(pt) [Itália] Projeto Café Malatesta

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Terça-Feira, 10 de Janeiro de 2012 - 10:45:23 CET


A outra produção
O projeto Café Malatesta nasceu em Lecco em janeiro de 2010 quando se abriu a
possibilidade para um grupo de jovens, provenientes de diversas experiências (seja
do ativismo, de projetos de autogestão, seja de quem veio de anos de estudos ou de
trabalhos precários), de utilizar gratuitamente uma máquina de torrefação de café em
desuso, na sede da G.A.S. de Lecco.
De uma atividade experimental nasceu em um tempo curto um coletivo com vontade de
criar uma realidade de trabalho autogestionada e baseada em dinâmicas decisórias
antiautoritárias, com a convicção de que um modo diferente de viver a produção e o
consumo pudesse ser seguido por uma mudança social no sentido solidário, como
alternativa a uma economia capitalista predadora de culturas, territórios, tempos e
espaço de nossas vidas.

Em quase dois anos de trabalho crescente e de numerosas relações com grupos de
compradores, círculos sociais, associações, companheiros e amigos, o coletivo se
encontrou de frente a importantes escolhas para a direção e as práticas do projeto,
apesar da natureza ainda embrionária da atividade e da falta absoluta de capital
inicial ter levado e continuar levando a uma grande dificuldade, entre pesar a
vontade de decisões éticas radicais por um lado, com a premente necessidade de
liquidez para se alcançar o objetivo mínimo da autonomia (constituição de um sujeito
econômico autônomo).


O manifesto do Coletivo

O grupo constitui atualmente um "Coletivo de Trabalho" autogestionado que quer
articular a sua atividade em 5 pontos fundamentais:

1. Criação de renda a partir de trabalho manual e intelectual e em nenhum caso de
lucro ou retiradas incoerentes com a participação e o empenho no projeto coletivo.

2. Trabalhar com matérias primas produzidas em condições de trabalho dignas, com
particular atenção às pequenas realidades privadas de acesso à certificação
internacional Fair Trade.

3. Trabalhar com matérias primas produzidas com respeito ao meio ambiente e ao
território com métodos de cultivo biológicos, procurando relações de confiança com
pequenos produtores privados do acesso à certificação reconhecida Organic/Bio.

4. Divisão comum, mediante uma prática constante de assembléias, das escolhas e dos
percursos que o projeto empreenderá, rechaçando a formação de dinâmicas
verticalizadas e autoritárias.

5. Procura constante de relações e trocas com aquelas comunidades que tem a intenção
de promover a cultura e a prática da solidariedade, do mutualismo e da autogestão.

O projeto nasce com a vontade de rebater uma lógica de "Comércio Justo" voltada para
a caridade e para a beneficência, contrapondo uma solidariedade horizontal entre
trabalhadores organizados em realidades autogestionadas, no norte e no sul do mundo.

A torrefação autogestionada é pensada como um instrumento de emancipação do trabalho
precário e das condições de exploração, com o objetivo de desvincular os
cultivadores das imposições esfomeadas das grandes companhias de comércio de café e
de criar junto com outras comunidades e grupos no território, locais e nacionais,
uma rede de produção e consumo paralela e autogestionada, baseada na
auto-subsistência ao invés do lucro, na solidariedade ao invés da competição.


A proveniência do café verde

A vontade expressa desde as primeiras fases do projeto foi aquela de desenvolver os
contatos mais diretos possíveis com os cultivadores, de modo a retirar o lucro dos
intermediários e de restituir dignidade e reconhecimento aos trabalhadores. Assim,
no arco de dois anos o grupo conseguiu fazer com que a maior parte do café
trabalhado proviesse de projetos de solidariedade com as comunidades de camponeses
(na Guatemala e em Honduras), enquanto o restante é certificado FairTrade.

A colaboração com a Coordinadora (http://coordinadora.noblogs.org), rede libertária
nacional que sustenta diversos projetos de cooperação com as comunidades zapatistas
de Chiapas, vai exatamente nessa direção: construir redes de solidariedade externas
e estruturalmente conflituosas em confronto com os interesses do mercado oficial.

Desde abril de 2011, a assembléia da Coordinadora decidiu confiar ao Coletivo Café
Malatesta o trabalho com o Café Durito provindo das cooperativas zapatistas, que
antes vinha importado da cooperativa libertária Café Libertad de Hamburgo.

A escolha de trabalhar com uma matéria prima eqüitativamente retribuída aos
produtores fora das lógicas intensivas da agroindústria e torrada artesanalmente
leva inevitavelmente a um custo e, portanto, a preços mais elevados em relação ao
café comercializado pelas grandes corporações. O coletivo, consciente de que o preço
de venda seja um fator delicado e importante, procura manter custos no mesmo nível
de outros cafés solidários e biológicos, para aproximar aqueles sujeitos
(trabalhadores mal pagos, precários, desocupados, estudantes e aposentados) que se
encontram na posição de ter de consumir mercadorias economicamente produzidas
através da exploração de outros trabalhadores e de outros territórios, mas que
teriam somente a ganhar com a difusão de redes mutualistas, de produção e de trocas
alternativas.

O Coletivo promoveu uma Campanha Extraordinária de Doações para sustentar os custos
relativos à adequação do laboratório, à compra de uma balança e a outros itens
necessários para desenvolver a atividade. É possível participar de modo individual
ou coletivo, com doações, empréstimos solidários, iniciativas beneficentes,
distribuição do café ou promoção do projeto.

Para informações e contatos: caffemalatesta at autistici dot org

Cristiano - 328 0069751
Jacopo - 340 5367035

Para informações sobre o café zapatista Durito: info at coordinadora dot it


Tradução > Carlo Romani
agência de notícias anarquistas-ana



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