.pd 
fhttp://anarquismorj.files.wordpress.com/2014/01/libera_160_web.pdf

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  Viva o Coletivo! Viva! ................... pág 3
  A transformação social construímos no
  agora ......................................... pág 4
  Dilma ou Ruralistas? Quem é o Falcão e
  quem é o Falcoeiro? ..................... pág 6
  Notícias Libertárias ..................... pág 8

organização e LUTA
II Congresso e 10 anos da farj

A FARJ realizou no segundo semes-
  tre de 2013 seu II Congresso. Foi um
  momento importante, que teve como
  objetivo a atualização de nosso Pro-
  grama Político e a sistematização dos
  nossos trabalhos, que se relacionam
  diretamente à prática política que de-
  senvolvemos nestes 10 anos de exis-
  tência.Também foi um espaço voltado
  à mística, à cultura, à construção políti-
  ca e à socialização com companheiros
  e companheiras das organizações que
  conosco participam da Coordenação
  Anarquista Brasileira, a CAB. Finaliza-
  mos os trabalhos do II ConFARJ com
  uma atividade pública no SINDIPE-
  TRO-RJ. Aqui destacamos trechos da
  "Saudação ao II ConFARJ" e da "De-
  claração Pública" que foram lidas no
  decorrer da atividade.

Saudação ao II CONFARJ

  "Companheiras e companheiros.
  Trazemos a todos uma saudação.
  Uma saudação com anos e anos de
  história e de luta. Um fio condutor
  que liga militantes anônimos e co-
   nhecidos. [...]

    Há 10 anos fundava-se a Federação
   Anarquista do Rio de Janeiro. Um
   grão de areia no mundo. Mas um
   grão de areia que se liga ao traba-
   lho de muitos outros e outras que
   lutaram. Nossa estrada é a estrada
   dos que não param de caminhar.
   Nossos desejos são daqueles que
   necessitam implodir o velho mundo
   para germinar. [...]

   Somos daqueles e daquelas que não
   tem no vocabulário a palavra "desis-
   tir". [...] Sabemos que não há saída
   e que a única saída é a resistência, a
   organização, a luta. Outros e outras
   também sabiam.

  Neno Vasco, Fábio Luz, Espertirina
  Martins, Marques da Costa, Maria
  Iêda, Alberto Pocho Mechoso, José
   Oiticica, Domingos Passos. Sim, eles
   sabiam.

Nós não temos medo de recome-
  çar. Fazemos isso todos os dias.
  Não temos medo de avançar. Fi-
  zemos isso no estado de sítio de
  Artur Bernardes. Fizemos isso na
  ditadura do Estado Novo. Recome-
  çamos."Juntamos as pedras para re-
  construir o edifício libertário", diria
  Jaime Cubero. Foi assim na ditadu-
ra burguesa e militar de 64. Quan-
  do não lutamos no sol, lutamos na
  sombra. Seguimos com o punho
  alto, difundindo a ideia. Difundindo
  o ideal. Sim, Ideal. Um Ideal que nos
  chega, na terra da rebelde Confede-
   ração dos Tamoios, por homens e
   mulheres que sonharam e lutaram.
   Juan Perez Bouzas. Sapateiro anar-
   quista. Homenageamos esse velho
   anarquista. Ideal Peres, filho de Ca-
   rolina Bassi, estudante do Colégio
   Pedro II. Aluno de José Oiticica,
  membro da Juventude Anarquista
   do Rio de Janeiro. Ideal juntou os
   "cacos" e "passou o bastão" para
   outros companheiros e companhei-
   ras. Prestamos uma homenagem a
   esse compa.

   Reconhecemos não apenas os que
   se foram, mas também cada com-
panheiro que se dedicou a lutar ou
   que hoje ainda luta. Reconhecemos,
   nas reuniões no apartamento de
   Ideal Peres, em plena ditadura mi-
    litar a força de quem não verga, de
  quem não desiste. [...] O II Congres-


  so da FARJ agradece todas aqueles
  e aquelas que nos inspiraram. São
  muitos e muitas, não cabem nes-
  sas linhas. Homenageamos os que
  seguiram na década de 70, os que
  não desistiram nos anos 80, os que
  lutaram e se organizaram nos anos
  90. [...]

Agradecemos os companheiros e
  companheiras das nossas organiza-
ções irmãs. Nossa homenagem tem
vida, tem luz. Nossa homenagem é
sempre a luta, as barricadas, a orga-
  nização popular, a coerência ética e
  o estilo militante. Organizar. Lutar.
  Sonhar.

  [...] São lutadores e lutadoras que
  não tem medo das ruínas, pois os
  trabalhadores dizia Durruti, herda-
  rão a terra!

  "Aqui se apresenta a FARJ, sem pe-
  dir outra coisa que um posto de
  luta, para que não morram sonhos
  formosos e profundamente justos."
  Porque a noite escura passará, e
  nós trabalharemos para ver o ama-
  nhecer."

Declaração Pública

"Companheiros e companheiras de
luta e de ideal, trazemos aqui um
pouco da nossa trajetória, nossas
posições políticas e, por que não,
nossa modesta contribuição ao
anarquismo e às lutas sociais. Lá se
vão 10 anos de acúmulos de luta
e organização, de erros e acertos,
de conquistas de uma prática onde
convivem as lutas do passado e do
presente, de nossos velhos compa-
nheiros e companheiras que perma-
necem vivos junto a atual geração
de militantes.

