(pt) [Portugal; Coimbra] Projecção do filme documental "Memória Subversiva - anarquismo e sindicalismo em Portugal 1910 - 1975"

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Quinta-Feira, 7 de Junho de 2007 - 12:40:21 CEST


...seguido de debate com a presença de José Tavares

data: 09 de Junho (sábado)
hora: 22h00
duração: 110 mn
entrada livre
local: Salão Brazil (na baixinha de Coimbra) - Largo do Poço, 3*
infos do local: http://salaobrazil.blogspot.com
telefone do local: 239 824 217

p.s.: para mais informações é favor contactar t: 933 452 145


p.s.: podem usar a imagens deste link
http://salaobrazil.blogspot.com/2007/06/um-documentrio-no-perder.html

Textos constantes do folheto do filme:

*MEMÓRIA SUBVERSIVA – anarquismo e sindicalismo em Portugal até 1975*

TEMA DO FILME

Nas primeiras décadas do século XX a ideia anarquista e particularmente o
sindicalismo anarquista foram uma força pujante em Portugal.

A *CGT* (*Confederação Geral do Trabalho* – anarco sindicalista) era a única
central sindical que existia no país. A sua publicação *A Batalha* chegou a
ser o terceiro diário de maior circulação no País. Memória Subversiva é o
único documentário sobre este movimento, reunindo os testemunhos de vinte e
um activistas anarquistas e sindicalistas. Falam sobre greves insurrecionais
e agitação social nos anos vinte, do confronto com o fascismo, da guerra
civil espanhola, da repressão e clandestinidade, do campo de concentração do
Tarrafal, do 25 de Abril de 1974...

O vídeo revela o forte humanismo e autodidatismo, características essenciais
das actividades anarquistas e sindicalistas. Temas como o anti-militarismo,
sexualidade, ecologia e pedagogia moderna estão também presentes como parte
integrante de um mesmo combate. Numerosos documentos e filmes de arquivo
ilustram o anarquismo e sindicalismo em Portugal e o seu contexto histórico,
desde a primeira república portuguesa até 1975.
José Tavares

COMENTÁRIO

Pretendeu o José Tavares e  Stefanie Zoche honrar a presença, num filme, de
alguns militantes idosos, dos 80 aos 100 anos, aqueles que conseguiram
sobreviver à tremenda luta travada contra o fascismo e os capitalismos
internacionais, em especial os heróis sobreviventes da Colónia Penal do
Salazarismo, onde vários deles fizeram mais de 10 anos de cativeiro, sem
processo formado, ouvindo permanentemente os carcereiros afirmar que aqueles
presos nunca mais iriam ver a Liberdade, porque o governo salazarento os
tinha mandado para lá morrerem. Dizem que foi a um padre que o ditador
mandou escolher este local porque era riquíssimo em mosquitos pestíferos,
com a tuberculose entre pessoas e gados de abate. Existia um médico na
colónia penal que em vez de exercer funções humanitárias, realizava as de
carrasco. Neste campo infernal morreu a flor dos militantes anarquistas e
anarco-sindicalistas (para além doutros militantes de diferentes sectores
políticos e revolucionários). A maior parte dos prisioneiros que conseguiram
ver a liberdade, morreram pouco depois pelos achaques e maleitas adquiridas
nessa maldita colónia.

Podemos bradar aos quatro ventos, sem possível desmentimento, que se não
tivesse existido Tarrafal, nem tremendas repressões fascistas não se
apresentaria tão dizimado como está hoje o nosso movimento anarquista. Não
tivemos ajuda de nenhum imperialismo Oriental, nem das repúblicas
democráticas. Os povos que nos poderiam ajudar, como o Espanhol, o Italiano,
o Argentino, o Brasileiro, etc., estavam também a ser amarfanhados por
diversos tipos de fascismo.

Obrigado José Tavares e Stefanie por se terem lembrado de perpetuar na tela
a presença deste grupo, cuja maioria são os heróis de lutas ciclópicas em
favor da Humanidade, do Amor, do Progresso e da Libberdade.

Viva a Emancipação Integral da Humanidade.



por José de Brito

OPINIÃO

O vídeograma Memória Subversiva é um documento histórico único sobre as
ideias e vidas radicais subsistentes na sociedade portuguesa no séc. XX.
José Tavares e Stafanie Zoche, pese embora os condicionalismos logísticos,
técnicos e financeiros, souberam construir um diálogo baseado na verdade e
na simplicidade sem recorrerem aos sofismas da tecnicidade e do modernismo
conjuntural muito querido da intelectualidade. A sucessão cronológica dos
factos e das vidas protagonizadas pelos diferentes intervenientes foram
magistralmente humanizados pela perícia perceptiva da câmara e uma narração
inteligente e objectiva. Por vezes o som e a música não acompanham
adequadamente o pulsar das palavras e das imagens. Esses factos são no
entanto, de somenos importância.
O  vídeograma Memória Subversiva, na minha modesta opinião, preenche uma
grande lacuna que subsistia na história do movimento operário e do
sindicalismo português deste século.
Com este documentário filmado será difícil interpretar e/ou re-interpretar
os movimentos sociais, políticos e ideológicos de ânimo leve. Para antes e
depois da implantação da ditadura salazarista ficam as vidas e as palavras
de um punhado de homens e mulheres que não se vergaram a amos e senhores:
Memória Subversiva é um retrato fiel dessa realidade.


por J.M. Carvalho Ferreira

Neste filme, uma geração de homens e mulheres, hoje entre os 70 e os 80
(há-os centenários!), fala ainda e sempre, com veemência e a exaltação da
juventude que neles não se extinguiu, da alegria e do voluntarismo
revolucionários. Nesta época da conformação mais rasteira travestida de
pobres emblemas exteriores (grotescas modas ousadas...), eis-nos aqui
perante perante uma fala humana que até nas suas mais pungentes fragilidades
se mostra superior ao pretensioso palavreado pós-moderno, asséptico e
invertebrado. É certo que já só a poderá escutar quem for capaz insubmissão
perante a cangalhada social – porque a revolta é a plataforma mínima de que
partem estes incorrigíveis anarquistas da região portuguesa que José Tavares
e Stefanie Zoche ouviram, com visível empenho, num longo périplo pela
memória da subversão deste século. Para além do mais, a verticalidade de
tais homens e mulheres ompõem-se como constraste luminoso numa época de
apalhaçadas gesticulações.


por Júlio Henriques


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