(pt) Aurora Obreira #28 - Em Campinas (Greve Geral de 1917) -- Paralisação completa do trabalho – O barbarismo policial

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Domingo, 11 de Agosto de 2013 - 10:46:40 CEST


Desde o inicio da greve, em São Paulo, que o povo e, particularmente o proletariado 
campineiro alimentavam forte sympathia pela justa causa do operariado paulistano. Assim é 
que, a todo o momento, se ouviam commentarios enthusiastas á acção dos grevistas. ---- Dia 
13, seguiu para essa capital o batalhão aqui aquartelado afim de, com as forças d'ahi, 
completar a obra infame já começada: massacrar o povo. ---- O policiamento de Campinas 
ficou a cargo dos pedantes garotos da Linha de Tiro 176, que, desejosos de uma estréia 
auspiciosa, commeteram algumas e inúteis arbitrariedades. ---- O operariado campineiro, 
querendo manifestar, de facto, a sua solidariedade aos companheiros de São Paulo, 
resolveu, no dia 16, declarar-se em greve e reclamar também um aumento de 20% nos seus 
salários. Nesse mesmo dia, cerca da 1 hora da tarde.

Os operários da Companhia Mogyana, Mac Hardy e Lidgerwood, numa
grande massa, percorriam as ruas da cidade quando, sem motivo
algum, foram presos dois companheiros.

Diante disso que representava uma revoltante arbitrariedade,
os operários, precedidos de uma bandeira vermelha, symbolo das
suas aspirações de justiça, encaminharam-se á autoridade policial,
pedindo a liberdade dos dois camaradas. Arrogantemente, a
autoridade negou que os mesmos achassem presos.

No trajecto foram adherindo á greve os operários de muitos
estabelecimentos industriaes. Cessou o movimento de bondes que,
por alguns momentos deixaram de trafegar. O commercio fechou.
Algumas horas depois adheriram ao movimento os operários
de outras fabricas e officinas.

Os obreiros campineiros, sempre com calma, dirigiam-se aos
jornaes locaes, quando alguém alytrou a idéia de irem esperar a
passagem do comboio que ia partir para São Paulo, onde talvez
viajassem os presos. Com esse fim dirigiram-se para a porteira da
Capivara, que aquelle trem deveria atravessar. De facto, o
comboio apareceu momentos depois, sendo apredrejado por
alguns moleques.

Cruzando-se com o que vinha d'ahi permitiu que os esbirros
das duas cidades se communicassem. E taes foram as
communicações que d'ahi a pouco se consumava a pavorosa
tragédia.

O commandante da força, fazendo parar o trem em ponto que
julgou estratégico, fez descer a soldadesca a qual, approximando-
se, ás ocultas, da massa dos grevistas rompeu incontinenti a
fuzilaria.

Entre mortos e feridos notamos seis pessoas, victimas dessa
polícia assassina que mata de emboscada operários pacatos e
ordeiros com são todos os de Campinas. Entre os mortos figuram
os companheiros Antonio Rodrigues Magota e Tito de Carvalho.
Foi essa uma violência sem qualificação porque os operários
não commeteram depravações nem desattenderam ás
autoridades.

Esse oficial que commandou o massacre deveria e mereceria
ser lynchado, mas é certo que o capitalismo ladravaz vae
certamente dispensar-lhe honrarias especiaes e talvez, amanhã,
ostentando no braço um novo galão.

Na terça-feira, 17, foi profusamente espalhando o seguinte
boletim:

“Companheiros! Sejamos unidos, para assim obtermos a
vitoria dos nossos direitos. Não nos curvemos ante a prepotência
dessa polícia sedenta de sangue.

A polícia sanguinaria quer-nos privar de acompanhar hoje a
última morada os despojos dos nossos companheiros.
É uma iniqüidade, é um abuso. Satisfaze-la nesse seu proposito,
é dar uma prova da nossa decadência, da nossa fraqueza.
Portanto, operários não deixem de comparecer ao sepultamento
dos nossos desditosos companheiros, marcado para hoje, ás 13
horas.

Todos! Não nos esmoreça a brutal selvageria de hontem! - A
Commissão – Campinas, 17 de jullho de 1917.”
Nesse dia os operários de todas as typographias de Campinas
adheriram á greve, reclamando aumento de salário.
O enterro das vicitmas foi uma imponente manifestação de
protesto do proletariado campineiro, que a ele compareceu em
multidões.

A Plebe Anno I – Num 6 – 21 de Julho de 1917
Texto digitalizado pela Barriacada Libertária, mantendo a
grafia da época.


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