Vivemos hoje mais um momento
de ofensiva do capital, que agora ar-
ticulado em nível global, implemen-
ta uma nefasta política de domina-
ção e exploração local, fragilizando
os avanços e os direitos históricos
conquistados pelos trabalhadores
através da luta e agredindo de for-
ma explícita as poucas liberdades
que ainda restam nesta prisão de-
nominada por estado democrático
de direito. Em detrimento do acesso
universal à terra, à moradia e ao tra-
balho são promovidas privatizações
e extorsões que concentram cada
vez mais riqueza e poder nas mãos
das elites. São cinicamente crimina-
lizadas todas as formas de reação
e autodefesa da população e todos
aqueles que se organizam visando à
transformação social rumo a uma
sociedade mais justa e igualitária, a
luta cotidiana e a manifestação das
massas contra a opressão.

[...] neste momento a história pare-
ce se repetir. Vemos companheiros
sendo perseguidos, processados e
presos arbitrariamente e sem pro-
vas, quando não aniquilados. É a ve-
lha solução das elites de se tratar
as questões sociais como caso de
polícia. Monta-se todo um voraz
aparato de controle e repressão
semelhante ao que nossos antigos
companheiros vivenciaram em ou-
tros momentos, como a Lei Adolfo
Gordo de deportação. Aparato ago-
ra materializado nas leis antiprotes-
to, na brutalidade e truculência po-
licial contra o povo e nas reuniões
de cúpula de segurança estadual e
federal. Nesse mesmo marco vem
à tona décadas de assassinato dos
pobres nas favelas, periferias e no
campo. São milhares de Amarildos,
Cíceros e Reginas, centenas de
massacres de Eldorado dos Carajás
e da Favela da Maré ocorrendo co-
tidianamente. A máquina de propa-
ganda das elites, a mídia burguesa,
amparada pelos partidários do go-
verno do PT, trabalha para ocultar e
apagar estes fatos, tentando escon-
dê-los por trás de uma hipócrita e
cínica política dita desenvolvimen-
tista e populista, que já vem sendo
implementada pelos governos pós
ditadura.

[...] a FARJ é fundada em 2003 en-
quanto processo de reorganização
dos anarquistas no Rio de Janeiro
e fruto do trabalho desenvolvido
pela militância ácrata no período de
reabertura pós ditadura civil-militar.
O que não existiria se não fosse o
esforço empreendido por militan-
tes anarquistas que remontam his-
toricamente práticas que nos reme-
tem ao início do século XX. Dessa
forma é importante reafirmar que
este passado de luta projeta-se em
nosso começo.

Fundamos a FARJ com acúmulo de
experiências militantes [...]. Lança-
mos publicamente nossa organiza-
ção política através de nosso Mani-
festo de Fundação e de nossa Carta
de Princípios. Sempre tivemos como
objetivo participar e contribuir no
processo de construção de uma
instância nacional, reunindo outras
organizações que comungam da
mesma prática militante. Desde en-
tão estivemos atuando para conso-
lidar nossos trabalhos de base nos
setores dos sem-teto, comunitário,
nos movimentos sociais do campo
e nas favelas e periferias da cidade.
Nossa prática política foi constru-
ída coletivamente através de con-
sensos teóricos e conceituais em
diálogo constante com a realidade,
sendo materializada através do pro-
grama público "Anarquismo Social
e Organização" e na realização do I
Congresso da FARJ em 2008.

É por meio desta prática, e da pu-
blicação de nosso Programa reto-
mamos o contato com a Federação
Anarquista Uruguaia e o conjunto
de organizações políticas articu-
ladas no Fórum do Anarquismo
Organizado (FAO). [...] no ano de
2010, formalizamos nossa partici-
pação nesta instância. [...] naquele
momento compunham este espaço
a Federação Anarquista Gaúcha, o
Coletivo Anarquista Zumbi dos Pal-
mares/AL, a Rusga Libertária/MT, o
Vermelho e Negro/BA e a nossa or-
ganização. Nos anos de 2011 e 2012
outras organizações se somaram
nesta articulação: a Organização
Anarquista Socialismo Libertário/
SP, o Coletivo Anarquista Núcleo
Negro/PE, o Coletivo Anarquista
Bandeira Negra/SC, a Organização
Resistência Libertária/CE e o Cole-
tivo Anarquista Luta de Classes/PR.
[...] No ano de 2012, é realizado o
primeiro ConCAB, tendo como um
dos resultados um Programa Míni-
mo que reúne algumas propostas
concretas para a intervenção na re-
alidade brasileira.

[...] Chegamos ao ano de 2013 co-
memorando nossos 10 anos e rea-
lizando nosso II Congresso. Neste
espaço reafirmamos nossas convic-
ções, celebramos nossa trajetória
e o ingresso de novos companhei-
ros e companheiras, avançamos em
nossa organicidade e trabalhamos
para atualizar nosso Programa. Um
momento também de debate e re-
flexão sobre temas caros à luta das
classes oprimidas, como Gênero,
Campesinato, Classe e Sindicalismo.

[...] Diante dos desafios que a reali-
dade nos apresenta, permanecemos
firmes e ainda mais fortes, convic-
tos de que essa caminhada, passo a
passo, ombro a ombro com os mo-
vimentos populares é o que pode
nos levar à conquista de nossos
objetivos finalistas, que não é outro
senão a construção de uma socie-
dade socialista e libertária."

Viva a FARJ!!! Viva a CAB!!!
Não tá morto quem peleia!!!
Arriba los que luchan!!!
Ética! Compromisso!
Liberdade!
Viva a anarquia!!!


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