(pt) [Brasil] PARALIZAÇÃO GERAL: 30 DE MARÇO

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Quarta-Feira, 1 de Abril de 2009 - 10:34:03 CEST


Em pouco mais de cinco meses,
demissões em massa eliminaram quase um milhão de postos de trabalho no
Brasil.
Após reações iniciais, como as de trabalhadores da Vale, da Embraer e da GM,
pela primeira vez o conjunto das categorias sairá às ruas ao mesmo tempo.
O dia
30 de março será a primeira resposta nacional contra a crise.

O protesto está sendo convocado por trabalhadores
de movimentos sociais e dirigentes ligados a diversas centrais sindicais.
Haverá protestos nas principais cidades e um ato nacional em São Paulo.
Durante
todo o dia, vão ocorrer paralisações nas empresas e protestos de rua unindo
trabalhadores do campo e da cidade, operários e estudantes.

Crise evidente

Não são apenas os trabalhadores da
indústria que temem o futuro. Todos acabarão sentindo a recessão. Como o
funcionalismo público, que deve ficar sem reajuste, já que o governo estuda
cortes de verbas e não pretende cumprir os acordos.

Soam estranhos os discursos otimistas
do presidente. A realidade é outra. Os trabalhadores já começam a desconfiar
dos “sacrifícios passageiros”, como os acordos de redução de direitos e
salários. Especialistas apontam que 59% dos trabalhadores já tendem a não
aceitarem
os acordos desse tipo, defendidos pela CUT e pela Força Sindical (que também
farão parte das manifestações, mas por pura pressão da base e não por uma
posição
política clara). A evolução da crise gera impactos na consciência dos
trabalhadores. E as reações começam a ocorrer, como a greve petroleira, que
pode ser uma das mais fortes em muitos anos.

Mas a resposta dos trabalhadores ainda
não é como em outros países. Na França, milhões fizeram a segunda greve
geral.
Marchas convocadas pelas centrais tomaram as ruas, desafiando o governo
Sarkozy. Em outros países europeus, greves operárias radicalizam-se. São os
ventos da luta soprando pelo mundo.

Nesse cenário, o dia 30 tem
importância decisiva. Milhares poderão participar e os protestos podem
ocupar a
cena política do país, agindo como um grande chamado aos desempregados,
desempregados,
trabalhadores do mercado informal, autônomos, etc., enfim, toda a classe
trabalhadora. Liberando o potencial de resistência e fazendo dessa data um
passo para um dia de paralisação nacional.

Entre as bandeiras, uma tem
importância especial: a que exige a readmissão dos demitidos da Embraer e sua
reestatização. O tamanho dos cortes fez dessa empresa uma luta nacional, um
símbolo do momento que vivemos. Sua luta estará presente em cada ato do
dia 30,
em cartazes, faixas e mensagens de solidariedade.

A responsabiliadade do governo nas
demissões da Embraer demonstra que, também no dia 30, é preciso denunciar o
ataque do próprio Lula aos trabalhadores. Não basta que o presidente “torça”
pelos trabalhadores, enquanto libera milhões para bancos e multinacionais.
Alguns
ativistas do movimento sindical mais moderado estarão nas ruas, exigindo de
Lula um decreto que garanta a estabilidade no emprego. Mas muitos outros
movimentos
que estarão presentes no dia 30 mostrarão que a maior alternativa às
turbulências
das crises do capitalismo e a qualquer outra forma de opressão e
exploração é a
organização da classe e a luta!


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